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Grey Gardens: 40 anos de decadência na espera por outra chance

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Por indicação do Arthut Xexeo, parei ontem para dar uma olhada no Grey Gardens (HBO Films, 2009), filme que reconta a vida nada convencional das Edith Beale (mãe e filha homônimas), ex-socialites fracassadas americanas, durante um quase infinito período de decadência de 40 anos, entre 1936 e 1975.

Até aí, você pode dizer “Ok, quem nunca ouviu falar de histórias de decadência, ainda mais na década de 30 onde os EUA afundaram de vez com a Grande Depressão?”. Mas Grey Gardens está aqui por outro motivo.

A história real

200px-GreygardensExpressão mágica do cinema moderno, as histórias baseadas em situações reais atraem nossa atenção a priori. Nesse caso, não faltam motivos. Primeiro, as duas eram tia e prima de, ninguém mais ninguém menos do Jack O., ícone da elegância americana.

Segundo, quando se fala em decadência isso inclui no caso de Grey Gardens uma casa (uma vida?) sem manutenção por 40 anos, com lixo, restos de comida, dejetos dos 80 gatos, notificações da prefeitura, rostos, roupas, móveis e carros apodrecendo a céu aberto, na comunidade de elite de East Hampton.

A notificação e posterior chegada do caso aos jornais e revistas leva a famosa prima a reformar casa (a mãe se recusou a vender até a morte) e atrai atenção de dois cineastas que decidem registrar num documentário a inusitada situação.

Esse foi o ponto de partida no filme da HBO, reconstruindo esse momento, com Jessica Lange (mãe) e Drew Barrymore (filha), e a chegada da dupla de cineastas

Vale comparar essas duas cenas a primeira do documentário original e a segunda, do filme da HBO.

Um trabalho bem interessante, com destaque para Drew Barrymore.

“Um dia minha segunda chance virá.”

Entramos, então, no ponto que queria expor por aqui. Grey Gardens, em complemento ao drama pessoal e familiar, é uma lição importante sobre “esperar sua segunda chance.”

Quantas vezes ficamos parados vendo nosso mundo desmoronar, ou a imaginar um mundo que não existe mais, a espera da super chance que nos tirará da miséria, do marasmo, da empresa que não entende você?

Como diz Little Eddie, “às vezes é muito difícil separar o presente do passado”. A lição do filme pra mim é outra: preso a essa miopia, a maioria simplesmente se recusa a escrever o próprio futuro.

Estranhamento: é assim que você vai para frente.

Uma das práticas mais curiosas a se praticar nesse mundo de clientes e projetos é o estranhamento. Chamo de Estranhamento aqui a capacidade de retirarmos esse véu de miopia da rotina e práticas profissionais corriqueiras para vislumbrar a realidade, ou as várias realidades que nos envolvem.

Publicitários ao praticar Estranhamento entendem o quão inútil é ficar batendo na mesma tecla das situações, casting e gírias de classe média paulistana para comerciais de alcance nacional.

Empreendedores de internet ao praticarem o Estranhamento descobrem que um mundo que funciona só no timeline de seus twitters (coloque no lugar de twitter o nome do aplicativo mais famoso de todos os tempos na última semana, ok?), não reflete a realidade da internet nacional. E com isso, impedem o crescimento real da indústria, ou seja, a realização das potencialidades de sua ferramenta: na educação, no processo de inclusão social e resgate da cidadania, na simplificação de processos governamentais etc.

Educadores ao praticarem o Estranhamento entendem que são hoje facilitadores, canais, seres inspiradores e não mais ejaculadores de conteúdo semi-pronto.

Enfim, você, leitor, ao praticar o Estranhamento, entende de uma vez por todas que um filme não é só um filme, não é só um filme, não é só um filme.

Vale então, da próxima vez, avaliar o estado de coisas e olhar para seuu Grey Gardens interior e perguntar em que ano afinal, você está ou estacionou: 1936? 1975? Ou 2009?

