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Como advogado júnior, posso cobrar pelo estudo do caso?

Henrique Arake

Advogado

coruja
Como sei que alguns jovens incautos, lançados à sorte nesta selva do trabalho autônomo, também lêem o Direito & Mercado (e portanto estão antenados com o que há de melhor na blogosfera brasileira -cof cof), darei uma dica que só um advogado de confiança te daria, combinados?

COBRE PELO ESTUDO DO CASO!

Você não sabe o que virá dali!

- Espera aí, Henrique… deixa eu ver se entendi: o cliente chegou à sua porta com um problema, certo?

Certo.

- E ele ainda não sabe se vai te contratar, certo?

Certo.

- E você está me dizendo para cobrar ANTES de “olhar o que tem dentro da caixa”?

Grande, garoto!

- Mas, mas… #mimimi

Calma, pra tudo dá-se um jeito.

Lembram-se quando os ensinei a lidar com clientes malandros? Vamos agora aprender como não perder tempo com os mesmos clientes malandros! :D

Se você é advogado, ótimo, se não, adapte a historinha para o seu caso, tudo bem?

Vamos lá… você é advogado e foi procurado por um cliente que está com um problema.

Primeira cena

O jovem advogado, comovido pela história do cliente, estuda o caso por alto, para ter uma idéia, afinal, ninguém assinou contrato ainda, certo?… e chega à conclusão de que o caso é viável, mas sem muita certeza.

- Então, Sr. Fulano… o seu caso parece ser complicado, mas acho que há boas chances.

- Sim, mas quais chances, o que te leva a pensar isso?

- Ah, bem… eu fiz uns estudos e vi que há casos favoráveis na jurisprudência ao seu favor, mas precisaria de uma pesquisa mais elaborada para chegar a uma conclusão definitiva…

- Ah, então o que você quer dizer é que você não sabe, certo? Tudo bem, não tem problema… olha… eu te ligo amanhã, tá?

Segunda cena

O jovem advogado, comovido pela história do cliente e sabendo que só um estudo superficial não convenceu o cliente, estuda o caso a fundo, conversa com colegas, liga pra ex-professores, fala com a mãe, conta pro pai, confessa ao padre e… BLAM acha a solução! :D

Monta um projeto super bacana, cronograma de ação, perspectivas, orçamentos mil e apresenta pro cliente com um sorriso no rosto! “Certeza que ele vai gostar da minha proatividade e do meu interesse pelo caso dele”!

- E então, o que achou?

- Ok, entendi o que você quer fazer, mas eu ainda nem tenho certeza se vou ajuizar a ação… de qualquer forma, muito obrigado viu! Você é um rapaz de ouro, ficou muito bom o seu trabalho!

Terceira cena

O jovem advogado, comovido pela história do cliente, sabendo que só um estudo superficial não convenceu o cliente e percebendo que se entregar o peixe, ninguém contrata a vara,  estuda o caso a fundo, acha a solução, mas… fica esperto na jogada…

- Olá, tudo bem?

- Grande Dr.! E aí, estudou o meu caso?

- Sim, claro! (Sorriso de triunfo)

- Sim? Que ótimo! Chegou a alguma conclusão?

- Mas é claro! (sorriso de muito triunfo combinado com olhar Maverick de quem sabe o que está falando) Tenho uma excelente tese para defendermos!

- Que ótimo!

- Não é?

- É!

- Pois é!

- E então?

- Sim?

- Qual é a tese?

- Ah, sim… mas então, vamos negociar o nosso contrato?

- Como assim? Ainda nem sei qual é a tese!

- Sim, claro… pode confiar em mim, vamos primeiro assinar esse contrato que eu te conto a tese! (Sorriso não tão triunfal assim…)

- Deixa eu entender… você quer que eu assine um contrato SÓ PRA VOCÊ ME DIZER A TESE? E se eu não concordar?

- Ah… bem… mas o senhor tem que entender que eu não trabalho de graça! O Henrique me ensinou…

- Nananana… vamos fazer o seguinte? Cê pega a tese e o Henrique e (cobraslagartoscaveirinhascomcarademau)

- “TAKÊO” HenriquÊ… e agora o “guê gui” eu faço, mêo? Esses filhodabuta vão me enganar sempre?

