Como enviar um livro infantil a editora?

Nota introdutória do Editor: Carolina Vigna-Marú responde a todos os e-mails que recebe de nossos leitores. E em cada um deles, vejo material para um post muito bom. E como aqui, no Carreirasolo.org vivemos de conteúdo muito, muito bom; não me furto em publicar versões adaptadas destes e-mails. O post abaixo surgiu da dúvida de uma leitora aqui no Carreirasolo.org sobre como enviar seu livro infantil as Editoras. É uma continuação perfeita ao Como enviar meus originais para análise

My prince
Creative Commons License photo credit: kokopinto

Livro infanto-juvenil é aquilo…

Todo autor quer enviar ilustração junto. A menos que a ilustração seja premiada ou seja imprenscindível para a compreensão do texto, não envie. Deixa o editor escolher o ilustrador. Apenas manda uma cartinha junto, dizendo que você gostaria de apresentar imagens para este texto. Normalmente, uma vez aprovado o texto, os editores acatam as sugestões dos autores, mas são processos separados e você precisa deixar o editor livre para escolher.

O mesmo vale para capas de livros adultos (adultos como em “não-infantis”). O único tipo de livro que não tem problema você enviar as imagens junto é livro técnico e mesmo assim às vezes o editor contrata algum ilustrador ou fotógrafo para melhorar/aumentar a quantidade de imagens.

O tamanho do livro varia muito, mas muito mesmo, até mesmo da escolha da gráfica da editora. Eu já vi, para você ter uma idéia, um mesmo livro (mesmo texto, mesmo autor) ter um ilutrador e um formato em cada edição.

Às vezes a gente faz um projeto em que a imagem faz parte, é uma parte meio que grudada no texto. Se for muito, mas muito mesmo, importante para você que a imagem seja aquela, envie uma xerox colorida de UM ÚNICO exemplo de ilustração com um bilhetinho dizendo que é esta ilustração que você gostaria de PROPOR para aquele texto.

All we need is Type

Agora, seu texto será melhor recebido, honestamente, se for só o texto, sem mais nenhuma informação editorial. Envie apenas o texto, em páginas A4 numeradas, fonte Times New Roman, espaço duplo, corpo (tamanho da fonte) 12. No cabeçalho você coloca o título e no rodapé o seu nome com um telefone e um email de contato. Encaderne de forma simples, em espiral mesmo. Coloque junto uma carta de apresentação (atenção: é junto, não é encadernada no texto!!!!) assim:

Prezado Conselho Editorial,
Encaminho para sua análise o texto em anexo.
Resumo do livro ou comentários que julgar pertinentes (como a apresentação de imagens, por exemplo) – 1 parágrafo de no máximo 5 linhas
Resumo biográfico seu – 1 parágrafo de no máximo 5 linhas
Atenciosamente,
Assinatura
telefone/email

Prontinho. E boa sorte!

Blog Widget by LinkWithin

Publicado em 29/08/2008 às 11:37 na categoria Editorial, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.





105 Comentários para “Como enviar um livro infantil a editora?”

  1. BENEDITO BRAZ MEGALE -

    Olá, tenho um conto infanto-juvenil que traz em suas páginas um linguajar poético e em seu conteúdo mensagens de fundo filosófico. Oque percebo é que todos que o leem se prendem na leitura e não conseguem parar de ler até que terminem.
    Entendi que vc faz as ilustrações. Gostaria de saber, caso um editor se interesse pelo livro, quais as condições normalmente se consegue por isso?
    Por favor, entenda minha curiosidade.. Um forte abraço: Dito Braz

  2. Carolina Vigna-Marú -

    Olá, Benedito!

    Fiquei em dúvida sobre se você queria saber as condições normais para o autor ou para o ilustrador, então vou responder as duas coisas, ok?

    Autor: o percentual do autor varia de 5 a 20%, sendo o mais comum em torno de 10% do preço de capa do livro vendido. 20% é raríssimo e só em casos muito especiais. As livrarias costumam enlouquecer os editores com as datas de fechamento e condições completamente diferentes entre si. Com isso, é muito comum o editor adiantar uma parte em grana para o autor e ir descontando na venda. Então, por exemplo, se a editora te paga mil reais adiantados, só vai tornar a te pagar novamente quando o seu percentual de autor superar os mil reais em vendas. A gente normalmente fala que isso é para beneficiar o autor (e é também) mas a verdade nua e crua é que é para o editor não ficar maluco com a prestação de contas de cada livraria, é mais fácil esperar passar um tempo e fazer a contabilidade geral do que tentar prestar contas mês a mês (tem livrarias que nem fecham mensalmente, por exemplo).

    Ilustrador: Aqui é mais confuso ainda. Existe uma pressão grande por parte das associações de classe que o ilustrador se torne co-autor do livro, ou seja, além de receber pela ilustração ainda receberia um pequeno percentual na venda do livro. Esta é a opinião da esmagadora maioria dos ilustradores e de todas as sociedades e associações de ilustradores no Brasil. Os valores de cada ilustração variam tanto, mas tanto, de acordo com a técnica, com prazo, com quantidade, com contrato, com forma de pagamento, com ilustrador, com… enfim, ilustração é negociada praticamente que livro a livro.

