Como enviar um livro infantil a editora?

Nota introdutória do Editor: Carolina Vigna-Marú responde a todos os e-mails que recebe de nossos leitores. E em cada um deles, vejo material para um post muito bom. E como aqui, no Carreirasolo.org vivemos de conteúdo muito, muito bom; não me furto em publicar versões adaptadas destes e-mails. O post abaixo surgiu da dúvida de uma leitora aqui no Carreirasolo.org sobre como enviar seu livro infantil as Editoras. É uma continuação perfeita ao Como enviar meus originais para análise

My prince
Creative Commons License photo credit: kokopinto

Livro infanto-juvenil é aquilo…

Todo autor quer enviar ilustração junto. A menos que a ilustração seja premiada ou seja imprenscindível para a compreensão do texto, não envie. Deixa o editor escolher o ilustrador. Apenas manda uma cartinha junto, dizendo que você gostaria de apresentar imagens para este texto. Normalmente, uma vez aprovado o texto, os editores acatam as sugestões dos autores, mas são processos separados e você precisa deixar o editor livre para escolher.

O mesmo vale para capas de livros adultos (adultos como em “não-infantis”). O único tipo de livro que não tem problema você enviar as imagens junto é livro técnico e mesmo assim às vezes o editor contrata algum ilustrador ou fotógrafo para melhorar/aumentar a quantidade de imagens.

O tamanho do livro varia muito, mas muito mesmo, até mesmo da escolha da gráfica da editora. Eu já vi, para você ter uma idéia, um mesmo livro (mesmo texto, mesmo autor) ter um ilutrador e um formato em cada edição.

Às vezes a gente faz um projeto em que a imagem faz parte, é uma parte meio que grudada no texto. Se for muito, mas muito mesmo, importante para você que a imagem seja aquela, envie uma xerox colorida de UM ÚNICO exemplo de ilustração com um bilhetinho dizendo que é esta ilustração que você gostaria de PROPOR para aquele texto.

All we need is Type

Agora, seu texto será melhor recebido, honestamente, se for só o texto, sem mais nenhuma informação editorial. Envie apenas o texto, em páginas A4 numeradas, fonte Times New Roman, espaço duplo, corpo (tamanho da fonte) 12. No cabeçalho você coloca o título e no rodapé o seu nome com um telefone e um email de contato. Encaderne de forma simples, em espiral mesmo. Coloque junto uma carta de apresentação (atenção: é junto, não é encadernada no texto!!!!) assim:

Prezado Conselho Editorial,
Encaminho para sua análise o texto em anexo.
Resumo do livro ou comentários que julgar pertinentes (como a apresentação de imagens, por exemplo) - 1 parágrafo de no máximo 5 linhas
Resumo biográfico seu - 1 parágrafo de no máximo 5 linhas
Atenciosamente,
Assinatura
telefone/email

Prontinho. E boa sorte!

Divulgue este post entre seus seguidores no Twitter!

Publicado em 29/08/2008 às 11:37 na categoria Editorial, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.




13 Comentários para “Como enviar um livro infantil a editora?”

  1. BENEDITO BRAZ MEGALE -

    Olá, tenho um conto infanto-juvenil que traz em suas páginas um linguajar poético e em seu conteúdo mensagens de fundo filosófico. Oque percebo é que todos que o leem se prendem na leitura e não conseguem parar de ler até que terminem.
    Entendi que vc faz as ilustrações. Gostaria de saber, caso um editor se interesse pelo livro, quais as condições normalmente se consegue por isso?
    Por favor, entenda minha curiosidade.. Um forte abraço: Dito Braz

  2. Carolina Vigna-Marú -

    Olá, Benedito!

    Fiquei em dúvida sobre se você queria saber as condições normais para o autor ou para o ilustrador, então vou responder as duas coisas, ok?