Qual é o erro, pequeno gafanhoto… o que você está fazendo de errado? Minha vez de perguntar, ok?

Você sabe qual é o problema do cliente?

- Não.

Sabe se ele vai te contratar?

- Não.

Sabe se ele está só te testando?

- Não.

Em caminho de paca, corre tatu?

- Hein?

Esquece… Meu amigo… companheiro de guerra… você é o cara! Lembre-se… você passou sei lá quantos anos estudando aquele bando de lei justamente porque a maioria sã da população NÃO QUER TER ESSE TRABALHO! Ou seja, você tem o conhecimento que eles optaram por não ter.

E esse conhecimento te fará ter uma visão diferente da usual sobre um problema! E essa visão diferente possui valor! É resultado do sem-número de horas que você passou estudando!

Além disso, você vai perder um bom tempo estudando o caso do cliente, não vai? Claro, você é competente! E a sua opinião, pro bem ou pro mal, será útil para ele. Quer ele vá ajuizar a ação, quer não.

O seu estudo preliminar tem MUITO VALOR!

Cobre por ele.


Publicado em 09/10/2009 às 10:16 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Seu cliente te deu um bolo? E agora?

Henrique Arake

Advogado



Manhã de uma terça-feira de trabalho! Você está feliz! Por que não estaria? A vida de um Profissional Freelancer bem sucedido é feita de breves e raros encontros lucrativos. Lucrativos o suficiente para compensar todo aquele tempo de ócio criativo, mas não-remunerado. É hoje, você tem uma reunião com um cliente! Portfólio? check! Powerpoint?Check! AQUELE sorriso vencedor? Oh, yeah baby!. E você está lá, pacientemente sentado, no local da reunião.

08:25: “Opa, cheguei com folga! Faltam cinco minutos!”
08:30: “Ele deve estar chegando”
08:35:any moment now
08:40: “putz, que sapato apertado que escolhi… será que aconteceu alguma coisa?”
08:50: “ligo? Não ligo? Não quero parecer ansioso…”
09:00, 09:10, 09:30, 10:00…nada…

waiting for my ride in this lonely place
Creative Commons License photo credit: craigCloutier

Pois é, campeão… às vezes a vida tem dessas coisas… claro que deve haver um sem-número de razões para ele não ter vindo! E a verdade é que nenhuma delas importa. Sabe por quê? Nem sempre o cliente tem razão. O fato de ele ser o cliente, ser o dono da carteira, quem vai pagar o leite das suas crianças, não lhe dá o direito de ser desrespeitoso contigo. Afinal, você TAMBÉM é profissional. É ele quem precisa de sua ajuda, de seu expertise, ora essa!

Pensando das razões

Passou pela sua cabeça que ele pode, simplesmente, ter agendado uma reunião à qual ele nunca pretendeu comparecer? Ou que te deixar no contra-pé, ansioso por que ele te ligue, é uma tática para medir o quão desesperado pelo dinheiro dele vocês está?

É esse o tipo de cliente que você quer? É esse o tipo de cliente que você precisa?

Na minha área de atuação, na advocacia preventiva, me garanto como um dos melhores. Mas é possível que meus potenciais clientes atuem à revelia de meus conselhos sem nunca enfrentarem problemas, ora essa.

Quantas e quantas sociedades empresárias pululam por aí, celebrando modelões de contrato, sem a menor consciência dos riscos que estão sujeitos? Nós somos ensinados, desde crianças, a viver em um mundo platônico, idealizado, em que os problemas só acontecem com os outros. Quando o problema surgir, entretanto…

Em suma: não fique chateado, considere que o tempo que você perdeu esperando esse cliente, que não veio, com o tempo que perderia prestando uma consultoria que, depois, seria considerada “cara” e contente-se com o conhecimento de causa de que, se e quando der problema, você poderá cobrar mais caro! ;)


Publicado em 14/09/2009 às 7:30 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Como explicar que não existe almoço grátis?