    A minha opinião pessoal é que ilustrador não é co-autor coisíssima nenhuma salvo casos muito raros (como em livros criados a 4 mãos, por exemplo). O ilustrador recebe contra-entrega por seu trabalho, não tem risco algum enquanto o autor escreve sozinho sem saber se o seu trabalho será publicado e tanto o autor quanto o editor trabalham por uma venda cheia de incertezas. Além disso, eu sou da opinião que o ilustrador ilustra e portanto usa por base um texto pré-existente. Agora, preciso te dizer que eu sou minoria e que normalmente os ilustradores caem de pau em cima de mim por causa desta minha posição. Já vou avisando, aliás, que não responderei embates políticos ou filosóficos sobre esta questão aqui nos comentários.

    É muito comum o autor e o ilustrador ser a mesma pessoa e aí é uma questão de negociação caso a caso com a editora.

    Respondi sua pergunta?

    Abração,
    Carol.

  3. sabrina vieira -

    Entáo, no duro, como e que se contrata os prestimos de um ilustrador.? O ilustrador expoe seu interesse e a editora o contrata por tempo determinado para realizar algum projeto especifico? Tenho grande interesse em trabalhar com ilustracao mas nao sei por onde comecar a procurar interessados!

  4. Carolina Vigna-Marú -

    Sabrina,

    Ilustração é, tradicionalmente, um serviço prestado de forma freelance, ou seja, por projeto. O ilustrador normalmente não tem vínculos com as editoras.

    Existem algumas editoras (produtoras de material didático, por ex) que às vezes contratam um ou outro ilustrador “da casa”, com carteira assinada, horário, etc, mas isso é muito raro.

    O normal é a contratação por projeto.

    O editor, depois de selecionar o texto, procura em seu banco de profissionais alguém que ele julga ter afinidade com o texto. Muitas vezes esse alguém pode ser sugerido pelo autor ou ser até o próprio autor, mas são momentos de decisão separados.

    Entrar neste mercado não é tarefa muito simples, principalmente considerando que o Brasil tem ilustradores magníficos que já são velhos conhecidos das editoras.

    O primeiro passo é se apresentar. Entre em contato, se possível por telefone e pergunte para que email mandar a url do seu portfolio online. Peça para ser cadastrada na agenda dos ilustradores, para futuros projetos.

    Relacionamento é a alma do negócio. Não adianta sair mandando email para todas as editoras do país, não funciona. Entre em contato com 2, 3. Gerencie estas. Depois abra mais algumas e assim sucessivamente. É um trabalho árduo e lento, mas é um dos poucos que traz resultados concretos.

    Para os mais endinheirados, vale fazer exposição em galerias, chamar assessoria de imprensa, etc.

    Outra coisa muito legal é participar de concursos. A premiação em um concurso razoável já te dá um “gancho” para entrar em contato com editores e se apresentar de uma forma mais de igual para igual do que passando o chapéu.

    Enfim, Sabrina, infelizmente não tem fórmula mágica.

    Abraços,
    Carolina.

  5. Alexandre Gomes -

    Oi, Carolina!
    Minha dúvida é referente a um concurso literário do qual quero participar. No edital eles solicitam uma formatação de texto similar à que você indicou. Contudo, eles exigem que em cada lauda haja, no máximo, 1.200 caracteres (incluindo os espaços). Mas cada lauda leva, em média, 1.600 caracteres. Estou quase enlouquecendo de tanto alterar o livro e não consigo diminuir o número de caracteres (embora o número de páginas esteja de acordo com o exigido). Pergunto: esses 1.200 caracteres devem ser obedecidos à risca, ou devem ser considerados apenas como mera referência?

  6. Carolina Vigna-Marú -

    Oi, Alexandre!

    Olha, esse negócio de lauda é engraçado. Pode, na verdade, variar de pouco mais de 800 até quase 2000 caracteres se a gente considerar lauda jornalística, lauda literária, lauda de tradução, com ou sem espaços… É confuso mesmo. Normalmente quando me falam algo em lauda a pergunta imediata é “lauda de quanto?”.

    Concursos costumam ser bastante rígidos quanto a isso. Se eu estivesse no seu lugar, não arriscaria. Especialmente se for um concurso literário importante e grande como o Barco a Vapor.

    Agora, nada te impede de manter a versão “sem cortes” para as editoras e enviar outra para o concurso. Eu sei como dói fazer essa edição.

    Abração e boa sorte!
    Carolina

  7. jose luiz eugenio -

    Olá, voce não pode desanimar o pessoal que quer entrar no mercado de livros desta maneira, discordo em número e gráu de todos os seus comentários.Veja, eu sou ilustrador e autor e me dou muito bem com as editoras,eu escrevo, ilustro, faço design gráfico do livro, peço a ficha catalográfica, mando pra editora sem problema algum, olha, quem quer escrever ou ilustrar, é só ser bom horiginal e acreditar, as coisas não são tão dificeis assim. Pessoal vá em frente, voces conseguem, é só acreditar os editores brasileiros são ruins? são. então façam tudo sozinhos, voces sabem que existe aquela famosa máfia. abraço.

  8. Carolina Vigna-Marú -

    Caro Jose Luiz Eugenio,

    Bom, não vejo meus comentários como pessimistas ou desanimadores.

    E os editores brasileiros não são ruins. Qualquer um que sobrevive dignamente neste mercado, onde metade do preço de capa vai para o distribuidor e a margem de lucro de um produto que quase não vende e tem muita concorrência normalmente não passa de 15% é, no mínimo, um herói.