Referências fundamentais:

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O Lutador somos nozes. Fique atento para não cair nessa: freelancer está sempre na próxima onda.

the-wrestler-outracoisa

Nenhum filme, nessa curta história do Subsolo, nossa seção de resenhas e pensamentos aleatórios, falou tão precisamente ao foco do Carreirasolo.org como O Lutador (The Wrestler – 2008). A possibilidade de leituras, a narrativa crua e emocionante, a interpretação – ou apenas transliteração – de Mike Rourke… enfim… sentar e assistir o filme é entender uma das máximas sobre a qual já escrevi um post muito legal há vários anos atrás: olhar para o céu é ver estrelas mortas.

O Roteiro

Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke) é um bem-sucedido pugilista nos anos 80 que é impedido de lutar depois de sofrer um ataque cardíaco. Assim, ele consegue um emprego em um restaurante, passa a morar com uma stripper tenta se aproximar da stripper que sempre o atende visando estabelecer uma insólita relação “estável” e, assim, levar uma vida mais “padrão”. Mas não consegue resistir a vontade de retornar à antiga carreira, mesmo sabendo que isso oferece riscos a sua saúde. (Peguei essa no Cinema com Rapadura. Valeu Jurandir!)

A medida que assitia ao desenrolar deste plot, conduzido com firmeza por Darren Aronofsky (de Black Flies, Fonte da Vida e Réquiem Para Um Sonho) fiz várias conexões com o nosso papo diário aqui sobre a vida dos freelas e de como isso pode nos conduzir a uma vida tranqüila ou a derrota atrás de derrota. Vamos entender por quê?

Resiliência vazia, sem missão

Randy resiste a tudo: ao tempo, a velhice, as crianças, a fama vazia. Mas sua resiliência (qualidade muito admitrada hoje em dia) é vazia. É interessante notar como temos profissionais repletos dessa resiliência vazia no mercado. “A internet não vai funcionar nunca”, “web 2.0 é moda”, “e-commerce não pegou”, “lan-house não representa o grosso do público conectado no Brasil”, “crise? no máximo uma marolinha”. A resiliência vazia é a morte da missão. Tenha um missão e lute por ela. Não tenha uma luta e crie uma missão vazia ao seu redor.

Apego ao passado

Outro traço marcante é o apego ao passado. Randy, em seus momentos de tristeza mais profunda, olha o interior de sua minivan e seus recortes, inclusive de sua luta final, como quem vê estrelas mortas. A diferença é que ele ainda acredita que elas brilham. Prete atenção se você cultiva uma nostalgia segura e saudável ou cai de cabeça num cronômetro reverso de sua ambição, onde cada dia que passa foi pior que um passado irreal e fantasiado.

Falta de planejamento

Mesmo tentando sobreviver aqui e ali em feiras sobre seu mercado (o de luta livre), Randy vive o resultado de sua completa falta de planejameto. Cigarra com corpo de touro. Formiga do formigueiro alheio. Não planejou, não poupou, não lutou. Sobre isso falamos intensamente no FalaFreela#3, sobre Controle Financeiro. Dá lá uma ouvida!

Concluindo

O Lutador é um excelente filme. É emocinante sem ser piegas e nostálgico sem ser fantasioso. Trouxe pra cá, desapegado da neura de falar somente de lançamentos, para transformá-lo numa referência real para os profissionais que querem mais do que lutar ou vencer. Querem construir seus próprios ringues.

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Coraline e o outro mundo de quem viu Coraline.

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coraline_poster2Imagine que, num belo dia Stephen King acordou e não curtiu sua vida. Ele queria ser um dos Irmãos Grim.

Escrever histórias ao mesmo tempo assustadoras e que pudessem trazer algo de bucólico e imemorial, sabe? Que misturassem crianças e monstros reais, o lado mais soturno dos desejos a mais cruel das vilanias.

Você sabe quem seria o Stephen King se materializasse do outro lado do espelho como um dos irmãos Grim?

Neil Gaiman escrevendo Coraline.

O filme por si só traz muito da esfera do livro, esses que só Gaiman sabe tornar (ir)reais. É infância e crise de meia idade ao mesmo tempo, é Alice no Pais das…Desventuras em série. E é, claro, IT em sua melhor essência. (It e Mulholand Drive me deixaram sem dormir, já adulto).