Henrique Arake

Advogado

Recentemente, um colega de um colega me pediu uma “ajuda” com um assunto. Um assunto simples, trivial, que CERTAMENTE eu saberia responder de pronto. E, surpresa das surpresas, não era tão simples assim. Demandaria, pelo menos… PELO MENOS a leitura de alguns documentos e um pouquinho mais de investigação, mas que se ele pudesse marcar uma reunião mais tarde…

“Oh! É mesmo? Ah, então deixa né? Outra hora, então!” E eu quase que podia ouvir: “peço uma ajuda simples e esse ganancioso sem-vergonha já quer lucrar às minhas custas”

Sounds familiar?

Deixa eu contar uma novidade para vocês (particularmente aos advogados, médicos, arquitetos, publicitários, designers, dentistas, veterinários, etc.)… vocês estudaram pra C@#$%#@ pra se formar, adquirir conhecimento e expertise e, se são profissionais liberais, VIVEM disso!

Piggy savings bank
Creative Commons License photo credit: alancleaver_2000

Outra coisa, se a pergunta foi feita para você, é porque a resposta não é óbvia! Significa que o Google e a Wikipedia não foram suficientes! E se ela não é óbvia, significa que VOCÊ também não achará a resposta no Google e na Wikipedia (eu sei que vocês também fazem isso ;) )! Então, camarada, você tem duas opções:

1 – Responder com a primeira coisa que te vier à cabeça! Afinal, você é um profissional, conhece do assunto e, mesmo que não tenha TANTA certeza sobre o conselho que está dando, ora essa, ele jamais saberá, certo?

ERRADO! O que acontecerá é que ele tentará implementar sua solução, provavelmente dará errado, e seu filme estará queimado para sempre!

2 – Explicar que a solução não é tão simples quanto parece e marcar uma reunião PROFISSIONAL para resolver o assunto.

Assim você terá tempo para investigar o assunto com profundidade, descobrirá que ele NÃO TE CONTOU TODOS OS DADOS NECESSÁRIOS ali na mesa do boteco. “O que? O cliente esconde informações que ELE julga não serem importantes?”

É, isso acontece.

Essa atitude, não só é mais profissional, como é mais segura para você. Dessa maneira, se o colega do colega for tão… digamos… financeiramente cauteloso e não quiser gastar $$$ para resolver o seu próprio problema: a) não é tão importante assim; e b) você não perderá seu tempo.

Ah, sim… e, por favor, faça um favor a todos nós, COBRE POR SEUS SERVIÇOS!

Direito & Mercado – Quem disse que o Direito não pode ser legal?


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Publicado em 31/08/2009 às 10:33 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Como um freela pode extrair o máximo de seu advogado?

Henrique Arake

Advogado

Shaking Hands
Creative Commons License photo credit: Aidan Jones

Então você resolveu seguir o conselho do post anterior e contratar um advogado??? Ótimo!

Qualquer dia desses escrevo um post só sobre como ESCOLHER um bom advogado, logo depois que me certificar que não estarei infringindo nenhuma regra do Código de Ética da ordem)!

De todo modo, já dei algumas dicas em outro post. Corre lá e dê uma olhadinha!

De todo modo, você o escolheu! Ele é SEU! E agora? Vejamos algumas dicas para você extrair o máximo de sua relação com o seu advogado.

Por que você o contratou?

Ora, parece óbvio, não? Nem tanto. Às vezes a sua situação ou seu problema podem cegá-lo de tal forma que você não sabe nem onde fica sua nuca, quanto mais delimitar o campo de atuação de seu advogado.

Esse pode ser o primeiro passo! Agende uma reunião para contar os seus problemas, chorar, espernear… você precisa ser ouvido e todo advogado tem seu lado psicólogo.

Há advogados que cobram por isso, há quem faça de graça. Eu, particularmente, cobro, mas abato o valor acaso seja necessário serviços posteriores. :) Não perca seu tempo pensando sozinho, converse-com-seu-advogado! 

Como você quer ser cobrado?