    É um mercado difícil, Jose Luiz, e eu não vou enganar ninguém. É claro que é possível viver do mercado editorial no Brasil. Assim como é possível viver de internet ou de qualquer outra coisa, mas isso não significa que seja simples ou muito menos fácil.

    Não sei muito bem a que máfia você se refere. Neste meio existem duas, a do papel e a da distribuição. O resto todo é competitivo, segmentado e pulverizado (e extremamente desorganizado!).

    O mercado infanto-juvenil (que tem seu centro em Minas Gerais, e não no eixo Rio-SP) é um pouco menos cruel e mais aberto a novidades, mas esta não é, em absoluto, a regra.

    Quando comento algo, procuro sempre ser o mais generalista possível aqui no Carreira Solo. É claro que existem exceções para tudo na vida, mas o normal não é fácil, não é simples e o “façam tudo sozinhos” costuma ser mal visto pelo mercado.

    Agora, novamente, na maioria dos casos. É claro que sempre existirá um novo Alê Abreu (felizmente!).

    Abraços,
    Carolina.

  9. j -

    Eu sei que digitei original errado, foi de propósito,vai cair de pau em cima de min?, todos aqui nesta terra podem ser o que quiserem sem precisar de empressas que só querem travar o sonho dos outros, As editoras podam e aniquilam os novos talentos.Setenta por cento dos livros expostos em livrarias são estrangeiros,enquanto que os artistas Brasileiros são tratados desta maneira, ora pelo amor de Deus voce precisa dar idéias, e mostrar o caminho, pare com isso de normas e leis criadas para favorecer a Deus sabe quem.

  10. Carolina Vigna-Marú -

    j,

    Desculpe, não entendi.

    1 – Não cai de pau em cima de você.

    2 – A quantidade massacrante de autores estrangeiros no Brasil é um problema sim. Faz parte do problema, aliás.

    3 – Eu me esforço para dar idéias e mostrar caminhos e isto não é sinônimo de esconder dificuldades. Se você quer realmente ajudar, mostre onde estão as dificuldades no caminho, para que a pessoa esteja preparada para elas e saiba lidar com elas. De nada adianta eu passar uma falsa idéia de que o mundo é rosa. O mundo não é rosa, sinto muito.

    4 – Normas e leis? Do que você está falando?

    5 – favorecer a Deus sabe quem? Como assim? Eu NUNCA cito editoras nonimalmente aqui, justamente para não favorecer ou prejudicar ninguém. Tento, inclusive, sequer me ater a um único tipo de publicação.

    Olha, j, é sexta a noite… Abre uma skoll, na boa.

  11. Carolina Vigna-Marú -

    nonimalmente = nominalmente

  12. jose luiz eugenio -

    Ok! voce tem razão, nossa realidade é difernte ,não é como gostariamos que fosse, mas ha jeito pra tudo não podemos desanimar.
    Boa idéia essa da skol, mas não tomo cerveja, um vinho vai bem!

    Abraço pra voce!
    Eugenio

  13. Carolina Vigna-Marú -

    À sua saúde, então, Eugenio!

    :)

  14. Eulene -

    Olá Carolina, é preciso registrar a autoria do texto antes de enviar os originais? Podemos mandar vários originais ao mesmo tempo para diversas editoras? Qual é normalmente o prazo para que as editoras dêem retorno sobre o texto?
    Obrigada!

  15. Carolina Vigna-Marú -

    Oi, Eulene!

    Não precisa registrar antes, pode mandar vários originais ao mesmo tempo (mas manda separado, em envelopes separados) e normalmente o prazo fica em torno de 3 a 4 meses.

    Boa sorte!

  16. Renato -

    Concordo com a Carolina,essa história de o “ilustrador ser co-autor da obra” é uma forçação de barra tremenda.
    O Ilustrador recebe as idéias e até lê a história e conversa com o autor e com a editora para chegar a uma ilustração que agrade a todos,e só.
    .
    O ilustrador seria “co-autor” se ele ajudasse a escrever o livro,ou a criar os personagens.
    .
    Breve meu blog estará no ar,abraços a você Carolina.

  17. Carolina Vigna-Marú -

    Obrigada, Renato!

    É muito raro (e gratificante) encontrar alguém que concorde comigo neste ponto.

    Um forte abraço,
    Carolina.

  18. Thais Linhares -

    Querida Carolina, como ilustradora (escritora e também editora) venho esclarecer alguns pontos equivocadíssimos colocados aqui.

