Muitas mães empreendedoras merecem mesmo todo o nosso reconhecimento, em especial aquelas que saíram do ambiente corporativo para ingressar em uma nova forma de trabalho.

E eu senti isso na pele.

Larguei mesmo a carreira com carteira assinada em grandes empresas para ser redatora freelancer depois que a Manu nasceu. E isso fez toda a diferença na minha vida!

Mas não pense que foi fácil. Grana, opinião dos familiares, home office (que envolve administrar a rotina de casa, do filho e do trabalho) e mais uma série de questões com certeza pesaram bastante.

E é justamente sobre isso que eu escrevi hoje. Nesse artigo você vai conhecer um pouco da minha trajetória profissional e vai saber como eu saí de profissional de RH que usava terninho e sapato alto (só às vezes) para uma redatora freelancer que trabalha em casa todos os dias junto com a Manu!

Como muitas mães empreendedoras me inspiraram a mudar de carreira?

O ano era 2003. Aos 23 anos finalmente consegui uma grana para me matricular na faculdade de psicologia, meu sonho desde a infância.

Como sempre fui uma pessoa sensível, com um olhar diferenciado para o outro (acredito eu), achava que isso ia me dar a oportunidade de ajudar as pessoas nas suas dificuldades.

Comecei e amei. Só que percebi que atuar na área clínica, naquela época, ia ser mais difícil do que eu imaginava.

Então fiz o que todo mundo fazia: procurei um estágio em RH para conseguir pagar as mensalidades.

Acabei dando sorte e entrei em uma grande empresa como estagiária. Se curti? Não muito, mas tinha que pagar a facu, né?

Como eu era estagiária e fazia tudo que vocês podem imaginar, acabei trabalhando também com Comunicação Interna e essa foi a área que mais me interessou, porque eu adorava escrever textos e publicar na intranet.

Mas eu curtia a equipe também. E como a empresa era bem informal, a gente podia conversar, falar umas besteiras e dar umas boas risadas durante o expediente. E isso eu adoro fazer!

Acredito até que os meus anos em empresas acabaram durando muito por conta disso (amizades, mais do que trabalho).

Bom, em 6 meses eu recebi uma promoção. Aí começou a ficar interessante e aconteceu o que acredito que acontece com muita gente: fui ficando sabe…

Alguns meses depois recebi mais uma promoção e depois mais outra e fiquei lá por longos 8 anos.

O legal é que durante todo esse período eu continuei na Comunicação Interna e fui cada vez mais aprimorando a minha escrita.

Só que chegou uma hora que a coisa começou a ficar complicada. Percebi que estava realmente muito infeliz. Como eu não tive uma criação que me mostrava oportunidades diferentes de trabalho (a única era o emprego com registro em carteira), achava que o negócio era ser infeliz no trabalho, afinal, um monte de gente também era, então vamos dar as mãos e ir vivendo né?

Só que a infelicidade era tanta, que eu não conseguia esquecer o trabalho nem quando estava em casa e com a minha família e amigos. E, no final das contas, senti que estava passando mais tempo da minha vida infeliz do que feliz.

Mas finalmente eu conheci (nessa empresa mesmo) alguém que me deu uma outra visão de trabalho: meu marido, o Marcos!

Com uma família empreendedora e com muito potencial para empreender, ele me mostrou que eu poderia fazer diversas outras coisas.

E foi aí que comecei a olhar algumas franquias e entender melhor esse universo. O único problema é que elas eram bem caras e eu não tinha grana pra bancar nenhuma, nem as mais baratinhas.

Continuei nessa empresa, me casei com o Marcos em 2010 e em 2012 fui para uma outra empresa, também trabalhar em RH (não tinha muita opção né?).

Acabei gostando do trabalho e fiz uma pós-graduação em Recursos Humanos. “Vou ficar aqui nessa empresa mesmo, aqui é diferente” pensava. Só que não!

Na verdade o trabalho era legal. Eu atuava diretamente com os líderes e comecei a curtir isso, só que a chefe não era lá a melhor coisa do mundo…

Com uma relação bem estremecida, é claro que ela me demitiu. E depois fui pra outra empresa, e também fui demitida. Depois pra outra e também fui demitida. Qual é o problema das empresas? Descobri que na verdade o problema não eram elas. O problema era eu!

Eu não me adaptava, não tinha jeito, agora estava claro! Não gostar de Recrutamento e Seleção e de Treinamento e Desenvolvimento é uma coisa, mas não curtir o ambiente e o que ele representa, é algo bem diferente!

Então eu já sabia, nesse momento, que tinha que ir atrás da minha turma mesmo, que era uma outra bem diferente dessa!

Fora isso, estávamos tentando engravidar e o fato de trabalhar fora e não estar em casa com a minha filha era uma coisa que me preocupava muito. 

O que aconteceu depois que a Manu nasceu?

Nem preciso dizer que depois que a Manu nasceu eu nem pensei duas vezes e larguei aquela vida de carteira assinada!

O Marcos e eu fizemos as contas, cortamos umas despesas e começamos a viver com o salário dele. Acreditem, foi muito difícil fazer isso porque eu adorava ter o meu dinheiro e sair pra jantar ou pra tomar uma cerveja no barzinho. E nessa época nós realmente ficamos quase zerados. Pagávamos as contas, comprávamos a comida e era isso.