Já sabe porque precisa de um advogado? Ótimo. Defina AGORA a forma de cobrança dos honorários! Quanto mais cedo, melhor.

Vamos supor que contratou seu advogado para viabilizar um novo projeto, ok? Nesse caso a cobrança pode ser estabelecida por hora, pelo serviço, ou pelo sucesso do projeto. 

Se o contrato for por hora:

  • Qual é unidade de tempo mínima para a fixação da base-hora?
  • Com que freqüência e em que condições poderá solicitar uma auditoria dessas horas?
  • Consultas eventuais serão cobradas a parte?
  • Haverá cobrança pelo acompanhamento diário de sua ação?

Se pelo serviço:

  • Haverá a possibilidade de reajuste?
  • Quais as condições para atendimento do cliente?
  • Quais os gastos incluídos?
  • Advogados usam seus próprios carros, carros do escritório ou táxi?

Se pelo sucesso:

  • Quais os parâmetros para se determinar o sucesso do projeto?
  • Haverá algum adiantamento?
  • Quais os gastos incluídos?

Tenha em mente que o advogado pode ajudá-lo antes, durante e após o término do projeto, elaborando o contrato, ajudando nas negociações, avaliando a outra parte, acompanhando a execução do projeto, cobrando, etc. O céu é o limite!

Não negocie honorários!

Não é ruim quando fazem isso com você? Normalmente para te forçar a abaixar o preço do seu serviço, costumam desmerecê-lo de alguma maneira, certo?

Por que com advogados isso seria diferente?

Quando for pesar os custos e benefícios, não considere apenas o lucro que espera obter com aquele serviço, mas também os riscos e prejuízos possíveis caso algo dê errado.

Inclua os custos de sua assessoria jurídica no seu preço de seu serviço. Ofereça-a como diferencial!

Em vez de negociar, peça justificativas. De repente, o custo apresentado está incluindo itens dispensáveis dado o que esse contrato vale para você.

Pese a exclusividade por determinado serviço versus a remuneração exigida. Pode ser um bom parâmetro para sua avaliação.

Inclua o advogado no processo

Já que a idéia é criar um relacionamento de longo prazo, porque não vincular seu advogado ao projeto desde o início até o final? Proponha cláusulas prevendo quanto custará ingressar na Justiça caso algo dê errado. Inclusive se algo der errado POR CAUSA de algo que o advogado deixou passar!

Ninguém é perfeito, ora essa: as pessoas erram.

Fazendo dessa forma, o advogado deixa de ser um mero prestador de serviços e passa a ser seu parceiro nessa nova empreitada.

Sério, faça isso. Advogados também não estão acostumados a se envolver com seus clientes nesse nível.

Conclusão

Então, o que você achou? Essas dicas foram úteis a você? Como você acha que pode melhorar sua relação com seu advogado? Comente logo abaixo!


Publicado em 16/06/2009 às 8:00 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Um freela precisa ter advogado?

Henrique Arake

Advogado

Signing of the Treaty of Versailles, 1919
Creative Commons License photo credit: cliff1066

Esse post é bem… digamos… suspeito, certo? O cara é advogado! É óbvio que vai querer vender o peixe pra cima de mim. Quem sou “mim”? “Mim” sou um freela roots: mato um leão por dia, enfrento clientes que não valorizam o meu trabalho, mas querem resultados, e, quando pagam, pagam chorando, achando ruim, etc… etc…

E ainda por cima vem esse… esse… ADVOGADO, criatura duas evoluções acima da sanguessuga pantaneira, acostumado a ganhar milhões (todo mundo sabe que advogado ganha bem), querer que eu o contrate? Como se eu tivesse dinheiro pra isso.

Sabem de uma coisa? Eu, Henrique Arake, advogado, concordo com tudo o que foi dito ali. :D

Como não concordar? De fato, advogados andam pra cima e pra baixo de terno. Aliás, os juristas são as únicas criaturas nesse planeta, salvo autoridades públicas, que parecem andar, dormir, comer, conversar, se divertir e, de vez em quando, trabalhar de TERNO.