    O ilsutrador é autor sim. Protegido por Lei. Tanto é assim que para ter qualquer criação sua publicada é obrigatório o Contrato de Licenciamento de Direitos Autorais. Ele não é prestador de serviços, portanto não pode gozar dos mecanismos de proteção do mesmo (é, um prestador de serviço, não poderia, por exemplo praticar “cessão integral”, o que seria caracterizado como serviço continuado). Em contrapartida ele tem as mesmíssimas proteções de direitos do escritor, do coreógrafo, do intérprete musical… O fato de a ilustração ter sua criação impulsionada por um texto não a torna menos autoral que o próprio texto (este, muitas vezes tb se inspirou em obra anterior, e não é tão raro termos textos criados a partir de imagens). O fato do ilustrador “não participar do risco do negócio”duas razões: como é criação “on demand” o editor precisa que ele esteja a disposição integralmente do processo, em geral ilustradores não tem profissoes paralelas tradicionais como alguns escritores tem, justamente p poderem cumprir os prazos restritos dos editores. Se eu pudesse trabalhar “no meu tempo” em meus projetos pessoais (aliás, faço isso…) o recebimento dos Direitos Autorais poderia ser pingadinho, como nos escritores. A segunda razão é que a Lei entende que cabe ao EDITOR o risco do negócio. Logo, o certo seria o ESCRITOR pedir também seus direitos na forma de adiantamento.
    O que os ilustradores reclama, e com direito, é que sejam obrigados por pura pressao economica a cederem de forma universal suas ilustrações, que não raro vão formar bancos de imagens que irão tirar trabalho futuro do próprio ilustrador de cedeu a imagem. Imagine isso acontecendo com todod os autores, ibclusive os escritores! Seria o fim da profissão, e de fato, esse tipo de relação massacrante prejudica e muito uma carreira de ilustrador (podemos extender ao design gráfico, inclusive).
    É muito comum fazer como você fez, confundindo e dizendo que o ilustrador não é co-autor. De fato ele não é co-autor do TEXTO assim como o escritor não é co-autor da IMAGEM, e cabe apenas ao ilustrador gerir o uso de suas criações juntamente com o editor (ou outro parceiro no mercado de livros, posteres, embalagens, por aí vai).
    Negar ao ilustrador direitos garantido s a uns 200 anos pelo menos revela uma grau de ignorância que infelizmente é comum até mesmo entre EDITORES!!!!
    Não raro vemos problemas que brecam a publicação de livros e geramm mal estar entre as partes, o que não ocorreria se apenas os envolvidos procurassem se informar melhor sobre as Lei e licenciamentos.

    Abração, não deixe de ler
    http://www.oguiadoilustrador.com.br

    http://www.abipro.org.br

    http://www.aeilij.org.br

  19. Thais Linhares -

    OOps, perdão pelos erros de portuga! Ah… pressa maldita de sair antes da chuva… Já foi, tá caindo canivetes!

  20. Carolina Vigna-Marú -

    Thais,

    Como disse anteriormente, nao vou debater o tema aqui.

    Esta é uma interpretação. Eu tenho outra. Não é confusão, não é erro, não existe apenas uma verdade. Eu sei muito bem a diferença entre texto e ilustração. Existem casos, é óbvio (como HQs, por exemplo) em que o ilustrador é co-autor sim. Na maioria, entretanto, o ilustrador presta um serviço ao texto. E isso não tem nenhuma relação com direitos autorais, inalienáveis e intransferíveis. É CLARO que o ilustrador tem direito autoral mas isso não faz dele um co-autor. Faz dele o autor das ilustrações, não co-autor do livro.

    De toda forma, eu realmente não vou ficar discutindo este assunto aqui. Esta é a minha opinião, apenas isso.

    Sorte e sucesso a todos,
    Carolina.

  21. Thais Linhares -

    Compare o trecho escrito por mim:

    “É muito comum fazer como você fez, confundindo e dizendo que o ilustrador não é co-autor. De fato ele não é co-autor do TEXTO assim como o escritor não é co-autor da IMAGEM”

    Com este escrito por você:

    “Faz dele o autor das ilustrações”.

    Tirando a parte em que o retira como um dos autores de conteúdo do livro, tudo, ok.

    Porém, não coloquei aqui minha opinião. Coloquei fato estabelecido em lei e em mercado. Dizer que o que escreveu é sua oinião não a valida em termos reais. Apenas ressalta que precisa conhecer mais sobre a edição de obras criativas (como ilustração) antes de tecer opiniões, sob o risco óbvio de cometer equívocos, como foi o caso.
    Apenas se informe melhor, comece por artigos da própria Internet (ao alcance de seus dedos) e se interessar se aprofundar mais para assim poder embasar melhor suas opiniões, participe dos Fóruns de Direitos Autorais, e cursos da FGV, estão à disposição de todo cidadão, eu tratei de freqüentá-los, em paralelo com consultas a diversos advogados e colegas que já se envolveram em litígios.
    Não é raro que pessoas já estabelecidas no mercado se confundam sobre os Direitos Autorais do Ilustrador (isso acontece até em outras áreas…) ainda o encarando como prestador de serviço. Ele não o é. A ilustração é obra original, criação do espírito humano, etc. Sequer é considerada obra derivada (como a tradução, que também tem direitos autorais, e também responde com contrato de DAs!)
    Como editor, ele deve cuidar de estabelecer contratos onde se prime pelo equilíbrio entre as partes. Se um lado se sentir por demais lesado, como por exemplo em uma cessão universal sem a devida remuneração, ele pode recorrer em juízo. Logo o ideal é sempre garantir a boa relação contratual.
    Como escritora, que também sou, se entrego meu texto na mão de um ilustrador, entendo ele como um parceiro dentro da obra impressa. Um autor autônomo, que pode não ter interferido em meu texto, mas é um co-autor da obra impressa, ou seja o livro. Passa a ser “nosso”livro e quero ele comigo nas tardes de autógrafo, assim como participei de tantas como autora das ilustrações. Se fosse um balé, e eu tivesse escrito a música, haveria ainda de precisar do coreógrafo, da figurinista, da bailarina. Todos tem direitos autorais. Pasme, até a rede de TV que transmitir os tem (ver direitos conexos).
    Abraços e sucesso em sua busca.

