Sou a Camila, professora universitária das áreas de Design Gráfico e Industrial e este é o texto que abre uma série de posts sobre ergonomia direcionada principalmente ao ambiente de trabalho. O intuito é melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas que, talvez como você, passa 8 horas sentado na frente do computador. Postura, dimensionamento e ajuste no mobiliário assim como no próprio computador e a questão ambiental do local de trabalho serão abordados nessa seção. Bem-vindo!

Uma breve definição

A ergonomia é uma ciência que vem se desenvolvendo como ciência desde a Revolução Industrial (séc. XVIII) mas que foi “oficialmente” inaugurada no pós segunda Guerra Mundial.

Segundo Iida (1990), ela estuda a adaptação do trabalho ao homem, isto é, a relação entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente. Trata-se de ciência multidisciplinar que aplica conhecimentos da área de anatomia, fisiologia e psicologia.

O assento parte 1 – O encosto

Histórico do “sentar”: Originalmente o homem não senta em móveis do modo como conhecemos hoje. Ele se acocorava, ajoelhava ou agachava. Até hoje alguns povos sentam assim. O assento foi criado inicialmente como um símbolo de status ou poder: somente o chefe poderia estar acima dos demais quando sentados.

Até hoje é assim, de certa forma. Observe um escritório: a faixa salarial está diretamente proporcional à altura do encosto e demais acessórios e acabamentos das cadeiras.

Foi somente no começo do século XX que adotou-se de forma massiva o assento para os postos de trabalho: constatou-se que de pé a pessoa está em permanente consumo de trabalho muscular estático nas articulações dos pés, joelhos e quadris. De fato, no sentar, não existe esforços nestas articulações. Mas existem em outras!

Vantagens e desvantagens

Comparado com a postura de pé, quem trabalha sentado alivia as pernas; gasta menos energia de forma geral e alivia a circulação sanguínea. Porém, a postura sentada também tem suas desvantagens, e o principal afetado é a coluna.

Segundo estudos médicos (Nachemson e Anderson apud Grandjean, 1998) “quando sentados, a pressão nos discos invertebrados é maior que quando em pé”, e essa pressão aumenta quando a posição é inadequada, naturalmente!

O assento é motivo de inúmeros estudos na área médica, design e ergonomia. Não é à toa que Itiro Iida, o maior estudioso na área de ergonomia no Brasil dedica um capítulo a esse assunto intitulado: “O PROBLEMA DO ASSENTO”

O que é melhor, a postura ereta ou descontraída?

Do ponto de vista dos discos invertebrados, a postura ereta é melhor, pois é quando é menos pressionada. Já do ponto de vista muscular, é favorável a postura mais descontraída, levemente inclinada para frente, pois assim é exigido menos da musculatura das costas.

Sim, existe uma contradição. Esse fato é o motivo pelo qual a postura do sentar é um problema para a coluna vertebral e para a musculatura.

Uma possível solução para as costas

Uma saída para esse conflito seria aumentar o ângulo do encosto, que segundo Grandjean (1998) diminui a pressão dos discos invertebrados e o trabalho estático da musculatura das costas. Não precisamos imaginar uma poltrona de dentista, bem que seria bom.

Um encosto com ângulo entre 110 e 120 graus (o convencional são 100 graus) já seriam o suficiente. O ideal é que a inclinação seja graduável, para que cada trabalhador escolha aquela mais adequada ao seu biotipo.

Esta recomendação somada a uma cadeira ou poltrona com encosto alto para acomodar toda a coluna e com área que comporte a região lombar (Iida, 1990 sugere um vão de 15 e 20cm entre assento e encosto) representaria um belo avanço na sua postura de trabalho, maior qualidade de vida e produtividade.


Ilustração: Carolina Vigna-Marú

No próximo post abordarei os outros aspectos do assento como: alturas, profundidade, largura, apoio para os braço e por aí vamos!

Fontes:
GRANDJEAN, Etienne. MANUAL DE ERGONOMIA. Ed. Bookman, Porto Alegre, 1998;
IIDA, Itiro. ERGONOMI – PROJETO E PRODUÇÃO. Ed. Edgard Blucher Ltda, São Paulo, 1990.