Nos últimos anos tivemos um grande crescimento das startups, que começaram a ganhar seu espaço no mercado. Elas trazem inovação e crescimento com uma equipe multidisciplinar que possui visão mais ampla sobre o que o cliente precisa. Em contraponto, temos as grandes empresas que estão aí quase que desde sempre e possuem mais presença no mercado. Diante desses dois fatos, o que poderia ser feito para que grandes empresas e startups cresçam sem conflitos? Nos acompanhe e saberá como isso é possível.

Grandes velhas empresas versus startups

Hoje no mercado temos as startups e as grandes e velhas empresas concorrendo por espaço. Mas algumas delas já notaram que não é preciso haver essa competição, é preciso ter união.

Muitas vezes, as startups possuem uma visão mais apurada para oferecer ao cliente o que ele precisa. Além disso, elas são conhecidas por trazerem ideias inovadoras. Tudo isso gera uma aceleração dentro do mercado empreendedor e no que ele tem para oferecer aos usuários.

Do outro lado, temos as grandes empresas com seu poder de financiamento, grandes centros de dados, equipamentos e público maior. Dessa forma, a união entre startups e grandes empresas gera benefícios para ambas. Onde uma consegue ter acesso a mecanismos que não tinha e a outra quem ganha em inovação.

Algumas dessas grandes empresas possuem programas para startup que, de forma colaborativa as duas possam crescer.  Uma dessas empresas é o Bradesco, que criou o InovaBra.

Durante um mês algumas startups são selecionadas para ter uma imersão com os gestores do Bradesco e do mercado. Em uma semana de imersão, as startups precisam apresentar propostas de solução aos gestores. No final do período são escolhidos os finalistas e durante os próximos seis meses é feito a produção e evolução do modelo de negócio com a ajuda do pessoal do Bradesco.

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Essa é uma ótima forma que o Bradesco encontrou de inovar e dar apoio para as pequenas startups crescerem. Porém, o problema é que muitas empresas grandes ainda não veem as startups dessa forma. Para elas esses novos modelos de empresa são concorrentes. Temos um caso perfeito para exemplificar essa situação. Confira:

A Propel é uma startup estadunidense criada por Jimmy Chen. Chen, há 4 anos, deixou seu emprego como gerente de produto no Facebook para fundar a empresa. Porém, mal sabia ele que o aplicativo criado pela empresa teria problemas envolvendo uma grande empresa que presta serviços ao governo.

O aplicativo antipobreza

Nos EUA existe um programa do governo chamado Food Stamp, que é como o Bolsa Família aqui do Brasil. As famílias beneficiadas pelo programa recebem um cartão e aí podem fazer suas compras. Porém, para consultar o saldo restante do cartão é necessário ou ligar para um número do governo ou guardar os recibos de compra.

Pensando num jeito de solucionar essa questão, a Propel lançou em 2016 o aplicativo FreshEBT, que permite que as pessoas beneficiadas pelo Food Stamp possam ter ao alcance do seu smartphone o valor restante do cartão. Com o tempo também foram implementados outros recursos, como acesso à vagas de emprego, receitas saudáveis, links para cupons de alimentos e ferramentas de controle financeiro. Hoje já são cerca de 1 milhão de pessoas usando o aplicativo da Propel.

problemaTudo estava indo bem até que…

Porém no começo de 2018 a empresa Conduent, prestadora do serviço de Food Stamp, que é ligada ao governo, impediu que a Propel continuasse utilizando seu banco de dados. O aplicativo da Propel utilizava o acesso a esse banco de dados para poder acessar as informações sobre a conta das pessoas. A justificativa para tal ação da Conduent é que os acessos pelo aplicativo estavam sobrecarregando seu sistema. Além disso, a Conduent disse que em nenhum momento a Propel solicitou o uso do seu banco de dados para o aplicativo.

Por outro lado, a Conduent é apenas uma entre outras empresas que prestam o mesmo serviço para o governo e que a Propel acessa seus bancos de dados pelo aplicativo, e somente a Conduent teve essa atitude. O que é mais estranho é que essa prestadora de serviços criou um aplicativo com a mesma funcionalidade de mostrar para as pessoas o valor que restam em suas contas.

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De quem é o prejuízo?

Com tudo isso que aconteceu nesse caso entre a Propel e a Conduent, vemos perfeitamente que todos os envolvidos saem no prejuízo. A população porque teve um retrocesso na tecnologia. A Propel porque ficou impossibilitada de acessar o banco de dados. E, por fim, a Conduent porque perdeu a chance de firmar uma parceria com a startup para inovar sua forma de negócio.

Como pudemos ver, o futuro das grandes empresas pode estar na colaboração com startups que trazem inovação. Isso vale também para as startups, que muitas vezes precisam de um investimento ou apoio de alguém que está há mais tempo no mercado.

Agora queremos saber qual a sua opinião sobre o assunto. Comente o que você acha sobre a colaboração entre grandes empresas e startups?