The Phantom Doodler Strikes on Gary's Whiteboard Again
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Tenho lido artigos no Carreirasolo sobre frilas para empresas no exterior, e por isso resolvi escrever o meu primeiro post aqui falando sobre um assunto que afeta não somente os frilas, mas qualquer profissional de qualquer área aqui de Sucupira (ou Bananão, ou Patropi, ou seja lá como você quiser chamar nosso país tropical).

Todo brasileiro, de qualquer área, já ouviu que alguma coisa é boa “porque é importada”, ou dando a entender que tudo o que vem do “primeiro mundo” é melhor. De tanto ouvir isso a gente acaba criando um complexo de vira-lata de querer imitar o pessoal de fora – ou simplesmente achando que o que a gente faz é sempre pior.

Mas aí a gente chega aqui “fora” – no meu caso, em Londres, mas já ouvi histórias similares de gente que foi para os EUA, para a Europa (inglês não se acha europeu, por isso coloquei em categorias separadas), pro Canadá ou sei lá para onde – e descobre que na verdade nós, os brazucas vira latas não devemos nada aos “gringos”.

A grama do vizinho, às vezes, é capim

Descobrimos que na maior parte das vezes jogamos de igual para igual com os locais. Que aqui existem escolas muito fracas, profissionais bitolados, gente que não conhece nada do mundo – igualzinho no Brasil. Ou seja, que aquelas míticas pessoas do “primeiro mundo” são normais: algumas são muito boas, outras mais ou menos.

Nosso ponto de vista diferente, a capacidade de se virar nas condições mais esdrúxulas, a vivência de quem vem de um país pobre ou a capacidade de ver outros ângulos dos problemas são vantagens muito importantes e que contam bastante na hora de fazer mestrado, doutorado ou trabalhar.

Abaporu e macunaimíces

celular antropofago
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Conheço gente aqui que recebe milhares de elogios por apresentar seus projetos com uma paixão que é totalmente diferente do estilo racional e meio distante dos ingleses. Outro amigo está agradando ao gerenciar sua equipe de uma maneira mais informal do que o esperado.

Apesar de esse assunto não ser diretamente relacionado à vida de frila, acho que é importante a gente saber disso. Cada vez mais eu me convenço que todo brasileiro devia passar pelo menos um ano aqui no “mundo rico” para aprender que a gente não é vira-lata coisíssima nenhuma. E mesmo que seja, os cachorros e gatos vira-latas são muitas vezes os mais espertos e resistentes – ou seja, tudo tem vantagens e desvantagens.

E eu não nego que o Brasil tem problemas e está atrasado em algumas áreas. Mas nós temos é que seguir os modernistas, aqueles da semana de arte moderna de 1922, que em plenos anos 20 já sabiam que o bacana é aprender com os gringos, pegar o que eles têm de bom, adaptar para o nosso jeito e dar o nosso tempero. A velha e boa antropofagia, que anda tão esquecida.

PS: só para garantir que ninguém me entenda mal, eu não quis dizer que nós, os brasileiros, somos a última coca cola do deserto, o povo mais issshhhperrrto no planeta. Só quis lembrar que a gente, pesando prós e contras, normalmente está em pé de igualdade com o “primeiro mundo”.

Só falta se convencer disso.