Mas tem mais: a realização em si é fantástica. Um filme em stop motion gravado em 3D, o primeiro da Laika Enterteinment House, dirigido por Henry Selick e que nos conta a história da pequena Coraline que, ao descobrir uma porta para um “outro mundo” dentro do quarto de sua casa nova, abre possibilidade infinitas de questionamentos nela e na platéia. De que lado da Matrix você quer ficar? O que mais vale ajudar: a si mesmo ou aos outros? A presença é substituível pela providência?

coraline

“Não é um filme para crianças, é um conto de terror, o que elas fazem por aqui? Só quero ver no que isso vai dar”. Ouvi essa frase por um casal de góticos tatuados que, com certo descaso, fazia pouco da platéia infantil.

Coraline e Neil Gaiman têm esse poder: levantar fãs ardorosos por onde passam. Mesmo os mais amedrontados com a possibilidade de todos gostarem daquilo que consideravam só seu.

Vai lá ver e depois comenta!

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Slumdog Millionaire leva oito Oscar e uma questão no ar. Responda!

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slumdog_millionaire_posterSurpresa, espanto, dúvida, assombro. Emoções que percorreram a última entrega do Oscar, que aqui caiu num domingo de carnaval, quando o bicho-papão da noite foi o bollywood movie Slumdog Millionaire.

A possibilidade de leituras que esse momento nos traz, vão além do cinema. Tomemos, por exemplo, a produção da festa, notadamente menos dispendiosa que em anos anteriores.

Teriam os produtores da academia sido pegos pela crise? Claro que não. O fato é que, com alguns descontos, a indústria do cinema, que tradicionalmente nos vende ilusões paleativas há mais de 100 anos, tem seu pezinho ali na realidade.

E se a realidade da vez é uma crise (real, sem dúvida), porque não embarcar no tema? Podemos dizer: o tema da entrega do Oscar esse ano foi a crise. E isso acabou se refletindo na premiação de Slumdog Millionaire.

Uma cidade de milhares de deuses

Que aliás tem um roteiro que você já viu: menino de favela se vira aqui e ali e tem um grande amor e um irmão que por sua vez escolheu o lado mais rápido para alcançar alguma posição na vida, o crime. Mas nosso herói é batalhador e tem lá seus talentos.

O máximo que se permite é ser um “malandro do bem” enganando aqui e ali turistas que visitam sua cidade natal. Tudo isso filmado e mini flash backs indo e vindo entre o momento de ruptura do roteiro, uma espécie de “Show do Milhão” e a infância pobre.

Troque Jacarepaguá por Bombaim e você tem, em vez de Cidade de Deus, o ganhador do Oscar de melhor filme.

E é aí que a vitória de Slumdog Millionaire traz sua leitura mais interessante. É para mim o sussurro de uma indústria: “Nós tememos os seus call centers que tentam nos enganar que nos atendem do bairro ao lado; tememos sua capacidade de remexer e reiventar nossos programas de TV e nosso estilo de vida; tememos até nos tornarmos no futuro o que vocês são hoje, numa insuspeita – mas não impossível-, troca de papéis entre nossas nações”.

Em outras épocas bastaria fagocitar essa avalanche de avanços na Índia, Brasil, China e Russia para, através dessa própria indústria cultural, perpetuar ciclos de dominação.

Será essa a alternativa correta agora?

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Você quer saber como eu me transformei num filme perturbador?