  22. Carolina Vigna-Marú -

    Thais,
    É ÓBVIO que o ilustrador é autor de sua imagem e que ilustração é um trabalho autoral a serviço do texto, assim como redatores contratados também são autores de seus textos, mesmo que sob encomenda.
    A questão é que eu não concordo que o ilustrador seja co-autor do livro por uma série de motivos.
    Mas claro, você é detentora da razão e eu devo buscar me informar para concordar contigo, única conclusão lógica de informações disponíveis em associações de classe e organizações que – ooooh – defendem o seu ponto de vista. Interessante esta lógica.
    Autor do livro é quem cria o conteúdo sem o qual o livro não existe. Ilustrador (na maioria dos casos) ilustra. O ilustrador apenas seria co-autor se o seu trabalho não pudesse ser substituído.
    Daqui a pouco vão querer que o diagramador seja co-autor de livro também, é tudo que falta.
    Encerro – de minha parte, naturalmente – o debate que já foi além do que considero razoável para este veículo.
    Abraços

  23. Carolina Vigna-Marú -

    Adendo, que faltou (encerro mesmo, agora): em NENHUM momento eu disse ou sugeri que o ilustrador não tem direito autoral. Ele o tem sobre suas imagens, não sobre o livro. O livro é do autor, que o escreveu. Não é do ilustrador, não é da editora, não é do diagramador, não é da gráfica, não é da livraria e nem do leitor. O livro é do autor. Encerro.

  24. Thais Linhares -

    Ok, troquemos opiniões por fatos: se o livro fosse do escritor, e apenas do escritor não haveria necessidade de nenhum tipo de contrato com ilustrador, e ele mesmo seria encarregado da comercialização. Mas, creio que o erro aqui é apenas na escolha da palavra correta.
    Troque LIVRO por TEXTO que ficará perfeito.
    O TEXTO é do autor. Ele entrega seu texto para um editor que irá criar uma edição, onde outras pessoas que não o escritor irão criar: projeto gráfico, diagramação, ilustração e o que mais for interessante de forma a tornar o LIVRO mais agradável esteticamente. Interessante ressaltar o valor do copydesk, um auxílio a não se rejeitar e que influi diretamente na qualidade do LIVRO, ainda se tentarmos ignorar a importância que tal procedimento já provou em certos textos.
    O livro não é sequer produzido pelo escritor. Ele entrega uma pilha de papéis, ou arquivo de word. Daí vai para a mão e criatividade de outrem. Até virar livro… um longo caminho a ser percorrido, e muitas mãos a contribuir.

    Para pensar:

    O livro Magnólia foi criado pelo Rui de Oliveira na forma de imagens, que então convidou sua colega Luciana Savaget para “ilustrar”(no sentido de tornar esteticamente mais agradável) com suas palavras e assim nasceu um livro em que as imagens inspiraram o texto e não o contrário. Segundo sua opinião, o LIVRO é de autoria exclusiva do Rui. E a Luciana, que maldade, apenas prestou um serviço… Bem, como nenhum dos dois compartilha sua opinião, ambos se consideram autores do livro. Um fez a imagem, outro fez o texto. Ficou lindo e tem até site com animação, do Rui é claro.
    Abração autoral, Thais.

  25. Carolina Vigna-Marú -

    Ai meu deus isso não vai ter fim… Mas sim, o livro que vc citou é de autoria do Rui. O livro é de autoria seu criador. Conheço outros inúmeros casos em que o texto foi feito a partir da imagem e não o contrário. E, como eu disse, existem casos – como esse – em que o ilustrador é autor sim. Apenas não é a regra.

    E ah, não sei se vc sabe mas a gente faz contrato com gráfica também. E com diagramador também. E com distribuidor! De acordo com a sua lógica, eles também são autores do livro. E ser autor do livro não é sinônimo de comercializá-lo. O ilustrador ser autor do livro significa, por exemplo, ele ter direito a percentuais em cima de novas edições onde não constam imagens suas (com outro ilustrador), o que é absurdo naturalmente.

    É ÓBVIO que o ilustrador deve receber pelos direitos autorais do seu trabalho. Isso NÃO é a mesma coisa que ser autor do livro. O ilustrador tem direitos autorais sobre aquela edição, não sobre a obra.

    Ai, chega né? Cansei, de verdade. Vamos abrir uma skoll? Além do que, detesto esse negócio de falar – mea culpa que encerra e voltar e responder mais alguma coisa. Perdoem.

