Conheça um pouco dos bastidores da retomada de produção de conteúdo do projeto Carreirasolo.org, que contou com uma ferramenta fundamental, o Trello

Lá na casa onde fui criado, ouvia desde pequeno uma fábula tupi-guarani (cada um tem a infância que lhe cabe, pessoal), sobre como as mães educam os seus filhos.

Lembro só das linhas gerais. Um indianista teria visitado uma tribo e ficado bastante intrigado com o comportamento de um curumim. Ele se posicionava ao lado da mãe, uma talentosa ceramista, observando-a trabalhar em um novo vaso. Quando era colocada para secar, a peça era quebrada instantaneamente pelo pequeno índio.

A mãe, paciente, recomeçava o trabalho, fazendo um vaso ainda melhor, mais detalhado e bonito. O pequeno, aguardava todo o processo terminar e quebrava novamente.

Depois de testemunhar o processo se repetir algumas vezes, o “cara-pálida” não resistiu e foi perguntar: “Minha senhora, por que este menino não é repreendido? Ele está quebrando o seu trabalho sem parar”.

E, com toda aquela paciência, a mãe respondeu: “Se eu colocar de castigo ou bater ele jamais vai ENTENDER o VALOR que um vaso tem. Ele precisa entender isso sozinho.”

A história termina assim, com a gente, bicho da cidade, coçando a cabeça.

Mas tem outra coisa. Sempre que eu ouvia, eu achava que estava sendo preparado para ser como a mãe, um adulto paciente e ciente de seu papel educador.

Com a experiência, percebi que eu ainda sou o curumim

Maio de 2018 foi o segundo mês no qual assumi um teste aqui no Carreirasolo.org: ter uma equipe dedicada a ele para, sob minha orientação, publicar todos os dias, um artigo bem bacana.

O básico do básico, certo? E, por isso, mesmo o mais difícil. Em 14 anos, este espaço aqui (site, portal, blog?) já passou por tantas reencarnações, promessas, bravatas e manifestos (Os agentes de ruptura e as Mentorias da Sala101 sendo os seus últimos), que nunca atingi alguma tração depois de 2008, ano que criação de nosso podcast. E, no fundo, eu não entendi como não quebrou até hoje.

Até vislumbrar por que isso estava ocorrendo

Todas as vezes, como o curumim da história, eu vinha quebrando o vaso recém moldado. E a audiência, mãe paciente, era capaz de reconstruir um novo recipiente ainda mais brilhante do que o anterior.

Eram vocês o tempo todo tentando me mostrar qual era o REAL VALOR deste vaso que construímos juntos. Pedindo programas novos do podcast, comentando textos com o viés que o projeto deveria ter, não deixando de acessar algo que, vamos ser sinceros, às vezes não mostra a que veio.

Eu, curumim teimoso, ia quebrando esse vaso lindo que vocês nunca cansaram de criar. Ora, achava que iria criar uma loja virtual só com artigos para freelancers (2012), ora que vocês anunciariam, como em um marketplace, ora que falaríamos de conteúdo do mundo das startups (2016), ou de tecnologia, de inovação.

E aí, chegamos neste novo pote de cerâmica: maio de 2018

Estou desde o final de março investindo em algo que nunca engrenou por aqui: uma equipe de produção de conteúdo dedicada a manter o site atualizado TODOS OS DIAS. Desde o finalzinho de março tenho atuado como editor – da mesma forma que faço nos projetos da contemconteudo.com, diga-se de passagem. Coordeno a seleção de pautas, as meninas produzem e juntos vamos moldando resultado final.

Uma ferramenta fundamental nesta retomada foi o Trello. Em nosso quadro (aqui temos uma versão pública para vocês olharem), criamos juntos um processo que percorre todas as etapas do que considero uma gestão de conteúdo bem feita.

Por dentro da Redação Online do Carreirasolo.org

Quando decidir colocar uma equipe dedicada para trabalhar no projeto, pensei em criar também uma metodologia de produção de conteúdo original. Meu objetivo era ir de uma sugestão de tema até o conteúdo publicado, sempre primando pela qualidade do que entregamos aos nossos leitores. Daí, surgiu esse nosso quadro. Como ele funciona? Acompanhe o passo a passo:

Eu capturo no Zeitgeist as tendências em conteúdo para trabalhar. Pode ser um pensamento aleatório, uma referência bem bacana, ou um conjunto delas sobre um tema que acredito ser importante para a minha audiência. Ela lista captura os links que eu favoritei em diversos pontos da rede de forma automática. Feedly e Twitter são os fornecedores principais destas referências.

Quando sinto que temos algo no ar que vale a pena pesquisar, esta “proto-ideia” vai para o primeiro Recorte. É quando retiramos a camada da poeira mágica do hype, da modinha e do meme para enxergar por trás (ou por dentro) daquele assunto, dando uma nova voz a ele. A voz do Carreirasolo.org.