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Perturbador e tenso sem deixar de ser embalado por uma excelente trilha que é mais um personagem em meio a tantos, feito por atores de ponta em papéis secundários e outros quase novatos mandando bem nos papéis principais neste que é o, ahmmmm, tschunchh, o melhor filme de herói do ano fingindo ser o melhor filme de ação do ano uhuhahaha representando o melhor thriller psicológico do ano. Mas em que ano estamos? Você quer saber em que ano estamos? Eu posso contar para você. Estamos no ano em que, ahmmm, vão fazer um filme quase um pouco longo demais, mas na medida certa. Medidas, tudo se resume a medidas. Aliás, não se pode resumir – a vida, o que dirá 142 minutos -, num texto tão curto, este ano em que estamos. Mas podemos falar de medidas, a medida do dilema, eu dizia. Dilemas e desafios morais. Ser ou não ser, todas as questões acima. O rei sou eu e eu estou nu. Ahm…como dizer…para você. Não, não, meu lápis não vai desaparecer agora, não. Preciso dizer de forma conclusiva que…dilemas, sim, dilemas. O bem que se faz ao cometer um mau ancestral, ou o mal que se comete como desculpa para o bem renovado nas esperanças de uma cidade? Pergunte a polícia. A polícia sabe: ela atira, mas não ladra. Mata, mas não morde. Cães que mordem, sim…ahm…como cães que só mordem podem acabar com as nossas armaduras? Como anda a sua armadura? Você tem alguém para construir a sua? Ou ela toma a forma de seu corpo, mesmo se você não saiba mais onde começa o seu limite corporal e onde termina o do outro? O que é o outro se não o palhaço de todos nós? Corpo docente e discente da indisciplina global, que se manifesta nos…ahm….olha aí…nos dilemas de barcos que passeiam pela bahia sem saber se vão ou se ficam, os dois. Guanabara, Houston ou Shangai: todos dilemas dos confrontos morais. Dos que nos deixam desnorteados pelos corredores de um shopping querendo entender como falar sobre mais essa referência, aqui para o Subsolo. Ahm…talvez seja isso, subsolo, caos, lama. Da Lama ao Caos. Sim, é uma obra pós-mangue-science. 142 minutos da lama ao caos. Você quer saber como acaba? Ahnmmm…eu posso dizer pra você.

(O Cavaleiro das Trevas, The Dark Knight, EUA, 2008 – Christopher Nolan)

Zemanta Pixie
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Quebrando a Banca: liderança, meios e fins num filme fraquiiinho.

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Quebrando a Banca (21 – EUA – Robert Luketic[bb]) é uma daqueles filmecos que tentam nos convencer de alguma coisa que nem mesmo eles sabem o que é. Neste caso específico o diretor Robert Luketic (Legalmente Loira[bb]) enveredou por uma fábula de pretenso fundo moral ambientada da cidade que se vê do espaço, ou seja, Las Vegas. Ao que me parece a idéia era mostrar que os fins justificam os meios. Desde que você saiba discernir um do outro.

Já escrevi aqui , num post muito procurado por estudantes de direito, que a inteligência no cinema americano é má. Não só no cinemão, na TV com a emergência das séries hypadas também. Benjamim Linus[bb] e Sylar[bb] que o digam.

Só isso, acredito, justificaria Kevin Spacey[bb] e Jim Sturgess[bb] numa briga Jedi do Bem e Mestre Sith do mal das mais simplistas: um gênio em matemática descobre entre seus amigos do MIT um grupo liderado pelo Prof. Micky Rosa que montou um esquema mnemônico para quebrar o sistema de Blackjack ou 21.

Como Ben Campbell é um ser superdotado de memória fotográfica, e precisa de US$ 300 mil para ser aceito no curo de medicina em Harvard, topa entrar para a gangue e invadir os cassinos em busca de (muita) grana fácil.

Pronto. O filme é isso. (Aliás, é baseado numa história real que já foi até matéria da Wired)

Meios, fins e lideranças

Resovi trazê-lo aqui para o Subsolo, que como já mencionei, é nossa humilde central de referências para vocês que começam a criar, planejar e implementar seus projetos como Profissionais Frilas, porque me ajuda e falar sobre três variáveis muito importantes para a carreira de todos nós.

  • Antes de mais nada você precisa pensar nos FINS. Para que você montou seu próprio esquema? Quebrar o mercado? Montar um cassino? Ou ser o melhor aluno do MIT? É tudo questão de escolha e, garanto, todas elas vão gerar algum lucro. Só não se esqueça que para toda grana que você ganhar, sempre tem algum imposto a pagar.
  • Não se esqueça de planejar seus meios até porque eles vão ser decorrência natural do FIM que você escolheu.
  • Escolher a quem seguir é outra dica importante que o filme nos deixa. Bons líderes nem sempre lideram boas causas. Aliás a história nos parece mostrar[bb] que os mais carismáticos escondem projetos não muito louváveis. Portanto, seja tão criterioso com sua liderança como foi Ben Campbell ao desafiar seu professor de equações não-lineares

Mas isso eu deixo para você escolher

Até porque essa é outra idéia bem legal de Quebrando a Banca[bb]: o livre arbítrio nos possibilita escolher em qual time jogar. Você pode até mesmo se identificar com o Cole Willians, (Laurence Fishburne[bb])contratado para identificar larápios de Cassino…e ser feliz assim. É com vocês.

