Quanto ganha um escritor?

photo credit: bravenewtraveler
Você tem talento, disciplina e até mesmo uma editora querendo publicar seu original. Mas aí, pinta a dúvida: afinal, quanto eu vou ganhar com isso? As respostas que se seguem são os casos mais comuns, a partir da minha experiência, mas na verdade as editoras estão livres para outras negociações. Então vamos lá entender quanto ganha um escritor:
- Critério: na maioria dos casos é percentual de direito autoral, que costuma ser entre 8 e 10% do preço de capa do exemplar vendido.
- Vendagem: cada livraria fecha de um jeito e em uma data. As editoras normalmente disponibilizam as planilhas de contabilidade para os autores só uma vez no semestre ou no máximo no trimestre, justamente porque tem livrarias que fecham trimestralmente, por exemplo, então para não ficar incompreensível, muitas editoras optam por mostrar o balancete para o autor também com uma periodicidade baixa.
- Tempo de repasse: novamente, na maioria das vezes, ok? Normalmente as editoras adiantam uma quantia a combinar para o autor, antes das vendas e vão descontando desta quantia os livros vendidos. O autor só torna a receber quando e se ultrapassar aquela quantia já recebida em direitos autorais (ítem 1). Algumas editoras muito pequenas e sem fluxo de caixa para isso, pagam o autor nas suas datas de fechamento, normalmente de 3 em 3 meses.
- Exemplares de autor: isso varia muito, principalmente do tipo de livro que vc escreveu. Livros didáticos normalmente recebem 10 exemplares, ficção costuma receber um pouco mais, em torno de 30, mas isso você pode conversar com o seu editor. Se a quantia que você precisa for maior do que a editora pode lhe dar, vc pode sempre comprar os seus livros com o preço de autor (com um desconto em torno de 60% do preço de capa).
- Tiragem: sim, as edições sempre tem uma quantidade de exemplares determinada e isto é sempre colocado muito claramente e muitas vezes consta até mesmo do seu contrato. Você fica sabendo exatamente quantos exemplares rodaram em gráfica, quantos foram para imprensa, quantos foram para livraria, etc. Isto tudo é feito de forma muito transparente e às vezes o editor pede para você assinar junto com ele os exemplares de cortesia do editor (jornalistas, etc).
Vale lembrar que…
Esses são detalhes técnicos que em nada devem impedir sua vontade de publicar ou doutrinar seu talento e disposição para compartilhar suas idéias, certo? E por falar em idéias, depois dá uma lida nos posts que temos sobre o Mercado Editorial!
Publicado em 27/12/2008 às 4:10 na categoria Editorial. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.












Excelente toque!
Muito bom mesmo!
Daniel querido,
Que bom que vc comentou por aqui!
Fui reler o artigo e vi um erro:
“Se a quantia que você precisa for maior do que a editora pode lhe dar, vc pode sempre comprar os seus livros com o preço de autor (com um desconto em torno de 60% do preço de capa).”
O desconto é em torno de 40%, deixando o livro com 60% do preço.
Eu acabei de assinar um contrato de publicação em que o desconto é de 30%. Isso varia muito de editora para editora, mas todas fazem esse esquema de desconto para autor.
Bjs!
Mas, e como fazemos para que mostrar nosso trabalho a uma editora?
Cara Nicole,
Por favor leia os demais posts desta seção. Se ainda restarem dúvidas volte a comentar.
Abraços,
Carolina.
Gostei muito do site…..muitas informações, mas ainda continuo com dúvida.
Meu avô esta para fechar um contrato para publicação de um livro, o que acho estranho é que ele pagará todos os custos com a publicação gráfica e receberá apenas os 10% do valor de capa das vendas, ficando a cargo da editora apenas os custos com divulgação.
Gostaria de saber se realmente é assim que funciona o mercado literário, acho meio estranho….
Aguardo anciosa a resposta…
Obrigada desde já..
Beatriz Zampieri
Beatriz,
Não é assim, não!
Pagar toda a edição significa um percentual maior. Negocia isso aí melhor…
Abração (e boa sorte!)
