Sumário:
Depois de bolhas, tsunamis, katrinas, terremotos e demais catástrofes não anunciadas, parece que podemos divisar uma bonança no cenário internético: a Web 2.0. Se você acha que já ouviu falar é porque ainda não percebeu que já faz parte dela. Se está estudando sobre o assunto, como a equipe que produziu este post, já entendeu o mar de oportunidades que a tagsonomia, o conteúdo em XML, linguagens de programação como o AJAX, a supremacia do Google como lançador de memes virtuais e tantos outros assuntos representam.

E se você ficou perdido com esta rajada inicial de petardos, fique tranqüilo. Vamos explicar, mas não tão devagar, porque tem muito trabalho esperando por aqueles que abrirem os olhos agora.

banner_web20.jpg

Web 2.0? O que é isso?

A Web 2.0 se baseia em conceitos simples. Aliás, a simplicidade é um deles.

Simplicidade
Tudo deve ser intuitivo e evidente. Acessar, cadastrar e utilizar deve ser um prazer e não uma tortura de cliques infinitos que agradam somente às tendinites mais resistentes. É um mundo sem tabelas desnecessárias ou gráficos pesados. Nele, os ambientes se adaptam ao local onde são lidos/consumidos; na verdade, nos parece que o destino é a independência deste suporte. O mundo da web 2.0 parece, às vezes, prescindir de URL´s. Seu endereço é seu Feed. A nova web se alimenta. De conteúdo.

O conteúdo
Keith Robinson, do excelente Asterisk, nos conta a cada post que Content is King. Se o conteúdo é rei, não nos custa lembrar que sua árvore genealógica está ali, páreo a páreo com a dos Reis Merovingios, estendendo-se quase ao infinito. Ou seja, tente entender conteúdo sob bases mais largas a partir de agora. Conteúdo é texto, áudio, vídeo…é tudo isso. Mas não só isso.

O conteúdo da Web 2.0 é a possibilidade democrática e sem barreiras de exercer sua possibilidade de opinar. A esta habilidade de opinar diretamente sobre o conteúdo, damos o nome de Tagsonomia, ou seja, associar àquele trecho de qualquer coisa, uma marca indelével, classificatória e…pessoal. Cada conteúdo pode ter infinitas Tags e ser consumido a partir delas.

Daí a enxurrada de Comunidades Digitais e Aplicações que nos fazem mais falantes, que mostram ao mundo nossa(s) personas digitais . E isso não quer dizer que este mundo novo acontecerá apenas no computador pessoal, como conhecemos hoje. A Web 2.0 nasce sob a égide da pervasividade. Ou seja, as aplicações que chegam ao “mercado” virão prontas para rodar nos players de mp3, nos celulares, nos videogames, na TV Interativa.

E mais: no mundo da Web 2.0 você recebe, transforma, publica. Um ciclo infinito de geração de informação. Que lugar melhor para isso acontecer do que na web? Amigos tecnológicos de plantão: a única plataforma viável é a web.

A plataforma
Mutante, a web é uma plataforma em constante evolução, desde os sites da década de 1980, acessados apenas por governos, praticamente em modo ‘texto puro’, passando pelos excessos dos idos de 1996, ao ambiente clean da era google, a web vem evoluindo a cada novidade.

O HTML, que foi criado para exibir documentos e não aplicações, forçou aos desenvolvedores um formato mais “básico” e diferente das aplicações até então desenvolvidas para sistemas informatizados. O impacto da web na vida das pessoas foi tão grande que de repente fazer aplicações do jeito web passou a ser a maneira “certa”, porém ainda limitada. Juntando-se a este cenário a falta de padrão dos navegadores e as conexões ainda lentas a web continuou a ser uma plataforma tecnológica limitada. No melhor estilo it’s not a bug, it’s a feature! os desenvolvedores se justificavam dizendo que todas aquelas interfaces leves e sem muitos recursos para o usuário final eram uma coisa boa o que, como tudo na vida, nem sempre é verdade.