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Homem de Ferro. Com esse você pode baixar a guarda: é ótimo.

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Homem de Ferro (EUA – Marvel Studios – 2008 – Jon Favreau) é, sem sombra de dúvida, a melhor adaptação do universo de HQ até agora. É ágil, enxuto, engraçado, violento, bonito. Tony-DowneyJr-Stark nasceu para o papel e Gwyneth Paltrow[bb] me faz pensar como é feliz Chris Martin[bb] que depois de fazer um show a encontra em casa, enfim, dizendo “Calm Down, baby…I´ll Fix You”. ;D

Antes de começar a escrever esta rápida resenha, dei uma volta pelos blogs e sites especializados e posso garantir que assino embaixo de tudo o que está publicado por lá, com destaque para o Especial Homem de Ferro do Omelete, que tem se firmado como a referência em termos de cultura pop no cenário da internet brasileira.

Digo isso porque sendo o Subsolo esta seção de referências que é, vez por outra precisamos sair do formato tradicional e apontar algo que some a voz corrente. Neste caso, sobre o Homem de Ferro, gostaria de falar sobre…

…o show do lado de cá

Um dentre os muitos méritos da versão cinematográfica de Homem de Ferro está do lado de cá da tela. Na sala onde estava pude contar pelo menos dez casos como o meu: pais trintões levando suas famílias para ver o “gibi que o pai lia quando era criança”. As mães reclamando “ai, quanta violência”, os pais, adorando: “Noosssaaaaa” ou “Olha lá o Stan Lee, ele sempre dá um jeito de aparecer”. E os filhos…

…bem, a moleacada desta vez tomou conhecimento do que vem a ser um alter ego bem interpretado. Sim, porque em adaptações anteriores, seja o emo-Peter Parker, o pastelão-Reed Richard ou o Shrek-Hulk; autores e diretores miraram num público neo-adolescente que quase ou nada teve de contato com os dilemas sessentistas-setentistas, fonte de grande parte dos roteiros dos gênios Lee, Jack Kirby e sua turma.

Homem de Ferro, não à toa a primeira produção assinada integralmente pela Marvel Studios, parece ser a versão turbinada de um bom gibi dos que se lia depois da escola. Ou tudo o que passava na cabeça da gente quando tentávamos imprimir movimento aos quadrinhos.

Especifique, construa, pinte!

Mais uma: ao lado de Minority Report[bb] (EUA – 2002 – Steven Spilberg[bb]) Homem de Ferro é um dos raros filmes onde se tem uma preocupação genuína com a direção de arte do “maquinário” e sua tecnologia.

A armadura, que o mestre Maron batizou de o cavaleiro definitivo, é de uma precisão assombrosa me fazendo lembrar várias vezes os circuitos desenhado por John Byrne nos anos 80-90 para o laboratório do Sr.Fantástico.

A estação de trabalho de Tony Stark, garanto, é sonho de consumo agora de metade da nerdolândia que assistiu ao filme. Incluindo este editor. Inteligência artificial, mesa de simulação 3-D em tempo real, sistemas pervasivos…tá tudo lá. E o que é o “construa, pinte”, que Tony Stark manda para seu assistente Jarvis, um mordomo-robô movido a inteligência artificial, que monta a armadura enquanto ele vai tomar uns drinques em alguma festa pela cidade?