Mas eu sabia que precisava ser firme. Queria ficar com a minha filha e trabalhar em algo que eu gostasse. Então tinha que ser paciente e persistente!

Mas no que eu ia trabalhar? Provavelmente na área clínica. Por isso comecei a fazer um curso de psicanálise para aprimorar os meus conhecimentos.

Como o meu marido era um cara que gostava de negócio, pensou em montar um e-commerce de bijuterias para eu tocar. Embarquei nessa. Se deu certo? Claro que não! Nunca montamos um negócio e só fizemos besteiras. Comprei um monte de bijuteria e de embalagem e não usei nada. Dinheiro jogado fora. Mas ganhei muita experiência (e as bijuterias, que ficaram todas comigo!)

Já que a gente está nessa de bijuterias, vamos tentar um blog de moda e beleza? Você escreve bem e pode fazer os artigos. Me disse o Marcos. E eu topei!

Acho que até hoje ninguém nunca leu esse blog (rsrs), mas acontece que ele me ajudou muito a aperfeiçoar a minha escrita, afinal, não é o mesmo que fazer textos corporativos.

Depois desse fracasso, resolvi ir para a clínica. Eu era uma psicóloga formada e estava fazendo curso de psicanálise, não é?

Fiz um site, uma fanpage no Facebook e comecei a divulgar o meu trabalho.

Tive alguns pacientes, mas percebi que ganhar dinheiro nessa área não era nada simples. Teria que mudar completamente o meu modelo de negócio e isso esbarrava na questão ética do psicólogo.

Além disso, comecei a questionar muito a teoria e até mesmo a forma como os profissionais atuam. Infelizmente grande parte dos psicanalistas não enxerga a psicanálise como um negócio, só que eu enxergava. Vinha ouvindo diversos empreendedores que estavam me inspirando a ter um negócio realmente lucrativo. E nessa área parece que tudo conspirava contra, pelo menos pra mim.

Só que abandonar a minha profissão não seria fácil. Paguei a faculdade, me formei e agora? Vou largar tudo?

Jamais. Levo comigo muito aprendizado e crescimento profissional e pessoal. No mínimo passar por toda essa experiência (incluindo o RH) me ajudou a descobrir o que eu gosto e o que eu não gosto de fazer e até a me entender enquanto profissional.

Fora isso, graças ao RH eu conheci o meu marido, que me apresentou ao empreendedorismo, e também pude aprender a escrever textos, que foi o ponto de partida para a tão amada carreira: a de redatora freelancer.

E é isso que faço hoje, de casa mesmo, enquanto cuido da Manu.

Esse trabalho não só permite que eu acompanhe de perto o crescimento da minha filha, como também faz com que eu me sinta feliz e realizada.

Hoje eu não tenho “chefes” para bater de frente (ah, eu fazia muito isso), mas clientes, que me contratam porque gostam do meu trabalho e porque acreditam no valor que ele pode proporcionar.

Como me encontrei nisso, me especializo e aprimoro cada vez mais os meus conhecimentos com o intuito de crescer sempre mais. No RH eu acabava sendo uma funcionária mediana porque não acreditava naquilo e não tinha um propósito. Então se alguém aí falar que eu era “fraquinha” pode acreditar que é verdade! rsrs

Mas é claro que enfrentei dificuldades. Existem pessoas que acham que quem trabalha em casa na verdade não trabalha ou que até pode resolver uma coisinha rapidinho ali na esquina. Só que estar em casa não é sinal de ter tempo. Na verdade, hoje eu trabalho mais do que eu trabalhava e tenho muito menos tempo livre.

E não se esqueça de que em casa você tem que fazer comida, lavar a louça, dar almoço pra Manu, ajudá-la a resolver o problema com a amiguinha, trocar o programinha na televisão, ver o que aconteceu que o cachorro que não para de latir (gente, o Guga late muito, como eu resolvo?), inclusive quando você está em uma ligação com o cliente ou em uma reunião no Skype. Quando não é ele é a Manu que quer dar o “ar das graças” ao cliente.

Mas isso é ruim? Não, é maravilhoso! Amo o meu trabalho, me dedico muito, trabalho bastante e mesmo assim faço mais esse monte de coisas aí.

Sei que a minha filha adora me ver em casa também e essa escolha é ótima para nós duas. Por isso tudo o meu trabalho é especial.

Então, se você acha que já não curte o que faz e que o seu filho tem um peso maior nessa decisão, não pense duas vezes.

E se você se dedicar e aprimorar as suas habilidades, cedo ou tarde vai acabar igualando a sua grana com o salário que recebia e pode até começar a ganhar mais (acredito muito nisso e acho que a meta deve ser justamente essa).

No meu caso, a maternidade acabou sendo o ponto de partida para eu entrar de uma vez em uma atividade que me faria feliz e me geraria muita satisfação.

Uni o útil (ficar com a Manu) ao agradável (trabalhar em algo que gosto).

E vocês, como estão as vidas de mães empreendedoras?

Gostam dos seus trabalhos com carteira assinada?

Querem empreender?

Já empreendem e têm uma história legal para contar?

Comentem aqui!