    Autor: o percentual do autor varia de 5 a 20%, sendo o mais comum em torno de 10% do preço de capa do livro vendido. 20% é raríssimo e só em casos muito especiais. As livrarias costumam enlouquecer os editores com as datas de fechamento e condições completamente diferentes entre si. Com isso, é muito comum o editor adiantar uma parte em grana para o autor e ir descontando na venda. Então, por exemplo, se a editora te paga mil reais adiantados, só vai tornar a te pagar novamente quando o seu percentual de autor superar os mil reais em vendas. A gente normalmente fala que isso é para beneficiar o autor (e é também) mas a verdade nua e crua é que é para o editor não ficar maluco com a prestação de contas de cada livraria, é mais fácil esperar passar um tempo e fazer a contabilidade geral do que tentar prestar contas mês a mês (tem livrarias que nem fecham mensalmente, por exemplo).

    Ilustrador: Aqui é mais confuso ainda. Existe uma pressão grande por parte das associações de classe que o ilustrador se torne co-autor do livro, ou seja, além de receber pela ilustração ainda receberia um pequeno percentual na venda do livro. Esta é a opinião da esmagadora maioria dos ilustradores e de todas as sociedades e associações de ilustradores no Brasil. Os valores de cada ilustração variam tanto, mas tanto, de acordo com a técnica, com prazo, com quantidade, com contrato, com forma de pagamento, com ilustrador, com… enfim, ilustração é negociada praticamente que livro a livro.

    A minha opinião pessoal é que ilustrador não é co-autor coisíssima nenhuma salvo casos muito raros (como em livros criados a 4 mãos, por exemplo). O ilustrador recebe contra-entrega por seu trabalho, não tem risco algum enquanto o autor escreve sozinho sem saber se o seu trabalho será publicado e tanto o autor quanto o editor trabalham por uma venda cheia de incertezas. Além disso, eu sou da opinião que o ilustrador ilustra e portanto usa por base um texto pré-existente. Agora, preciso te dizer que eu sou minoria e que normalmente os ilustradores caem de pau em cima de mim por causa desta minha posição. Já vou avisando, aliás, que não responderei embates políticos ou filosóficos sobre esta questão aqui nos comentários.

    É muito comum o autor e o ilustrador ser a mesma pessoa e aí é uma questão de negociação caso a caso com a editora.

    Respondi sua pergunta?

    Abração,
    Carol.

  3. sabrina vieira -

    Entáo, no duro, como e que se contrata os prestimos de um ilustrador.? O ilustrador expoe seu interesse e a editora o contrata por tempo determinado para realizar algum projeto especifico? Tenho grande interesse em trabalhar com ilustracao mas nao sei por onde comecar a procurar interessados!

  4. Carolina Vigna-Marú -

    Sabrina,

    Ilustração é, tradicionalmente, um serviço prestado de forma freelance, ou seja, por projeto. O ilustrador normalmente não tem vínculos com as editoras.

    Existem algumas editoras (produtoras de material didático, por ex) que às vezes contratam um ou outro ilustrador “da casa”, com carteira assinada, horário, etc, mas isso é muito raro.

    O normal é a contratação por projeto.

    O editor, depois de selecionar o texto, procura em seu banco de profissionais alguém que ele julga ter afinidade com o texto. Muitas vezes esse alguém pode ser sugerido pelo autor ou ser até o próprio autor, mas são momentos de decisão separados.

    Entrar neste mercado não é tarefa muito simples, principalmente considerando que o Brasil tem ilustradores magníficos que já são velhos conhecidos das editoras.

    O primeiro passo é se apresentar. Entre em contato, se possível por telefone e pergunte para que email mandar a url do seu portfolio online. Peça para ser cadastrada na agenda dos ilustradores, para futuros projetos.

    Relacionamento é a alma do negócio. Não adianta sair mandando email para todas as editoras do país, não funciona. Entre em contato com 2, 3. Gerencie estas. Depois abra mais algumas e assim sucessivamente. É um trabalho árduo e lento, mas é um dos poucos que traz resultados concretos.

    Para os mais endinheirados, vale fazer exposição em galerias, chamar assessoria de imprensa, etc.