Até que um dia uma aplicação chamada GMail veio não só mostrar que era possível fazer seu navegador se comportar como uma coisa mais parecida com uma aplicação “de verdade” como também veio mostrar o que era a Web 2.0: a velha web de sempre, só que melhor, mais nova, versão 2.0. Evolucionária e não necessariamente revolucionária. Mas para frente é que se anda, 2.0 lá vamos nós. O GMail entrou e venceu em um mercado mais do que saturado, o de email via web. Mas ao reinventar o conceito de email (e dar 1gb de espaço) conquistou os corações dos usuários.

Enquanto isso, os desenvolvedores correram para destrinchar o código do GMail para descobrir como aquilo era possível. Era Web 2.0 começando como a Web 0.1, com o bom e velho “exibir código fonte”. A resposta estava no até então pouco utilizado comando Javascript xmlHttpRequest.

Hoje, as aplicações web se aproximam bastante do que temos instalado em nossos PCs. Ajax, a re-invenção do Javascript associado ao XML, Ruby on Rails, xmlHttpRequest, entre outras dezenas de novidades, fazem ser cada dia mais difícil diferenciar o que é web do que não é. Apenas como exemplo, o novo Office, da Microsoft, virá bem parecido com uma interface web, confiram no link.

A empresa Web 2.0 por excelência é o Google. Mas essa é só a boa notícia.

Com o GMail os maiores pesadelos das empresas de software tradicionais, especialmente a Microsoft, começaram a se realizar. Estava provado ali que agora era possível rodar qualquer tipo de aplicação no seu navegador. O usuário começou a se ver livre não só do sistema operacional como até mesmo do conceito de “seu computador”. Os boatos começaram a voar: o Google vai lançar um pacote de programas web para concorrer com o MS Office.

O Google é a empresa Web 2.0 por excelência por seguir o lema de “lance logo, lance sempre, todo dia”. A web (desde sempre) acabou com a necessidade de grandes versões de software sendo lançadas a cada ano ou mais. Você pode lançar uma versão hoje e outra amanhã, sempre a partir do feedback conseguido com cada incremento. Os programas rodam em todos os lugares mas só existem em um lugar: o servidor. Por isso você pode lançar seu produto hoje e não mês que vem. (Daí vem, provavelmente, o fato de praticamente todo serviço do Google trazer a palavra beta ao lado do nome) Lance o produto com o mínimo de funcionalidades para atingir seu objetivo e cresca com ele.

A Web 2.0 permite ao Google, inclusive, reconhecer seus próprios erros e tirar do ar iniciativas fracassadas como o Google Web Accelerator, cheio de erros e falhas de segurança. Como não existem caixas de Google Web Accelerator nas prateleiras das lojas, como não existem campanhas de marketing e sistemas de logística de distribuição do produto pelo mundo o Google pode simplesmente dizer “ops, erramos” e tirar o produto de campo.

Por que a atitude empreendedora na Web 2.0 gera mais chance de dar certo?

Web 2.0 é muito mais que somente tecnologia. É também uma questão de atitude. E os exemplos têm mostrado que empresas com atitude Web 2.0 tem muito mais chances de dar certo. Por quê?

Porque essas empresas procuram fazer diferente algo que já é tido como imutável, vide o Gmail. Que empresa seria louca o suficiente para propor “um novo email”? O Google, uma empresa que tem atitude. Coloque seus miolos para funcionar e faça tudo diferente, melhor. A partir daí você deixa de ser somente mais um no mercado e passa a ter muito mais chances de dar certo. É o tal do First Mover Advantage.

Atitude Web 2.0 é não deixar para amanhã o que pode fazer hoje. A atitude Web 2.0 não tenta fazer como sempre foi feito, mas aproveita as possibilidades da plataforma web (que começam a deixar de ser limitações) para facilitar a vida do usuário. Essa atitude gera mais chances de sucesso porque volta ao modelo de pequenas e eficientes equipes de criação e desenvolvimento, acabando com os projetos que duram anos e consomem milhões.

Fundamentalmente, a atitude empreendedora da Web 2.0 tem mais chance de dar certo porque nasceu sob a estrela da colaboração e do contéudo multiplataformas. Todos lêem mais, todos criam mais, todos colaboram mais. Podemos até estar exagerando: mas é como se os aventureiros da bolha tivessem voltado para sua tocas e reavaliado tudo que foi feito de errado. Olharam para trás e decidiram fazer tudo diferente.

A Web 2.0 é como uma mão na roda para os freelancers.