  26. Thais Linhares -

    Pois, perdão, acredite que não se trata de ter a última palavra, mas a forma como coloca as coisas pode levar às pessoas ao erro. E isso, no meu entender não é nada legal. Sim, fazemos contrato com gráfica, com revenda, com TV à Cabo. Mas não é do mesmo tipo que fazemos com o ilustrador. Como um ilustrador é autor, ele assina o Contrato de Licenciamento, ou Cessão, o de edição… de Direitos Autorais.
    Não sei se percebeu, basta ler minha mensagem anterior. Que está construindo com português errado. O escritor é autor do texto, e não do livro. Quando você diz: ele é autor do livro “Tal” está simplesmente fazendo uso de uma figura de linguagem chamada Metonímia. Da mesma forma podería um ilustrador falar (e costumam falar mesmo): meu livro… Ou o editor… ou o tradutor que nele trabalhou. Mas o conjunto da obra impressa… não é apenas do escritor. Para tanto ele teria ter de criado a capa… as imagens… Entendeu agora? Não se trata de quem “chegou primeiro”…rs.
    O ilustrador pode escolher como quer receber seus direitos autorais. Se na forma de um adiantamento (o mais comum, ver o porquê disso em minhas msgs anteriores), em percentual, ou um misto dos dois. O essencial é que não faça cessão universal, porque sairá muito prejudicado e não há como se justificar isso a não ser por pressão econômica – pois infelizmente os grandes grupos editoriais eminentemente comerciais usam de toda pressão para obrigar a cessão integral e assim formar bancos de imagens. Alguns desses estão empurrando os escritores para o mesmo buraco, querendo diminuir o percentual de 10% para até 6% como denunciado em nossos grupos de discussão e associações.
    Mas , para verdadeiramente encerrar essa troca eterna sugiro aos interessados que se informem na FONTE, procurem o Escritório de Direitos Autorias, a Biblioteca Nacional a AEILIJ (www.aeilij.org,br) a ABIPRO (www.abipro.org.com) a SIB (www.sib.com.br) o http://www.guiadoilustrador.com.br e demais associações (a argentina, a espanhola e a norte-americana tem farto material e estão todas submetida à mesma convenção internacional de direitos autorais, a Convenção de Berna – estudar isso também). Indo direto na FONTE vai ajudar um bucado e mostrar coisas novas e bem interessantes). E,claro , leiam na íntegra a Lei dos Direitos Autorais (tecle e achem).
    Um site excelente para ver sobre contratos de profissionais de ilustração é o http://www.montalvomachado.com.br

    Ao invés de skol sugiro mesmo um belo suco, para manter a mente alerta e a criatividade à toda, abração,
    Thais.

  27. Thais Linhares -

    “Ilustrador: Aqui é mais confuso ainda. Existe uma pressão grande por parte das associações de classe que o ilustrador se torne co-autor do livro, ou seja, além de receber pela ilustração ainda receberia um pequeno percentual na venda do livro. ”

    O justo, que qualquer autor quer (seja de uma música ou de uma foto, etc) é participar do lucro auferido com sua arte.
    Meu Deus! QUEM disse que tem ilustrador doido o suficiente para ganhar em livro onde ele não é co-autor, ou seja onde a ilustração inexiste ou é de outro colega???Onde você achou um doido assim???
    E não queremos ficar em casa chupando o dedo enquanto outro enriquece comercializando nossas criações (às vezes até mesmo re-utilizando as imagens em outros livros sem nos avisar!!!). É POR ISSO que nós, ilustradores somos tão “chatos”. A gente quer apenas o que é nosso de direito (mais uma vez… ler a Lei…). E é difícil entender que alguém defenda argumentos em contrário.

    O erro em seu texto acima é que nós não recebemos pela ilustração, recebemos pelo seu licenciamento. Engraçado é que quando um fotógrafo de esquina avisa ao cliente que não pode usar sua foto comercialmente todo mundo entende… O ECAD invade até festinha de aniversário para parar a banda e está tudo bem… Mas ainda há quem não entende que ilustrador é AUTOR, e que pode, e deve, participar dos lucros igualzinho ao escritor, seu PARCEIRO (ou co-autor, para quem preferir construir assim) dentro do livro. Mas, para entender isso de fato, há de se permitir uma mente criativa.
    Elvira, com todo respeito, não se trata de rebater o que EU digo, nem de ir contra o que é defendido por três associações nacionais (uma delas de escritores também!!!) você está refutando o sistema legal brasileiro!!!! ÔH difícil!
    Well, mas se vai ficar nessa, ok, boa sorte.
    Abração, pelo menos foi divertido e foi uma chance de passar informação pra galera sobre as Leis – vindo de alguém que trabalha com elas e participa ativamente de 3 associações onde o assunto é debatido (quantas vezes for necessário e com franqueado à todos os interessados, pois que venham…).

  28. Carolina Vigna-Marú -

    Elvira?
    Muito me lisonjeia que você tenha me confundido com a minha mãe mas não, infelizmente não tenho nem um décimo do gabarito dela. Um dia quem, sabe, chego lá…
    (não vou continuar o debate, de fato)
    []s
    CAROLINA Vigna-MARÚ

  29. Nayara -

    minha prima tem apanas 6 anos e adora nventar historias além de escrever também inlustra como faço para enviar a uma editora infantil?

  30. Carolina Vigna-Marú -

    Nayara,

    Não conheço nenhuma editora que aceite publicar textos de menores de idade, infelizmente.

    Naturalmente, isso não significa que não exista, apenas que eu não conheço.

    Abraços,
    Carolina.

  31. Montalvo Machado -

    Caras Carolina e Thaís

    Lendo os textos de ambas, não posso deixar de expressar meu ponto de vista. Desculpem se o assunto já está desgastado para vocês, mas ainda não está para mim.

    Conheço e respeito o trabalho das duas, e as tenho como referência profissional há muitos anos.

    Neste caso específico, tenho um ponto de vista bastante simples, quase simplista: O escritor é o autor único de seus livros quando estes não necessitam de um parceiro para existirem.

    Se o livro é ilustrado, torna-se IMPOSSÍVEL ser autor único, a não ser que o próprio escritor faça as ilustrações, como é o caso do Cárcamo, nos livros de sua própria (e dupla) autoria, escrevendo e ilustrando a obra.