Filme de menino

Mas não posso discordar das mães presentes: Homem de Ferro é, por fim, um filme de meninos, com brinquedos que gostamos. E que usa isso para product-placements bem inteligentes. Quer mostrar telefonia 3G? LG[bb]. Computadores robustos o suficiente para acompanhar o intelecto do bad-boy bilhonário? Dell[bb]. Correr pela cidade como um bom playboy? Audi[bb]. Acabou de chegar do cativeiro e não se segura de vontade de comer um junk-food? Burger King[bb] neles! E por aí vai.

O maior deles, contudo, é subliminar e vai direto, novamente, ao público de trintões que encantou. Que diga o Ballantines lá de casa que sofreu um baque considerável. ;D

Um brinde a Tony Stark. E que venha o segundo! \0/

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Jumper deu todas as dicas antes de ir às telas. Só não viu quem não quis.

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jumper_cartaz.jpgQuando as primeiras notas de pré-lançamento de Jumper (EUA – 2008 – Doug Liman[bb]) chegaram ao Brasil, ninguém notou, mas a pista era clara: todo foco estava nas locações que, a despeito da tendência atual de “vamos gravar tudo em fundo verde que depois o pessoal de CGI resolve”, foram cuidadosamente escolhidas e elevadas a personagens principais da trama. Pelo menos assim nos disse o diretor, que já assinou também Sr. e Sra Smith[bb] e o Ultimato Bourne.[bb]

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Pangea Day. Um evento do tamanho de seu poder em mobilizar idéias.

De tempos em tempos estamos acostumados a assistir eventos mundiais, apresentados por estrelas localizadas em prol de alguma grande causa. Fome na África, Aids, Guerra do Iraque, Refugiados daqui e dali. Live Aid[bb], Live Earth[bb], Live 8[bb] e muitos outros durante os últimos 20 anos não deixaram a peteca “We Are The World[bb]” cair.

O Pangea Day poderia ser exatamente isso. Os itens de série estão lá: é um evento global, tem um dia marcado para acontecer (10 de maio de 2008), tem um site cheio de clima e é calcado em produtos culturais de praxe, no caso, um festival de filmes, músicas e palestras de grandes evangelistas modernos.

Por duas frases, e olhem o poder da palavra como é grande…, por duas frases, o Pangea Day ganhou deste editor um pouco mais de atenção do que a passada tradicional dos feeds:

Durante muito tempo as imagens de todos estava nas mãos de poucos. Isso está mudando

O Pangea Day é um evento sobre o poder da opinião pública. Infelizmente, quando soube do evento, o envio de filmes já havia terminado. Mas durante o processo de inscrição, pessoas do mundo inteiro foram conclamadas a enviar filmes que pudessem de alguma maneira mudar o mundo. O site continua, ao explicar o tom do evento:

Of course, movies alone can’t change the world. But the people who watch them can. So following May 10, 2008, Pangea Day organizers will facilitate community-building activities around the world by connecting inspired viewers with numerous organizations which are already doing groundbreaking work.

É uma postura ousada e ao mesmo tempo madura: usar a capacidade de produção de conteúdo que hoje está na mão de qualquer mané com um blog, para encontrar pérolas inspiracionais que possam ao ser veiculadas, mudar a visão de mundo das pessoas. Não se trata de assumir a responsabilidade sonhadora em mudar o mundo e sim de mostrar que isso sempre esteve na nossa mão e agora podemos registrar este poder com nossas câmeras, telefones celulares e demais apetrechos tecnológicos.

Outra grande coisa

É o tom calculadamente despretencioso como o qual eles apresentam as maneiras de você se envolver na campanha. Os banners, selos e vídeos estão lá. Mas…você pode escolher “sediar” um evento, mesmo que seja dentro de seu bar preferido ou na sala de sua casa, para amigos, ou…em seu blog. E faz a inscrição através do site. Já vi alguns cinemas brasileiros na lista, o que é muito legal.

Na categoria celebridades, temos o J. J. Abrams, criador de Lost[bb] e Cloverfield[bb], Cameron Diaz[bb], Philippe Starck[bb], Bob Geldof e executivos do grupo WPP e da Nokia[bb] (patrocinadora e criadora do evento).

…e até mesmo o Carreirasolo.org :P . Me inscrevi para sediar a transmissão do evento diretamente pelo site, no dia 10 de maio. Mantenho vocês informados sobre o andamento do processo e espero todos aqui, caso a coisa vá adiante, ok?