Uma vez acertada a voz, a ideia passa para a Pré-Produção, onde coletamos as informações necessárias para que o conteúdo seja original e, mais do que importante, verdadeiro. Fake news aqui não entra.

Depois disso, é mão na massa: começa a Produção. Isso vale tanto para os posts como para os e-mails, os podcasts, os Stories. É hora de escrever, gravar etc.

Uma vez liberada a ideia ela entra em Edição. Aqui, é hora de dar aquela cor especial para o post, editar o som e o vídeo dos conteúdos ricos e deixar tudo pronto para uma das fases mais importantes.

A Revisão. Nesta lista moram os conteúdos que eu recebo, como editor, para dar uma olhada, ver se o Recorte foi cumprido ou se algo mudou da hora em que decidimos falar sobre o assunto até o momento de ir ao ar.

E por falar nisso, na lista de Conteúdo no Ar, usamos um truque: com a integração com o IFTTT publicamos o feed do blog. É uma forma simples, automática e garantida de ter um relatório de publicação. Se foi ao ar, está ali.

E, na última coluna, caso um conteúdo se mostre importante para as nossas estratégias, ele recebe impulsionamento nas mídias.

Esta metodologia, um editor (eu, eu!) e duas gloriosas redatoras nos levaram a mais de 20 mil pageviews orgânicas nestes dois meses e pouco. Um projeto querido, mas que estava em banho-maria começou a chamar atenção de assessorias e clientes. Legal, né?

O que estes dois meses me ensinaram? Que resultados tivemos? O que nos espera daqui pra frente? Bem, vamos lá por partes.

Alguns dos ensinamentos desta primeira experiência

  • A consistência é mais importante do que a quantidade. Me comprometi a produzir um artigo por dia. Temos mantido a meta e, em alguns dias produzindo até dois. Fica a dica: comprometa-se com a mínima entrega viável para suas metas;
  • Os resultados são fruto disso. Nada muito impactante ainda, mas percebo que o volume orgânico tem aumentado, ao mesmo tempo que anunciantes e assessorias começam a mandar e-mails novamente. Outra dica: ignore os resultados iniciais, pois em alguns casos eles tiram o seu foco;
  • O recorte dos temas não pode ser deixado de lado e, tenho certeza, será um dos segredos para essa escalada. Encontrar este recorte tem sido a minha missão enquanto editor nesta nova fase. Me parece que aqueles posts mais “how to”, “guias” e “dicas gerais” funcionam melhor, perfomam melhor. Ao mesmo tempo, é preciso manter o olho no que acontece de “quente” nas timelines. Encontrar este equilíbrio é uma missão e tanto, ainda mais com o compromisso de entregas diárias;
  • Podcast precisa voltar. Estou estudando isso, não se preocupem. Já devemos começar agora em junho com alguns experimentos;
  • Agentes de ruptura e Mentorias vão entrar na geladeira por enquanto.

E, para finalizar, vamos entender melhor o ponto 3

Sim, ainda existe fome pelo conteúdo de empreendedorismo pessoal. Minha missão é conseguir expandir o tipo de público com o qual eu converso ao mesmo tempo em que mantenho o conteúdo útil e com alto poder de engajamento.

Traduzindo. A audiência quer mesmo é o conteúdo pé no chão. Quer saber do dia a dia. Um dia a dia que, como o meu, também pequeno empreendedor, é tenso, cheio de promessas e desafios.

O que a gente consegue entender disso tudo?

Primeiro que estatística tem o seu lado nonsense. Os mais lidos, sabe-se lá porque são dois posts que contradizem a hipótese que vou lançar aqui.

Partindo do princípio que todos foram impulsionados da mesma maneira nos perfis (todos de forma orgânica, aliás), me parece que tanto posts como o do Shark Tank como o dos Unicórnios (os dois mais lidos do período), devem ter sido compartilhados em outras bolhas.

Mesmo descontando isso, consigo ler uma tendência de “quanto mais útil, mais lido”, mesmo desconsiderando a idade dos posts mais antigos. Na lista temos posts mais recentes mais lidos do que outros mais antigos.

Tirando este lado nonsense, portanto, o que sobra, me parece é que posts mais utilitários (o que eu vinha tentando fazer em áudio com o Sala101) tendem a ter mais engajamento do que os especulativos.

Isso só redobra o nosso desafio porque manter a máquina rodando e soltando um bom artigo por dia com este direcionamento é mais difícil do que pode parecer.

Por isso, conto com vocês a partir de agora: quero receber dúvidas das mais básicas às mais intrincadas para, juntos, montarmos este calendário editorial.

Quem vem comigo nessa no mês de junho em diante?