Você percebeu que há um tempo era muito mais comum vermos anúncios da boneca Barbie e mais meninas pedindo ela de presente? Isso não tem a ver só com a proibição de anúncios de brinquedos na TV, mas também porque a procura pela boneca diminuiu.

A documentarista Andrea Blaugrund Nevins produziu o documentário Tiny Shoulders: Rethinking Barbie (Tiny Shoulders: Repensando a Barbie) para a Hulu. Nele ela conta sobre toda a história de criação dessa boneca tão desejada pelas crianças durante anos e como sua procura foi diminuindo com o passar do tempo, fazendo com que a marca precisasse reinventar a boneca. Além disso, ela traz algumas  mulheres importantes no meio crítico e social para falar sobre suas opiniões a respeito da Barbie e sua história.

O surgimento da Barbie

Voltamos lá para o ano de 1959, quando a fábrica da Mattel não estava tendo muitas vendas com a Barbie, foi então que Ruth Handler revolucionou e criou uma boneca loira, de olhos azuis, magra, alta, cabelo liso e com seios. Essa última característica foi vista com espanto na época, pois as bonecas não costumavam vir com seios. Desde esse momento de criação podemos ver que ela já vinha com um certo padrão de beleza que a minoria das meninas possuía.

Quando a Barbie foi criada, o papel da mulher era bem definido: ser dona de casa. Não havia muitas mulheres ocupando cargos em empresas ou administrando seu próprio negócio. O que Handler percebeu, através de sua filha, é que as meninas ansiavam pelo mundo adulto. Partindo desses pontos, a boneca não era comercializada apenas vestida com lindos vestidos, mas também com roupas de comissárias de bordo, jornalistas, médicas. Isso fez com que as meninas começassem a querer a Barbie.

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Como o documentário conta, a Barbie foi um enorme sucesso mundial, sendo até mais famosa que qualquer presidente. Mas a boneca que surgiu incentivando as mulheres a conquistarem seu espaço no mundo adulto se tornou alvo de críticas com o passar dos anos. Isso porque com o surgimento do feminismo e a luta das mulheres por seus direitos, fez com que o padrão de beleza imposto pela Barbie fosse criticado. Isso porque muitas mulheres que cresceram brincando com ela, ou mesmo as que não brincavam, quisesse manter um corpo magro, com cabelos loiros e lisos.

Handler traz ao documentário as escritoras feministas Gloria Steinem, Roxane Gay e Andi Zeisler, que abordam as contribuições negativas da boneca para a sociedade, incluindo esse padrão de beleza eurocêntrico e que era nocivo para as meninas.

BarbieO Projeto Dawn

Com os anos o movimento feminista foi ganhando força e as mulheres puderam conquistar vários direitos, além de se aceitarem e não seguirem mais o padrão estético imposto pela mídia e pela sociedade. Chegamos, então, ao ano de 2014 quando as vendas da Barbie caíram muito e foi a vez de Kim Culmone repensar a boneca. Em 2016 a Mattel lançou o Projeto Dawn, e trouxe ao mercado bonecas com 3 tipos de corpos: Petite (baixinha), Tall (alta) e Curvy (curvilínea). A ideia foi trazer diversidade e representar outros tipos de corpos de meninas reais.

Durante os anos as cores de cabelo, tipos de cabelo, cor de pele e traços do rosto foram acrescentados também, contribuindo com a diversidade cultural. Mas com esses novos tipos de corpo, podemos ver muitas meninas sendo representadas.

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Porque a mudança demorou tanto para acontecer?

Essa é uma ótima pergunta, já que o movimento feminista não é recente. Handler explora, justamente, a resposta para essa dúvida. E pelo que é possível perceber, há muita coisa envolvida por trás de quem está no marketing e desenvolvimento da boneca. Tiny Shoulder investiga porque foi tão difícil acontecer a mudança e porque ela é necessária.

Por trás de um novo redesign de qualquer produto é preciso pensar em como o público vai aceitar. E não seria diferente com a Barbie. Os desenvolvedores não queriam que ela fosse ridicularizada ou vista com maus olhos. Mas como pode-se ver no documentário, o Projeto Dawn foi um grande sucesso.

A questão é que a Barbie começou como uma reinvenção e até hoje ela vem se reinventando para atender ao seu público e às questões políticas e sociais. E como se é de se esperar, ela vai continuar nesse processo. Afinal, o mundo muda a cada dia. Por conta da reinvenção acontecer baseado nas críticas sociais, ela nem sempre estará a frente.

Tiny Shoulders sugere que essa conversa sobre a mais famosa boneca não pare por aqui. Gay também apresenta sua crítica ao Projeto Dawn, querendo uma boneca que realmente seja gorda e não apenas tenha um quadril maior. Ou seja, vemos que falta muito para que a Barbie, realmente, represente as mulheres e pare de ser uma ditadora de como devem ser os corpos das mulheres.

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