Visitem o site, opinem…façam a diferença!

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Quem interpreta Cate Blanchett no excelente The Golden Age? A Rainha!

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cateblanchet.jpg Estranha esta tendência que tenho percebido em Cate Blanchett. Sim ela é ótima atriz e sim, é uma aparição exalando centenas de milhares de segundas intenções em cada “TH” aspirado em Elizabeth – The Golden Age (Shekhar Kapur – 2007).

Mas não parece a vocês que ela sempre está trabalhando uma inversão perigosa onde seus próprios papéis a estariam interpretando em seus filmes?

Acho que isso deve ser o maior perigo para qualquer artista que aspira a alguma posteridade. Imagina: vi seu último filme e estava a sua cara. Aliás, todos os seus filmes são a sua cara. Uma espécie de Tarcísio Meira do cinema. Pois acho que Cate Blanchett[bb] está começando a ir por este caminho.

O que não quer dizer que não seja um excelente filme

Em Elizabeth Cate[bb] mais uma vez resvala neste vício e, em meio a trama palaciana que retrata a crise entre Inglaterra e Espanha em temos imediatamente anteriores à expansão marítima desta e a retomada do posto de maior nação do globo daquela; a relação dúbia e platônica entre ela e Sir Walter Reilgh e as tentativas de retomada do trono de Mary Stuart. Ganhou seu Oscar em Figurino não foi a toa, com a recriação dos palácios e de uma vida comandada por etiquetas (pessoais e governamentais) que impedem a figura histórica de dar lugar aos desejos mundanos e simples como, conhecer lugares novos.

Cate acerta em transformar a soberana numa prisioneira de sua própria nação.

Mas voltando ao tema do post: a coisa piora na cena do discurso para as tropas, quando nela encarna a Rainha Elfa do Senhor dos Anéis[bb], mas aí já é covardia, porque o filme que deu certo do Peter Jackson[bb] está há eras de ser batido enquanto narrativa histórico-aventuresca, certo?

Convido aos leitores a assistirem o excelente Elizabeth – The Golden Age e depois passarem por aqui com seus comentários.

Ah, e se você nunca tinha ouvido falar do filme, segue aí o trailer:



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Música

Alison Krauss. Discografia, estilo e Grammy em 2009 para bluegrass

Alison Krauss. Discografia, estilo e Grammy em 2009 para bluegrass

Outro dia zapeando esbarrei num canal obscuro com um show de Alison Krauss and Union Station. Gostei antes de saber que se chamava assim, pelo simples fato de ser fã de bluegrass. E, ao avaliar a discografia e virtuosismo da banda, novas surpresas aconteceram.
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Cinema

Grey Gardens: 40 anos de decadência na espera por outra chance

Grey Gardens: 40 anos de decadência na espera por outra chance

Reflexões sobre Grey Gardens (HBO Films, 2009), filme que reconta a vida nada convencional das Edith Beale (mãe e filha homônimas), ex-socialites fracassadas americanas, durante um quase infinito período de decadência de 40 anos, entre 1936 e 1975.
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Livros

A Cabeça de Steve Jobs e a habilidade de tomar chopp sem espuma.

A Cabeça de Steve Jobs e a habilidade de tomar chopp sem espuma.

O livro de Leander Kahney, editor da Wired.com, que há anos acompanha Jobs e suas façanhas pelo mundo da inovação tecnológica e cultural, é por vezes um relato quase fan-boy – daí a espuma – e em outras uma análise mais pop e distanciada dos fatos, lendas e projetos que levaram a “empresa da maçã” a se reiventar duas vezes.
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Inspiração

FalaFreela#30 traz idéias para andar na linha sem usar programas piratas

FalaFreela#30 traz idéias para andar na linha sem usar programas piratas

Em um bate-papo sem a intenção de julgar ninguém e muito menos c#$%agar regra nenhuma, Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru buscaram apresentar respostas básicas para três questões fundamentais: O que é um programa pirata? Porque pirateamos? Como trabalhar com o máximo de programas gratuitos legais?
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