    Outra coisa muito legal é participar de concursos. A premiação em um concurso razoável já te dá um “gancho” para entrar em contato com editores e se apresentar de uma forma mais de igual para igual do que passando o chapéu.

    Enfim, Sabrina, infelizmente não tem fórmula mágica.

    Abraços,
    Carolina.

  5. Alexandre Gomes -

    Oi, Carolina!
    Minha dúvida é referente a um concurso literário do qual quero participar. No edital eles solicitam uma formatação de texto similar à que você indicou. Contudo, eles exigem que em cada lauda haja, no máximo, 1.200 caracteres (incluindo os espaços). Mas cada lauda leva, em média, 1.600 caracteres. Estou quase enlouquecendo de tanto alterar o livro e não consigo diminuir o número de caracteres (embora o número de páginas esteja de acordo com o exigido). Pergunto: esses 1.200 caracteres devem ser obedecidos à risca, ou devem ser considerados apenas como mera referência?

  6. Carolina Vigna-Marú -

    Oi, Alexandre!

    Olha, esse negócio de lauda é engraçado. Pode, na verdade, variar de pouco mais de 800 até quase 2000 caracteres se a gente considerar lauda jornalística, lauda literária, lauda de tradução, com ou sem espaços… É confuso mesmo. Normalmente quando me falam algo em lauda a pergunta imediata é “lauda de quanto?”.

    Concursos costumam ser bastante rígidos quanto a isso. Se eu estivesse no seu lugar, não arriscaria. Especialmente se for um concurso literário importante e grande como o Barco a Vapor.

    Agora, nada te impede de manter a versão “sem cortes” para as editoras e enviar outra para o concurso. Eu sei como dói fazer essa edição.

    Abração e boa sorte!
    Carolina

  7. jose luiz eugenio -

    Olá, voce não pode desanimar o pessoal que quer entrar no mercado de livros desta maneira, discordo em número e gráu de todos os seus comentários.Veja, eu sou ilustrador e autor e me dou muito bem com as editoras,eu escrevo, ilustro, faço design gráfico do livro, peço a ficha catalográfica, mando pra editora sem problema algum, olha, quem quer escrever ou ilustrar, é só ser bom horiginal e acreditar, as coisas não são tão dificeis assim. Pessoal vá em frente, voces conseguem, é só acreditar os editores brasileiros são ruins? são. então façam tudo sozinhos, voces sabem que existe aquela famosa máfia. abraço.

  8. Carolina Vigna-Marú -

    Caro Jose Luiz Eugenio,

    Bom, não vejo meus comentários como pessimistas ou desanimadores.

    E os editores brasileiros não são ruins. Qualquer um que sobrevive dignamente neste mercado, onde metade do preço de capa vai para o distribuidor e a margem de lucro de um produto que quase não vende e tem muita concorrência normalmente não passa de 15% é, no mínimo, um herói.

    É um mercado difícil, Jose Luiz, e eu não vou enganar ninguém. É claro que é possível viver do mercado editorial no Brasil. Assim como é possível viver de internet ou de qualquer outra coisa, mas isso não significa que seja simples ou muito menos fácil.

    Não sei muito bem a que máfia você se refere. Neste meio existem duas, a do papel e a da distribuição. O resto todo é competitivo, segmentado e pulverizado (e extremamente desorganizado!).

    O mercado infanto-juvenil (que tem seu centro em Minas Gerais, e não no eixo Rio-SP) é um pouco menos cruel e mais aberto a novidades, mas esta não é, em absoluto, a regra.

    Quando comento algo, procuro sempre ser o mais generalista possível aqui no Carreira Solo. É claro que existem exceções para tudo na vida, mas o normal não é fácil, não é simples e o “façam tudo sozinhos” costuma ser mal visto pelo mercado.

    Agora, novamente, na maioria dos casos. É claro que sempre existirá um novo Alê Abreu (felizmente!).

    Abraços,
    Carolina.

