Resposta rápida: em geral, não. Mandar o registro junto passa a mensagem de desconfiança, e o texto costuma mudar muito até a publicação, o que complica registrar a versão final. O direito autoral existe desde a criação da obra; se o registro traz segurança, faça-o e guarde, informando só depois do aceite.

Revisado em setembro de 2026: esta resposta rápida, perguntas frequentes e notas sobre o que mudou desde a publicação.

Creative Commons License photo credit: Derek Purdy

Pedro Cruz trouxe a dúvida, eu comentei lá no post, mas como aquilo que serve a um, muito mais intensamente serve a muitos, transformei o comentário em post.

Ele nos pergunta se, ao enviar nossos originais para análise é aconselhável enviar o registro autoral da obra em questão.

Olha, regra geral, fazer isso é bobagem e dá um recado ao editor que você não confia nele, além de parecer um início ruim de relacionamento. Para ajudar a clarear a idéia dos demais leitores aqui do Carreirasolo.org separei alguma dicas bem iniciais que, espero, sejam complementadas por vocês, leitores.

Publicidade

Segurança, confiança e envelopes para todos

  • Para editoras grandes e conhecidas, como Cia das Letras, Rocco, etc, eu nem me daria ao trabalho de registrar a obra antes, a editora mesmo faz isso.
  • É muito comum que a versão a ser impressa fique muito diferente do que o autor considerou na hora de registrar a obra. E aí isso pode ser uma dificuldade para você e para a editora, na hora de registrar a obra como foi publicada (mesmo nome/autor com a mesma sinopse, a BN não vai aceitar).
  • O mais importante é que você se sinta seguro e confiante na hora de enviar o seu original e se registrar antes é importante, registre. Mas guarde com você o registro até o “ok” do editor, aí você apenas o informa. Eu não aconselho a fazer nem isso, entretanto. Existem outras soluções possíveis. Por este motivo, o das inúmeras revisões, edições, copy-desk, etc, normalmente a gente deixa para registrar o livro pouco antes de ir pra gráfica.
  • As editoras não tem nenhum interesse em roubar o seu original e muito menos estão dispostas a jogar a sua imagem no lixo por causa de um livro, mas eu entendo a insegurança de enviar o seu “filho” sem conhecer quem vai recebê-lo.
  • Então, para que você se sinta seguro em enviar o seu original para análise e, ao mesmo tempo, não caia nesse problema das revisões, te aconselho a fazer o que o Sid Field contou que faz em uma entrevista: envie para você mesmo, em um envelope lacrado, em carta registrada, o seu original. Não abra quando receber. Guarde este envelope. Se precisar, só o abra em frente a um juiz. A data dos Correios vale como prova jurídica. Desta forma, você se protege e ao mesmo tempo não entra em conflito com a editora e/ou com a Biblioteca Nacional.

Nota da redação (2026): o “envelope para si mesmo” é uma prova frágil. Se quiser uma prova de data mais segura, use o registro de obra na Biblioteca Nacional ou o registro em cartório de títulos e documentos. De qualquer forma, o direito autoral nasce com a obra, sem depender de registro.

Resumo da Ópera

Você é um autor seguro, sabe o valor de sua obra e, em uma editora decente, não será roubado. Mas como o seguro morreu de velho, e com alguma poupança na Suíça, custa nada se auto presentear com uma carta semi-anônima, certo?

Perguntas frequentes

Preciso registrar meu livro antes de enviar para a editora?

Não é obrigatório. O direito autoral existe desde a criação. O registro serve como prova de autoria e data, e muitas editoras cuidam dele na hora de publicar.

Onde registro um livro no Brasil?

No Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional. Outra opção de prova de data é o registro em cartório de títulos e documentos.

Editoras roubam originais?

Editoras sérias não têm interesse nisso. Pesquise a editora antes de enviar e guarde as versões do seu texto com datas. Mais sobre o tema no guia Escrever e publicar seu livro.

Publicidade