Pois é. Ela está aí. No supermercado, com preços subindo sem parar. Nos serviços, que são lastreados pelo dólar. Em seu salário ou seus contratos que, bem, estacionaram. Antes de apontar o dedo para direita ou esquerda, para populistas ou republicanos vale lembrar que a vida prática cobra seu preço TODOS OS DIAS. E reclamar não adianta. Então, planejamento é mais do que nunca importante nesse momento.

Acredite, este não é um post pessimista. É, antes de tudo, uma volta às origens deste espaço aqui quando eu registrava os aprendizados, passo a passo do meu início de carreira. Hoje, passados 10 anos, muita coisa aconteceu para um lado ou para o outro. Este post é sobre o outro lado. Aquele no qual precisei reavaliar minha caminhada para que, bem, eu pudesse continuar caminhando.

Isso acabou resultando em umas regrinhas que tenho seguido para tentar organizar a casa, e o barco, neste conturbado oceano de dois mil e crise.

1 – Saiba o quanto gasta. MESMO. EM TUDO

Passei três meses anotando todos os gastos pessoais e na PJ. Tudo mesmo, inclusive a padaria na esquina. O resultado foi uma análise completa do caminho da grana. Como sempre (os gurus de economia pessoal sempre falam a mesma coisa) o ralo eram as micro-despesas em sua maioria evitáveis. E partir daí, começamos a redirecionar algumas decisões.

2 – Na TV, só demanda

Avalie bem se vale a pena aderir a um mega-plano de TV por assinatura, que ficará totalmente estacionado. A falácia do COMBO é muito bem montada de forma que você, para ter uma internet rápida, precisa assinar um pacote de TV parrudo também. Ah, vale lembrar que, apesar do que o bom senso parece indicar, cliente antigo paga mais pelo mesmo serviço. Muita gente, há um tempo atrás, costumava desassinar e assinar novamente só para manter o bônus. Mas, na prática, apenas com o serviço de internet decente (10MB ou mais) você consegue resolver sua vida de conteúdo. Netflix, PopcornTime são a dupla preferida desta nova forma de consumir filmes e séries.

3 – Na hora de falar, fuja da conta

Com a internet funcionando e o Wi-Fi irradiando sinal pela casa toda, começa a deixar de fazer sentido assinar contratos de fidelidade eterna com alguma operadora de celular. Planos pré-pago disponíveis em todas as bandeiras, oferecem diferentes e modulares formas de você ter acesso na rua. Mas vai aí uma dica: regule o seu aparelho para consumir os dados somente dos aplicativos imprescindíveis. Eu uso os mensageiros de praxe e mais o Gmail. O resto, só no Wi-Fi.

4 – Leve o rango para o trampo

Dê uma volta pelos blogs de saúde ou o excelente “Do Campo à mesa“, de nossa leitora Francine Lima para ter certeza do que vou falar aqui: comer na rua é não só caro quanto perigoso. E, se você não encontrar um restaurante que encaixe no orçamento e seja orgânico o suficiente para manter sua saúde em dia, por que não preparar um cardápio você mesmo e levar para o trabalho?

5 – Carona solidária

Tá, o mais racional e indicado era utilizar transportes públicos. Mas, quando isso não é possível ou quando a curva de custo-benefício for vantajosa, que tal apelar para a carona solidária? Mais de quatro amigos do prédio vão para a mesma região da cidade? Rachem a gasolina e criem uma escala para até mesmo revesar os motoristas. Pense que, se todo mundo fizesse isso, teríamos quatro carros a menos a cada cinco motoristas. Todos os dias.

6 – Recorrência, fique de olho

Quem está escrevendo este post tem até mesmo uma startup de assinatura de produtos, portanto, não sou propriamente isento. Ou sou, se pensar bem. A dica é, fique de olho nas recorrências que você coloca para dentro de seu orçamento sem perceber. São compras dentro de apps, assinaturas eletrônicas (falei sobre isso outro dia no Facebook) ou de revistas que você nunca irá ler. Cancele tudo.

7 – Essencial: educação, moradia e alimentação

Encerrada a farra dos anos LULA e DILMA, a ideia agora é focar no essencial. Pois é, viramos minimalistas de ocasião, cortando e cortando e cortando até não poder mais. O que sobra no final? Acredito muito na importância da educação. É ela que vai nos tirar do buraco, tanto no âmbito doméstico quando conjuntural. Sendo assim, foque neste tripé: moradia decente, boa alimentação (que vai evitar que você adoeça) e educação. Priorize SEMPRE estes três itens. Todo o resto, acredite, virá no tempo certo.

8 – Se sobrar, guarde. Mas não conte com um aumento de padrão de vida

Ok, mas vamos supor que você conseguiu encontrar um nicho de mercado que está aquecido e você prestou algum serviço para essas pessoas e faturou um extra. Guarde. Sem pensar duas vezes. E, mais do que importante: não conte com essa grana como um incremento de seu padrão de vida. A crise, dizem os mais otimistas, deve durar ainda uns dois anos. Portanto, poupe sempre que possível. Quase nunca é.

9 – Você precisa se divertir. Apenas se organize para isso

Você deu sorte de continuar trabalhando, minimizou suas contas e está conseguindo manter a vida rodando. E é claro que você precisa de algum lazer. Ninguém está pregando aqui uma vida monástica. O que você pode mudar é a forma de planejar o seu lazer. Que tal trocar o restaurante da moda pela casa de amigos? A viagem para longe por turismo interno em sua cidade?

10 – E, sobretudo, não paralise suas atividades e sonhos

O país precisa de gente que acredite que quer morar em outro Brasil no lugar de morar fora dele. A mudança acontece com você evitando as pequenas corrupções do dia-a-dia, acreditando em seu potencial e educando seus filhos e a você mesmo. Para isso, é fundamental que você não espere o país voltar a andar para você mesmo provocar a mudança que quer ver em sua vida. Quando você pára, ganha quem apostou na derrota disso tudo aqui. Vamos lá?

Bom, é isso gente. Isso é mais um relato do que eu tenho feito do que propriamente uma receita de bolo. Queria muito ouvir vocês nos comentários complementando as ideias que relacionei aqui.