  9. j -

    Eu sei que digitei original errado, foi de propósito,vai cair de pau em cima de min?, todos aqui nesta terra podem ser o que quiserem sem precisar de empressas que só querem travar o sonho dos outros, As editoras podam e aniquilam os novos talentos.Setenta por cento dos livros expostos em livrarias são estrangeiros,enquanto que os artistas Brasileiros são tratados desta maneira, ora pelo amor de Deus voce precisa dar idéias, e mostrar o caminho, pare com isso de normas e leis criadas para favorecer a Deus sabe quem.

  10. Carolina Vigna-Marú -

    j,

    Desculpe, não entendi.

    1 - Não cai de pau em cima de você.

    2 - A quantidade massacrante de autores estrangeiros no Brasil é um problema sim. Faz parte do problema, aliás.

    3 - Eu me esforço para dar idéias e mostrar caminhos e isto não é sinônimo de esconder dificuldades. Se você quer realmente ajudar, mostre onde estão as dificuldades no caminho, para que a pessoa esteja preparada para elas e saiba lidar com elas. De nada adianta eu passar uma falsa idéia de que o mundo é rosa. O mundo não é rosa, sinto muito.

    4 - Normas e leis? Do que você está falando?

    5 - favorecer a Deus sabe quem? Como assim? Eu NUNCA cito editoras nonimalmente aqui, justamente para não favorecer ou prejudicar ninguém. Tento, inclusive, sequer me ater a um único tipo de publicação.

    Olha, j, é sexta a noite… Abre uma skoll, na boa.

  11. Carolina Vigna-Marú -

    nonimalmente = nominalmente

  12. jose luiz eugenio -

    Ok! voce tem razão, nossa realidade é difernte ,não é como gostariamos que fosse, mas ha jeito pra tudo não podemos desanimar.
    Boa idéia essa da skol, mas não tomo cerveja, um vinho vai bem!

    Abraço pra voce!
    Eugenio

  13. Carolina Vigna-Marú -

    À sua saúde, então, Eugenio!

    :)

Deixe seu comentário





Selo Audio Jungle
selo theme forest
Selo Camiseteria



Música

2º Ato me fez pensar: será que o Teatro tem força para continuar mágico?

2º Ato me fez pensar: será que o Teatro tem força para continuar mágico?

Trupe circense liderada por Fernando Anitelli teria perdido a mágica em troca de aliterações e versos infinitos, mas sem tanta alma. Em apenas dois momentos sentimos a presença do Entrada para Raros. Mas ainda há esperança, no final, os dispostos se atraem.
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading …

Mais »

Cinema

Você quer saber como eu me transformei num filme perturbador?

Você quer saber como eu me transformei num filme perturbador?

Dilemas e desafios morais. Ser ou não ser, todas as questões acima. O rei sou eu e eu estou nu. Ahm…como dizer…para você. Não, não, meu lápis não vai desaparecer agora, não. Preciso dizer de forma conclusiva que…dilemas, sim, dilemas. O melhor filme do ano?
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading …

Mais »

Livros

Eventos literários fora do eixo Rio e São Paulo são uma boa para novos autores.

Eventos literários fora do eixo Rio e São Paulo são uma boa para novos autores.

Estive na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre e não conseguia parar de pensar sobre como esse negócio de eixo Rio-SP perde o sentido cada dia mais. Com isso em mente, resolvi fazer aqui uma breve e pessoal relação dos eventos que acontecem fora deste eixo.

Mais »

Inspiração

Ilustradores e retocadores de imagens são o foco do FalaFreela#14

Ilustradores e retocadores de imagens são o foco do FalaFreela#14

Quando você recebe uma foto escura, sem foco e detonada qual é a sua reação? a) joga fora e tenta achar outra; b) começa a pensar em usar apenas texto em seu próximo layout; c) scaneia, abre o photoshop e começa a fazer sua magia. Se você respondeu letra “c”, o episódio 14 do Fala Freela foi feito pra você.

Download
Assine no iTunes

Mais »