Em algum momento da sua vida você já deve ter recebido uma proposta para trabalhar de graça, principalmente se estava no início da carreira. Essa prática é um tanto comum e pode prejudicar outros profissionais da área. A partir do momento que um cliente sabe que um profissional está trabalhando de graça ou por um preço muito abaixo do praticado, ele pode não querer mais pagar o valor real do trabalho.

Eu mesma, comecei a minha carreira de redatora escrevendo textos de graça para um blog. Porém, naquela época (3 anos atrás), eu nem sabia que redatora era uma profissão e que poderia ganhar dinheiro com isso. Além do mais, eu escrevia sobre assuntos nos quais acreditava e para um blog com temas que me inspiravam.

Só depois de quase um ano e meio é que soube que o que eu estava fazendo podia ser remunerado. Foi então, que comecei a estudar sobre o assunto e comecei a me candidatar para algumas vagas.

De acordo com o que pesquisei, as plataformas de trabalho freelancer eram as melhores opções para quem estava no começo. Mas nunca consegui um trabalho nelas, pois nas poucas vezes que consegui, pelo menos, um retorno do anunciante da vaga, meu valor por texto era considerado alto. Isso fez com que eu tentasse vagas em outros lugares, como em sites de agências e nos grupos do Facebook.

O começo de qualquer profissão é complicado, pois é preciso passar por experiências e se aprimorar. O freelancer precisa também aprender como conversar com o cliente, a prospectar novos clientes, a perceber quais trabalhos vão ser bacanas para o seu portfólio e a precificar seu trabalho. Isso leva tempo, ainda mais quando você não tem alguém para te guiar ou dar sugestões. E quando surgem trabalhos de graça ou divulgação, ficamos na dúvida até que ponto isso vale a pena.

trabalhar de graçaLeia mais: Todo bom freelancer comete erros, mas saiba quais não repetir

Até que ponto vale a pena trabalhar de graça?

No meu caso, valeu a pena trabalhar de graça no blog, pois adquiri conhecimento que eu não tinha, afinal sou formada em Licenciatura em Física. Com essa experiência pude montar um portfólio, aprender a linguagem de texto para web e saber como utilizar o WordPress. Além de fazer algo que me inspirava.

Podemos dizer que trabalhar de graça vale a pena, principalmente no início da carreira, em algumas situações:

  • ter experiência para começar a criar seu portfólio;
  • produzir algo em que acredita;
  • ganhar conhecimento;
  • fazer algo que nunca fez, mas sem muita pressão do cliente.

Mas há casos em que trabalhar de graça ou quase de graça não é nenhum pouco vantajoso. Aqui estão alguns exemplos:

  • o cliente pede um monte de alterações, como se estivesse pagando pelo serviço;
  • o trabalho começa a ocupar muitas horas do seu dia;
  • você já tem experiência na área.

Porém, é muito relativo e intrínseco de cada um se dispor a esse tipo de serviço. Mas e o que dizer das plataformas de trabalho freelancer que não têm uma tabela de preços como base?

As plataformas de trabalho freelancer são as grandes vilãs?

É fato que, nessas plataformas, muitas pessoas que estão à procura de um freelancer não querem gastar muito. Mas só aceita esses trabalhos com preços reduzidos ou de graça quem quer. E por conta de ter quem aceite, algumas empresas ou pessoas não pagam o valor ideal para os projetos. Ou, ainda, dizem que tem pessoas que estão cobrando menos.

É preciso ver também, que alguns profissionais só aceitam preços tão absurdos porque precisam muito ou porque tem tempo disponível. Por exemplo, se um adolescente quiser escrever um texto que custaria 30 reais, mas por ele ter tempo e não ter contas para pagar, ele pode muito bem aceitar apenas 10 reais ou até menos.

A questão é que, quem lucra com essas plataformas em que não há uma tabela de preço a ser seguida são as pessoas que não se importam com o valor do trabalho do outro, e se dispõem a pagar preços baixíssimos. Porém, colocar a culpa por essa prática apenas em quem quer um serviço pode ser um pouco injusto. Afinal, quem faz o serviço também precisa valorizar seu trabalho.

trabalhar de graçaLeia mais: 3 coisas que você precisa fazer antes de se lançar como freelancer full time

Afinal, quanto eu deveria cobrar pelo meu trabalho?

Se você pesquisar sobre o quanto deve cobrar por seu serviço, poderá encontrar dois ou mais métodos. Mas os mais comuns são: cobrar por hora trabalhada ou por quantidade de palavras (para quem é redator). Vou contar um pouco sobre como eu faço.

Quando estava decidindo o quanto cobrar até pensei em fazer isso por hora trabalhada. Porém já encontrei textos que levei pouco tempo para fazer, enquanto que outros do mesmo tamanho levei mais tempo. Isso depende muito do tema a ser trabalhado e da dificuldade do mesmo. Levando em conta essa situação e o fato de que a cada trabalho teria que calcular a quantidade de hora que levaria para finalizar o serviço, decidi calcular o preço por número de palavras.

Assim, não fico com culpa por ter cobrado um valor x por duas horas e ter levado só uma hora e meia para concluir o texto. Mas além disso, é preciso levar em conta outros fatores, como o regionalismo.

A faixa de preços praticada no nordeste pode variar da faixa de preços praticada em São Paulo ou no Rio Grande do Sul. Além disso, suponhamos que há dois redatores, um que trabalha com clientes da capital de São Paulo e outro que trabalha com clientes do interior de São Paulo. Por conta do poder econômico de cada um dos dois lugares, o preço pelo trabalho pode variar.

Criar uma tabela de preços não é simples, mas fazer uma pesquisa em grupos do Facebook ou na internet já vai te dar um norte sobre quanto cobrar. E acredite, mesmo depois de estar a um tempo no mercado, com várias experiências, sempre vai aparecer alguém que ainda vai oferecer 10 reais por um texto de 500 palavras.

Agora, queremos saber as suas experiências. Conte-nos como foi seu início de carreira como freelancer? Você passou por algumas das situações relatadas no texto?