O Projeto encolheu. O que faço?


O cenário não é novo e se repete, provavelmente, desde que Moisés subiu no monte. Devem ter prometido algo do tipo: “Olha serão 35 leis revolucionárias, impressas em papiro e bordados a ouro”.

Chegando lá, a voz nem tão tonitroante como no começo do processo, admite que, “sabe como é, o orçamento do reino celestial é mais curto do que os mortais imaginam, os anjos me custam os tubos com aquela mania de cítaras de ouro e as pesquisa indicam que precisamos ser mais conservadores no tom da mensagem”

Para encurtar a história e entregar o projeto, haja visto que o público estava se matando no vale abaixo, o patriarca teve que se contentar com duas placas de pedra e o redator só teve o orçamento aprovado para 10 leis. Enfim, coisas da vida.

Ele nunca mais me ligou

E na sua vida de Profissional Freelancer não será diferente. Poucos não serão os clientes que chegarão prometendo mundo e fundos, uma casa decorada e escola para os filhos que vocês terão juntos e, no final, você vai entregar apenas aquele site com cinco seções, o mais institucional possível. Mas até aí, vida que segue.

A questão que motiva este post é aquela que surge quando você acredita num cenário que não existe. Prepara sua agenda e conta bancária para um mega portal e acaba fazendo apenas um banner. E tomando um belo calote ainda. Casos como esses acontecem e, evita-los (o famoso “Como Dizer Não”) é mais do que “o pulo do gato”; é a oitava vida do felino. Mas vamos as dicas:

  • Quando o cliente, que não é da área, chega decupando um escopo completo, tente intuir se ele não está apenas repetindo a fórmula que acabou de ler na revista da moda. Se você está sempre antenado e é leitor das publicações do meio, vai sacar logo. Um projeto imenso pode ser apenas fruto de desconhecimento
  • Treine o olho para sacar se os planos do cliente são enormemente distantes da realidade de seu negócio. Uma pequena padaria criar uma rede social em quatro línguas? Eu sei, é difícil resistir. Mas, respire fundo. Ambição não é defeito. Falta de noção, é.
  • Tem uma pergunta clássica que resolve mais da metade dessas situações que é saber quanto o cliente está disposto a gastar. Com disse recentemente: “…você pode saber sem perguntar qual é a faixa de orçamento do projeto para o qual você está sendo cotado. Saber sem perguntar evita que você pareça desesperado por aquele Freela (mesmo que esteja) ou que quer fazer um preço de ocasião, o que deve ser evitado.” Leia as dicas deste post destacado e treine em avaliar de quanto o cliente REALMENTE está falando. Depois você pensa no escopo.
  • Outra dica que sempre funciona é, mesmo se o cliente insistir no escopo astronômico, você ser sutil o suficiente para concordar discordando. Como você faz isso? Simples: crie um faseamento que, além de representar a evolução natural do projeto; crie uma faixa de segurança - baseada aí na experiência que você tenha de seu mercado -, do que é possível, do que é factível e do que é vendável. Serve de termômetro para os dois, no que se refere ao trabalho de um e de outro.

E existem aqueles momentos…

Em que tudo dá certo. Ou até mesmo que você foi contratado para fazer um pequeno trabalho e viu sua participação aumentar, seu escopo crescer, o orçamento idem e todos foram felizes para sempre. Às vezes dá certo. Por isso estamos aqui.

Comentem!

Fora do Brasil pagam melhor para um Profissional Freelancer?

¿quién da la vez?
Creative Commons License photo credit: bachmont

No terceiro artigo da seção Globalize vamos encarar uma de Mythbusters e tentar entender se é mito ou verdade a máxima que diz que os Profissionais Freelancers que trabalham para clientes fora do Brasil são melhor remunerados.

Regra geral: sim, ganha-se melhor quando a moeda é mais forte. Mesmo em épocas de dólar baixo. Mas o que gera a diferença na hora de negociar é o que os gringos chamam de…

Skilled or not Skilled

O primeiro passo é estar bem informado sobre o valor de sua habilidade no país para o qual você vai prestar o serviço. Quanto mais habilidades e certificações você tiver (skilled) mais sua hora será valorizada em detrimento de um outro profissional sem suas habilidades (”not skilled”).

É com lembrar que o conceito de senioridade (júnior, pleno e sênior) lá fora, e sobretudo nas atividades que envolvem qualificações técnicas, é um pouco diferente daqui.

Nações mais práticas enfim, valorizam no profissional a união entre habilidades e o tempo empregado em utilizá-las e não exatamente há quanto tempo vocês está no negócio.

Pechincha, paixão (inter)nacional

Se você não conseguir levantar este valor, dê uma arriscada para cima que não faz mal para ninguém. É claro que o choro é válido (não é só brasileiro que chora não), se o valor (por hora ou fechado) for abusivo, os gringos negam na hora e te mostram que o valor não está coerente com o mercado, mas se estiver dentro do range deles, fecham numa boa sem choro: “Fair is Fair”. Não se esqueça: o requester está muito mais ligado em valores do que você.

Quando comecei a trabalhar com cliente de lá de fora não sabia quanto cobrar por alguns trabalhos, portanto no inicio acabei deixando de lucrar em projetos que poderia ter pedido um valor mais alto, mas lucrei muito em outros.

Pensando em termos hora/trabalho

Basicamente meu raciocínio inicial foi o seguinte: se eu fosse cobrar algum trabalho por hora, iria cobrar a hora que cobro aqui, mas em dólares.

Por exemplo: Se minha hora de programação em Actionscript[bb] é R$ 30,00, então iria cobrar U$ 30,00 pela mesma hora. Pensei que assim estaria ganhando praticamente o dobro por algo que já tenho uma remuneração estabelecida localmente.

É uma regra bastante artesanal e acreditem em determinados trabalhos fui verificar posteriormente que o valor da hora poderia ser ainda maior.

Escopo fechado

Em outros projetos, geralmente conceituais que envolviam criação, optei por trabalhar com valores um pouco acima dos praticados aqui e consegui fechar vários deles. Vale lembrar que escopo fechado é sempre uma caixa-preta. Você pode achar que está fechando um grande negócio, mas, mil alterações e dilatações de prazo depois, estará no vermelho!

Afinal, ganha mais ou não ganha?

Respondendo a questão, percebemos que sim, podemos obter maiores ganhos trabalhando com clientes de outros países. Mas, via de regra, temos que ficar atentos ao valor da hora e as armadilhas do escopo fechado. Ah, claro e não se esquecer de programar um sistema de pagamento seguro e rápido (tema de nosso segundo artigo) para receber seu pagamento ao final do projeto.

Quer saber mais sobre a vida dos Profissionais Freelancers que trabalham para clientes em qualquer lugar do mundo. Envie sua dúvida por e-mail que eu respondo!

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