O que mais um freelancer precisa do que ambientes colaborativos, rapidez no ciclo briefing-lançamento, ênfase no trabalho remoto? Na verdade talvez precise, a partir de agora, prestar em tudo o que se fala sobre esta nova tendência.

Colaboração
A cada dia surgem novas ferramentas de colaboração baseadas no trinômio simples-rápido-web cobrindo um espectro que vai da criação de conteúdo (Writeboard) ao gerenciamento completo de projetos (Basecamp). São ferramentas que apresentam módulos gratuitos e outros pagos, com mais funcionalidades. Isso sem falar nas comunidades, nas quais o Brasil invariavelmente encabeça a lista de países com maior número de usuários. Nelas, através da criação de perfis individuais, você tem a disposição várias plataformas de troca de informações. A lista já é bem conhecida: Syxt, LinkedIn, Gazaag, Multiply, Orkut. Sem dúvida: além de aproximar profissionais, facilitam o…

…Trabalho remoto
Com a facilidade de se trabalhar à distância, nós, os freelas, podemos alcançar clientes mais distantes, e até no exterior, o que antes era algo muito complicado, senão impossível. As comunidades aproximam profissionais com um mesmo objetivo, e na base das indicações, muitos de nós já faturam com esse sistema.

Mas tem mais: como as aplicações são desenvolvidas com a “cabeça” web, são cada vez mais confiáveis, estáveis e multiplataforma. Fronteiras, só a da percepção, amiguinhos. Tudo agora é logo ali, bem rápido e, claro bem feito. Será cada vez mais raro enfrentar reuniões intermináveis para decidir sobre…

…o pequeno espaço entre o briefing e o lançamento
Como foi dito anteriormente, a simplicidade é a espinha dorsal da Web 2.0 e esse conceito não se aplica somente a criação de interfaces intuitivas que facilitem a vida dos usuários, mas também no uso de ferramentas e metodologias que agilizem o desenvolvimento.

Aquele freelancer cuja atividade principal envolve a programação de aplicativos certamente já passou pela experiência de ter o escopo de um sistema alterado na última hora. É justamente em momentos como esse que os conceitos da Web 2.0 facilitam a vida do desenvolvedor. Com as suas metodologias nós podemos alterar facilmente alguns módulos do sistema sem impactar o projeto como um todo.

Muita coisa ainda está para acontecer na web 2.0, vale a pena ficar de olhos abertos e agregador de feeds/del.icio.us, idem, do contrário, quando você descobrir a novidade, ela já virou velharia.

Trabalhar com a Web 2.0 é, assim, tudo o que o freelancer precisa: plataformas virtuais, forte apelo colaborativo, profissionalização constante.

Conclusão? Que nada, estamos apenas começando.

Qualquer conclusão seria precipitada tratando-se de tanta novidade que ainda estamos por viver. As aplicações, modelos de negócio, vencedores, erros e acertos serão diários. Seguindo a escalada do Google, poderemos testemunhar revoluções semanais que, exponencialmente e seqüencialmente nos levarão a novas revoluções que alimentarão novas idéias que nos levarão a novas revoluções.

Contudo, numa de não frustrar os leitores mais ávidos, vamos enumerar algumas percepções, fruto de um rápido bate-bola entre os colaboradores deste artigo. Não são leis, nem sequer um manifesto. Apenas uma troca de idéias registrada aqui na forma de uma lista.

  • O que vale é o conteúdo
  • O conteúdo é texto, vídeo, áudio, perfis…é o direito de opinar
  • A web é a plataforma
  • A comunidade produz junta
  • A experiência do usuário é o que importa
  • O usuário tem o poder. Poder dissipado entre muitos usuários
  • O Brasil é o país das comunidades virtuais que ainda não se descobriram profissionais, infelizmente.
  • Boba será a empresa que não abrir os olhos para este potencial
  • Boba será a empresa que acreditar apenas em vender PC´s, ou Softwares de prateleira.
  • Não deixe para amanhã o que você pode colocar no ar hoje.
  • Steve Jobs não é bobo.
  • Bill Gates também não, só tem mais dinheiro em caixa e está deixando o barco passar.

Concordem, discordem, colaborem, abram fóruns pela web afora. Só não vale é continuar 1.0.