A maioria absoluta das pessoas com menos de 35 anos vestiram terno nas seguintes ocasiões: formatura da oitava série (na minha época era oitava), formatura do terceiro ano, formatura da graduação, casamento e enterro.

E … são caros! R$ 600,00 é o mínimo de um terno decente + R$ 120,00 por uma boa camisa de algodão branca + R$ 105,00 numa gravata vermelho bem forte + R$ 150,00 num belo par de sapatos com solado de couro (o solado não é de madeira, é couro, beleza?) + R$ 15,00 num par de meias + R$ 50,00 num cinto preto. PÁ! Pronto pro evento!

Vamos combinar: quem consegue se vestir nesse padrão todo dia TEM que estar ganhando bem, certo?

Ademais, como já CANSEI de dizer no meu blog, não é da cultura do brasileiro ser prevenido. Ele não se consulta com um médico, ele vai para o médico para ser curado (muitas vezes depois de se automedicar)! Ele não faz a prevenção com o dentista, ele vai porque o dente já está podre, fedido e doendo insuportavelmente!

Com advogados não é diferente.

Para muitos poucos, o advogado é visto como Il Consiglieri ou mesmo como o legal advisor para quem você se volta ANTES de ingressar em um emprendimento. O advogado brasileiro é visto como um estorvo. Pior, um estorvo CARO, mas não precisa ser assim.

Diferentemente da relação com um médico ou dentista (pois você sabe o que e onde está doendo), a relação com um advogado se assemelha bastante com a de um mecânico de sua INTEIRA confiança.

Você o levará para avaliar um carro usado que quer comprar. Deixará o veículo nas mãos dele e confiará em sua avaliação. E - oh god - pagará de bom grado o preço que ele cobrar, pois 1) confia que o preço é justo e 2) confiança não tem preço. Pare agora e leia esse post.

Pense agora nos seus projetos, nos seus contratos. No valor envolvido e leia este e este post.

Agora que você já sabe o porquê e o quanto custa, leia este post para abrir um pouco mais a mão.

Para não cair na tentação de se indispor com o seu advogado, com o qual está criando uma bela e saudável relação de confiança, leia este post. Por fim, um bônus: saiba que advogados são, ao menos, dedutíveis! :D

E não perca amanhã a segunda parte: Como extrair o máximo de seu advogado – para frelas!


Publicado em 15/06/2009 às 10:30 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Eu preciso assinar NDAs em meus projetos freela?

Henrique Arake

Advogado

Speak no evil, See no evil, Hear no evil
Creative Commons License photo credit: Rose Davies

O freela, em sua generalidade, é um prestador de serviço por excelência. É redator, programador, desenhista, ilustrador, publicitário, e até mesmo advogado ;)

Em outras palavras, trabalha por meio de contratos regidos pelo Direito Civil, não o direito trabalhista, o que traz grandes conseqüências.

O dever de sigilo do freela

Importa ressaltar que esse dever tem origem no que nós, os iniciados na difícil e milenar arte do juridiquês, chamamos de cláusula geral dos contratos.

Significa dizer que, como norma de ordem pública, permeia TODOS os contratos no Brasil (e, em alguns casos, fora dele). Ou seja, não é exclusividade do freela.

Dito isso, o que caracteriza o trabalho do freela? Informação. O seu cliente te fornecerá muita, mas muita informação acerca do que ele pretende fazer, ou melhor, do que ele pretende que VOCÊ faça ou dê um jeito para que seja feito.

Normalmente são informações valiosas que podem ser: a) copiadas, b) utilizadas para concorrência desleal, c) divulgadas com intuito de difamação, etc.

Isso significa responsabilidade penal, responsabilidade civil, perda de credibilidade e um lugar a menos no céu para o inconfidente.

A BOA-FÉ OBJETIVA impõe aos contratantes um comportamento de lealdade e confidencialidade independentemente da assinatura de NDAs ou, em português, dos termos de confidencialidade.