    Livro ilustrado é um termo auto-explicativo, e esta categoria literária não existe sem ilustrações.

    Fundamentado nesta lógica é que o ilustrador se torna co-autor, porque sem ele o livro não seria apenas inviável, ele simplesmente não existiria.

    É um fato concreto, não há o que questionar ou debater neste assunto, um livro ilustrado depende integralmente da parceria com um ilustrador, portanto ele se torna co-autor da obra, com direitos a créditos na capa, e os mesmos destaques que o escritor nas orelhas do livro, uma vez que sem ele, a obra não se materializaria.

    Ilustrador é o autor das imagens, co-autor da obra finalizada.

    Pena que alguns escritores, editoras e livrarias o considerem algo menor, um mero lubrificante.

    É lamentável que seu nome não esteja catalogado juntamente com o escritor, e sinto muito que os ilustradores não tenham adquirido o merecido respeito na cadeia produtiva do mercado.

    Mas a culpa é nossa, muitos ilustradores não sabem respeitar a si mesmos e não tem noção de quanto são absolutamente vitais para a existência de um mercado milionário, talvez bilionário, considerando o mundo todo como referencial.

    Sem eles, a literatura seria restrita a livros de texto corrido, sem imagens ilustrativas.

    Em um mundo sem ilustrações, a literatura infantil e infanto-juvenil seria uma abstração surreal e o ensino formal seria… inimaginável.

    Os autores visuais jamais serão mais (nem menos) importantes que os escritores no mercado de literatura ilustrada, eles são apenas indispensáveis.

    Abraços às duas.

    Montalvo

  32. Carolina Vigna-Marú -

    Caríssimo Montalvo,

    Antes de mais nada, preciso registrar a minha profunda admiração por você.

    Concordo em muito do que disse.

    O meu ponto de vista é simples, na verdade: o ilustrador receber por tarefa *e* um percentual de direito autoral o coloca em uma posição de importância maior que o autor, que recebe apenas o percentual de autor. E isto, IMHO, é um absurdo.

    O dinheiro que o autor (texto) recebe no ato da publicação é um adiantamento de seu percentual de venda, não é um pagamento por serviço prestado.

    O dinheiro que o ilustrador recebe no ato da publicação é um pagamento por serviço prestado.
    Antigamente (sou velha), o ilustrador podia inclusive optar se preferia receber como serviço prestado *ou* um percentual depois. Lembra disso?

    Lutamos por anos a fio para sermos reconhecidos como prestadores de serviço – que somos – e agora a classe parece arrependida (ou quer ser mais que o autor).

    Eu sou ilustradora. Eu quero receber na hora em que entrego o meu trabalho. Isso não significa que eu abra mão de meus direitos, que o editor possa re-imprimir o meu trabalho à vontade ou usá-lo para outros fins. Isso não faz de mim autora do livro, faz de mim autora das ilustrações.

    Agora, claro, não estou falando de quadrinhos ou outros tipos de livros em que a *criação* é feita em conjunto. Refiro-me ao padrãozinho clássico de receber um texto para ilustrar já pronto. O bom senso precisa imperar sempre. Conheço casos (um da minha mãe inclusive) de livros que foram escritos a partir da ilustração, não o contrário. Aí é óbvio que o ilustrador é o autor.

    Sem dúvida alguma ainda temos muito pelo que lutar. O nome do ilustrador precisa constar da ficha catalográfica sim.

    Acho que na verdade concordamos, com “profundidades” diferentes. Logo no início do seu comentário você diz: “O escritor é o autor único de seus livros quando estes não necessitam de um parceiro para existirem”. A questão é que a maioria dos livros ilustrados são assim. Os livros da Lygia Bojunga Nunes, só para citar um exemplo, foram editados inúmeras vezes com ilustradores diferentes. Ou seja: o ilustrador não é parte indissociável do texto.

    O ilustrador é fundamental? Claro que é! Isso não faz dele superior ao autor (e receber mais que o autor faz com que ele – mercadologicamente falando – ganhe um peso maior).

    O livro pode, de fato, não existir sem o ilustrador, mas pode, na maioria das vezes, (exemplos não faltam) existir com ilustradores diferentes o que, por si só, já caracteriza o papel do ilustrador.

    Um forte abraço,
    Carolina (sua fã)

  33. Montalvo Machado -

    Oi Carolina,

    A admiração é mutua (viximaria, mutua tem acento ou não?), obrigado pela gentileza das palavras, e pela resposta rápida.

    O mercado editorial infelizmente está minguando, com valores pagos cada vez menores aos criadores da obra, e sob o peso da mão gigante dos contratos nos batendo cada vez mais forte.

    E ainda assim os ilustradores são chamados de “sortudos” por escritores e editores, por receber contra-entrega, mesmo que seja uma micharia.

    Afinal, eles devem pensar que vivem de luz estes seres quase divinos, trabalhando por amor, em nome da Arte…

    Triste e dolorosamente real.

    E sobre tudo isto, a questão autoral. É na verdade uma questão mais de dignidade ferida do que jurídica ou financeira, uma vez que a legislação não é tão clara como gostaríamos neste aspecto.