Linkania

Como falamos acima, o importante é ficar antento ao muito que se fala, todo santo dia, sobre o tema na Web. Para facilitar sua vida separamos aqui alguns links fundamentais para quem quer começar a entender o que vem por aí.

1. Read/Write Web – O Blog do Macmanus que tem uma seção só sobre Web 2.0
2. Kottke.org – Jason Kottke manda muito bem em seus comentários sobre Cybercultura.
3. Asterisk – Keith Robinson, além de Web 2.0, fala sobre design e usabilidade
4. 37signals manifesto – não é onde tudo começou, mas é perto:
5. A List Apart – For people who make websites.
6. Less is More – Audio de uma palestra do Jason Fried [37Signals founder], na O’Reilly Emerging Technology Conference entre 14 e 17 de março de 2005. Tem muita coisa ai que funciona como conceito do que seria a web2.0, em inglês, mas vale a pena escutar.
7. Webstandards.org – Padrões w3c para a web2.0 que você vai ajudar a criar.

Bônus Tracks – Posting Off

eu_real_50k.jpgNo primeiro post coletivo do carreirasolo reuni uma galera que acompanho à distância, seja pelos trabalhos que colocam no ar ou, até mesmo, pelas personalidades em si. Os perfis, logo abaixo, nos contam coisas interessantes. Por exemplo, o pessoal de tecnologia está cada vez mais distante do protótipo nerd dos anos 70/80/90. Hoje, eles estão escrevendo e bem; alguns enveredaram com crescente sucesso pelo design (Humberto Oliveira), pelo gerenciamento de projetos (CrisDias), pelo empreendedorismo “de resultados”(novamente CrisDias e Fabio Seixas).

Outro ponto de relevância foi a acolhida que a idéia teve entre eles. Tirando o Humberto, com o qual já frilei num projeto recente, não conhecia nenhum dos outros tendo no máximo, trocado alguns e-mails esporádicos. No entanto, bastou eu encaminhar algumas mensagens e estávamos trabalhando a todo vapor, trocando idéias e curtindo o ambiente colaborativo que utilizamos, o WriteBoard, para colocar o post no ar.

Aliás, sobre o WriteBoard
É genial, limpo, agradável e extremamento oportuno: que lugar melhor para discutir sobre Web 2.0 do que um de seus mais recentes inventos? Senti falta, logicamente, de uma lista de participantes. Toda hora que atualizava tinha que mandar uns emails para a galera, catando seus contatos no Gmail. Alías, o Gmail reconheceu a formatação de texto do WriteBoard, mostrando-se totalmente integrado…a tudo o que inventarem depois dele.

O Writeboard é indicado três vezes ao dia, sem moderação, para todos aqueles que acreditam que criar é mais do que um exercício solitário.

Este post é gentilmente oferecido a todos os leitores do carreirasolo por:

crisdias_web20.jpgCrisDias
Analista de sistemas, desenvolvedor web, micro-empresário e entusiasta de Ajax e Ruby on Rails. O modelo-e-ator é outro Cristiano Dias. Achou que escrever um post coletivo é pouco e quer escrever um livro com todo esse pessoal aqui.

fabioseixas.jpgFabio Seixas
Empresário, analista de sistemas, sócio do Camiseteria.com e ativista da Web 2.0. Estrear no Carreira Solo participando do seu primeiro post colaborativo foi uma oportunidade de de ouro de mostrar como podemos tirar proveito da Web 2.0 aqui no Brasil.

humberto_wb20.jpgHumberto Oliveira
Desenvolvedor de sistemas, web designer e fanático por internet. Criar um post coletivo foi uma experiência muito bacana que espero repetir em breve. Não deixem de visitar o meu blog onde, além de conferir o meu portfolio, você pode ler sobre assuntos relacionados ao desenvolvimento web e webdesign.

apocalypse.jpgRafael Apocalypse
Designer Gráfico, diretor de arte, e freela assinando ideiadigital, de vez em quando programando um pouquinho em php. Escrever para o CarreiraSolo é uma honra, maior ainda quando escrevemos com nomes como Mauro Amaral, Cris Dias, Fabio Seixas e Humberto Oliveira. Foi uma excelente experiência que, como o Humberto disse, espero repetir em breve. Estou no meu studio. Vejo vocês na web2.0!!