Temos um LP na casa dos meus pais que embalava algumas tardes memoráveis: a trilha sonora de 2001. Uma Odisséia no Espaço. Tempos depois, já comprando minha própria coleção, curti excelentes momentos com as trilhas de Forrest Gump, Pulp Ficction, Gladiator, Senhor dos Anéis…enfim. A lista é grande e quem curte música para cinema tem sempre a sua atrelado a momentos que superam aqueles passados na sala escura, com o saco de pipocas na mão. Fávio Scrivano, jornalista, foi além. Além deve ter várias ainda compartilha conosco suas opiniões num blog que já acompanho há um tempo: o Música para Cinema. Chamei-o para uma rápida entrevista e o resultado está logo abaixo. Ao final indicação do TOP 5…que discordo. Mas blog é para isso mesmo.
Fale sobre sua atuação como crítico de músicas para cinema…é profissão ou um hobby?
Gostaria muito que fosse profissão, mas desde o início da adolescência, quando me apaixonei por trilhas sonoras, tem sido apenas hobby. Consegui publicar um ou outro artigo mas, de maneira geral, a imprensa não leva a sério os compositores de cinema, o que é um erro grave. Tive que criar meus próprios veículos (site, blog) para poder escrever sobre o assunto. Minha intenção como crítico é, principalmente, alertar leigos e desatentos sobre a importância cinematográfica e a beleza artística da música orquestral composta para os filmes.
Para a grande maioria das pessoas, trilha sonora são aqueles CDs com canções pop reunidas para determinado filme.
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Como você avaliaria este tipo de trabalho aqui no Brasil?
Ainda está engatinhando, embora a internet tenha revelado gente muito esforçada em reverter essa situação.
É natural que o país dedique menos espaço ao assunto do que Estados Unidos e Europa, lugares onde a história da música de cinema realmente foi construída. Mas isso não torna menos lamentável o descaso da nossa imprensa com o gênero. E quando resolvem fazer alguma matéria, ela fica a cargo de algum crítico de música clássica, gente que notoriamente detesta os compositores que se dedicam ao cinema.
De qualque maneira, os últimos anos foram animadores, com alguns livros publicados e a realização do Música em Cena, evento que trouxe Ennio Morricone ao Brasil e promoveu debates.
Algumas dicas para quem quer começar a trabalhar como músico para cinema?
O músico de cinema precisa, acima de tudo, de versatilidade e adaptabilidade. Versatilidade para lidar com histórias e exigências musicais das mais variadas. Adaptabilidade, para atender às necessidades do filme, sua principal função.
Você destacaria cinco trilhas sonoras recentes que causaram impacto…e porque?
- Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001, John Williams)
A responsabilidade e o desafio de criar um universo musical para o primeiro filme de Harry Potter eram imensos.Mas John Williams, como era de se esperar, não decepcionou.- Abril Despedaçado (2001, Antonio Pinto)
Nunca a trilha de um filme brasileiro havia me comovido tanto. Uma das várias virtudes do esplêndido drama de Walter Salles.- Munique (2005, John Williams)
Mais uma do genial John Williams, transmitindo com suas pungentes melodias toda a tristeza deste círculo vicioso de violência.- King Kong (2005, James Newton Howard)
Parecia impossível, mas Howard criou uma trilha tão boa quanto a do filme original de 1933, que fez do compositor Max Steiner o “pai” da música de cinema.- O Código da Vinci (2006, Hans Zimmer)
Zimmer não desperdiçou a oportunidade de musicar a adaptação de um dos maiores fenômenos literários de todos os tempos. A cena final no Louvre é exemplo conclusivo do que a música pode fazer pelo cinema.
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