Se não for demais, gostaria de saber qual é a média para esses casos.
Obrigada pela atenção
Beatriz,
Eu nunca trabalhei com edição paga, então não tenho certeza, mas eu CHUTARIA algo em torno de 20, 30%.
Tenho certeza de que é mais, apenas isso.
Abração
Adorei o site….agradeço a atenção. Vai me ajudar muito!
Obrigada e Abraços!
Olá,
Adorei suas dicas, sempre gostei de escrever. Agora estou tentando terminar um livro e tenho um projeto de um mangá com uns amigos que ainda está em andamento (muito lento por sinal)… Não sei se ainda tenho capacidade intelectual para tanto, mas não custa tentar!!
Acho difícil tornar um mangá brasileiro conhecido… Infelizmente para a maioria o nacional não presta, e ainda por cima um com estilo japonês produzido na Brasil!
Mas a esperança é última que morre! kkkkk
O que você acha que devíamos fazer para divulgá-lo?… Apesar de estar um pouco distante dessa realidade… kkkkkk
Muito obrigado e um grande abraço!
Cyro,
Bom, hoje em dia até a Turma da Mônica virou Mangá. Não acho que seja um gênero tão difícil de trabalhar, não.
A maneira mais honesta que tenho de responder é me colocando no seu lugar. Então, se eu fosse divulgar um mangá brasileiro hoje, faria essas coisas:
- ter um site.
- criar emoticons animados com os personagens para msn, skype, etc e colocar para download gratuito, inclusive lá o site do msn.
- criar twitters dos personagens, falando na voz de cada um, um dialogando com o outro.
- criar estampas de camisetas (talvez até uma ação junto com o Camiseteria seria legal, mas depende de $).
- juntar alguns amigos malucos e, fantasiados dos personagens, criar ações divertidas pela cidade (como por exemplo encenar uma luta marcial em um parque cheio, no domingo, com, claro, uma banca com a revista para as pessoas comprarem e conhecerem).
- dependendo do teor do seu manga, se for para adultos, fazer inserções bem-humoradas em sites de Hentai.
- se for para crianças, oferecer de dar palestras gratuitamente em grandes escolas sobre a história do manga, seus significados, etc (precisa de um projeto MUITO bem feito para isso funcionar).
- no site, criar sempre – e atualizar sempre – áreas de interação e de downloads, como fóruns, blog, etc. E, em downloads, desktops, screensavers, ícones (se for para crianças pode ter também imagens A4 para impressão, para colorir, por exemplo).
- dependendo do público-alvo, aparecer a caráter em convenções como Campus Party ou outras aglomerações onde é fácil encontrar amantes do gênero.
Bom, é meio que isso que me ocorre agora…
Espero ter ajudado.
Abração e boa sorte!
Carolina
ps: não deixe de mandar um exemplar para o Mauro quando lançar, ele é fã de HQs.
Oi Carolina, você é agente literária?
Estou procurando uma agência.
Beijos.
Denise.
Denise,
Não sou agente, não.
Bjs e boa sorte!
Carolina.
Carolina, você não tem idéia do quanto me esclareceu.
Muitas de minhas dúvidas foram tiradas.
Só restaram algumas.
1ª – A editora só recebe pelo livro depois que a livraria o vende para o leitor ou ela recebe vendendo-o para livraria?
2ª – Como é estipulado o preço final de um livro? A editora tem palavra final no custo final?
3ª – Livros baseados em fatos reais, ficção, infantil e didático seguem o mesmo pensamento na discussão de ‘custo final’ ou algum gênero custa mais que outro?
4ª – Uma história muito boa é motivo para que o preço final seje alto? E quanto ao número de páginas?
6ª – Livros em lançamento são mais caros?
7ª – Um ótimo livro antigo tende a ter preço mais baixo ou mais alto do que na época do lançamento?
5ª – Quanto você, Carolina, pagaria por uma história baseada em fatos reais que ache muito boa e esse livro tenha, mais ou menos, 420 páginas?
Desde já, obrigado!