O que isso significa? Significa, e isso é óbvio para todo mundo que teve uma boa educação em casa, 1) que não interessa ao Direito proteger contratantes que agem com dolo de se beneficiar ilicitamente em detrimento da outra parte, e 2) que não é porque não foi pactuado o sigilo que você não deve guardá-lo.

Ué, e pra quê servem os NDAs, TCs, ACs e afins? Reitero o que já disse no post acima:

Não significa dizer, contudo, que termos de confidencialidade são inúteis. Pelo contrário, por meio deles, é possível modular e relativizar essa proteção – se necessário para adequação dos interesses econômicos envolvidos –, ou mesmo pré-determinar as conseqüências civis relativas à indenizações por perdas, danos, lucros cessantes e afins.

Significa dizer que um bom NDA trará para as partes envolvidas (e para o juiz, se necessário) elementos objetivospara fixar indenizações, determinar a extensão do sigilo, hipóteses de exceção, etc.

Faça como o Jaiminho: Evite a fadiga! Celebre NDAs sempre que possível.

Dica de Leitura

Dá uma olhada também no meu artigo sobre NDAs no Direito&Mercado.



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Publicado em 02/06/2009 às 10:41 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Como montar um contrato para projetos de conteúdo?

Henrique Arake

Advogado

closing
Creative Commons License photo credit: qwrrty

Olá, caríssimos leitores do Carreira Solo! Se estavam esperando um post bacana e bem escrito pelo Mauro, Vigna-Maru ou Humberto… sinto muito, este aqui coube a mim!

Para quem não me conhece, meu nome é Henrique Haruki Arake Cavalcante. Advogado, mas o importante é ter saúde. Sou o autor, editor, cinegrafista, designer, promotor do Direito & Mercado. Quem disse que o Direito não pode ser legal?.

Ok, vamos ao que estou sendo pago (NOT!) para fazer: Como montar um contrato básico para projetos de conteúdo? Post absolutamente inspirado pelo e-mail de Eve Portilho, leitora aqui no blog, que escreveu mais ou menos o seguinte:

Sou uma estudante de publicidade pretendendo começar meus trabalhos de freelance na web (na área de redação e textos para blogs e redes sociais em geral). Estou estudando bastante antes de começar e me deparei com este projeto maravilhoso que é o carreirasolo. Desde então estou devorando-o. Porém tenho algumas dúvidas que gostaria de esclarecer contigo.

Vamos à elas: gostaria muito de saber como funcionam os contratos, se eu preciso pagar impostos (quais?) e se eu vou sempre precisar fazer a nota fiscal para os clientes. Eu não sei como funcionam os esquemas de pagamento. No caso do carreirasolo, vocês têm alguma influência sobre o pagamento dos jobs?

Respondendo…

Já escrevi uma série no Direito & Mercado (“Como redigir um contrato”) em que procurei descrever, passo-a-passo, os principais elementos de qualquer contrato, que recomendo como leitura complementar, ok?

Primeiro, relembremos: CONTRATOS SÃO LIVRES! Principalmente contratos de prestação de serviços, como são a maioria dos contratos de freelancers.

Passo-a-passo?

  • Dados completos das partes: nome, endereço, estado civil, profissão, CPF, e o que mais achar conveniente.
  • Objeto: o que está sendo contratado? Quanto mais detalhes, melhor! Se possível indicar as motivações que levaram à contratação, melhor ainda!
  • Condições de pagamento: cheques pós-datados? Depósito em conta? Boleto?
  • Juros, multa? Vá no conhecido: 1% a.m. e 2% sobre o saldo devedor. Evite a fadiga.
  • Cláusula Resolutória (rescisória). Aqui é uma arte! Vai depender do tipo de serviço, da duração, de um sem-número de razões. Na dúvida, copie e cole os arts. 599, 603 e 60 do Código Civil.

Dicas finais?

Guarde toda a documentação que puder. Tenha tudo por escrito (e-mails inclusive). Procure agir de maneira que possa reconstruir, via documentos, todo o histórico da negociação, contratação, execução e pagamento do job que pegar.

Agora comentem que outro dia tem mais!


Publicado em 01/06/2009 às 11:13 na categoria Legalize. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.