    Como eu disse, o ilustrador não é mais (nem menos) importante que o autor, e mesmo a obra reimpressa com outros artistas não o faz “sócio” do escritor. Ele é um parceiro de negócios em cada livro publicado onde os dois realizaram uma obra em comum, cada um executando a sua parte, seu trabalho, sua Arte.

    Concordo quando diz que o ilustrador não é parte indissociável do texto original, mas o é de cada obra publicada.

    E um ponto extremamente importante, que eu já levantei em uma reunião da AEILIJ, é que a fatia dos direitos do ilustrador sobre a obra JAMAIS deve ser extraída da fatia do escritor.

    Nunca, de forma alguma, queremos dividir com o escritor a parte que lhe cabe, ou receber dele algum valor financeiro.

    A porcentagem do ilustrador deve vir dos outros 90% do borderô daquela obra, assunto que faz os editores espumarem pela boca e soltarem relâmpagos pelos olhos.

    Pagam 50% aos distribuidores, que nem sabem o que vai dentro das caixas, e se recusam a pagar 5% a quem criou a identidade visual, a alavanca de vendas da obra?

    Não, isto não é aceitável e não é negociável.

    Não temos a pretensão de receber os mesmos valores do escritor, é claro. Que sejam 2%, talvez 5%, além do valor quase simbólico pago pelas artes na contra-entrega.

    Isto nos faz “sortudos”? Não, absolutamente.

    Isto nos faz profissionais comissionados, chamados com uma tarefa, um prazo de entrega e um valor a receber, volto a dizer, da EDITORA.

    Enfim, por mais bem intencionado ou vigoroso que eu seja nesta questão, sei que não sou capaz de fazer nem marola no que já está estabelecido no mercado.

    A briga é de cachorro grande, as cifras são enormes, e a gente só quer receber 1000 reais por capa e 500 por página inteira. Mas é muito, aos olhos dos editores.

    E toca ilustrador fazendo capa por 200 reais e 40 pilas por “ilustra” interna.

    E ainda são chamados de “sortudos”…

    Não vou remover a montanha do caminho, mas continuo empurrando.

    Abraços,

    Montalvo

  34. Carolina Vigna-Marú -

    Montalvo,

    Obrigada você por comentários tão bem estruturados e claros, que possibilitam o debate saudável.

    (eu não faço a mínima idéia se mutuo tem acento ou não, estou perdidinha com essa reforma sem sentido)

    Só para não deixar uma idéia errada, em nenhum momento eu disse (ou achei) que ilustradores são sortudos ou que a parcela deve vir do autor.

    Devemos lutar sempre por melhores condições de trabalho e isso inclui preços melhores para nossos serviços. 500 reais por uma ilustração que muitas vezes custou isso só de material é um ultraje.

    O fato de eu achar que o ilustrador não é co-autor não significa, em absoluto, que veja nossa profissão como menor importância ou sem função.

    Acredito que muitas vezes o ilustrador se confunde com o papel de artista. Profissionais como o magnífico Cárcamo citado por você são as 2 (3, 4, 5, N) coisas ao mesmo tempo. É artista-criador, autor, ilustrador, gênio. Entretanto, assim como não temos a mesma postura quando falamos com nossos filhos ou com o atendente de telemarketing, precisamos saber nos posicionar de acordo com o caso.

    Novamente (porque isso é importante no meu raciocínio), falo do caso típico de receber um texto pronto para ilustrar. O ilustrador serve ao texto, não o contrário. Assim como o designer de interiores serve à arquitetura ou como o ator serve ao roteiro. São – todos – partes importantíssimas e sine qua non do processo, mas o ator não é roteirista, o designer de interiores não é arquiteto e o ilustrador não é autor.

    Assim como você, luto por melhores condições de trabalho. Quero receber dignamente por meu trabalho e ter contratos de licenciamento de imagem dignos e justos. Quero, por exemplo, ser informada quando um trabalho meu vai para a Feira de Bologna e não descobrir 2 anos depois (aconteceu comigo no ano passado, pasme). Quero ser tratada como uma especialista – que sou – na minha área de atuação. Quero que o *&&^%%$# do editor não coloque um “tonzinho pastel” na ilustração que fiz com cores primárias de propósito para “não ficar branco” (aconteceu… 2). Quero ter minha voz ouvida no que diz respeito a todo visual do livro (estudei anos da minha vida para isso e continuo me aprimorando sempre). Quero que tanto o autor quanto o editor reconheçam que os traços são diferentes e que não adianta ele me pedir para fazer “igualzinho a fulano” (peça para fulano, porcaria! – aconteceu… 3). Não quero ouvir coisas como “é no computador, é rapidinho” (aconteceu… 4). Quero que quando eu diga que o texto não pode ir em cima do rosto da personagem (aconteceu… 5) isso seja compreendido e não descartado como algo irrelevante. Quero que o quadrúpede do diagramador não aplique “um efeitinho” na minha ilustração (aconteceu… 6). Quero muita coisa, muita mesmo.

    Não quero ser co-autora do livro. O livro é do autor. Não é do editor, não é do ilustrador, não é do distribuidor, não é do livreiro.

    O livro muda de ilustrador, de editora, de formato, de idioma e continua sendo do autor.

    Mas tudo isso sou eu, que estou muito, muito, muito longe de ser uma unanimidade.

    Fica aqui registrado preto no branco (“amarelinho”, na verdade) o meu total e irrestrito respeito a você, sua história e suas posições.

    Fortíssimo abraço.

  35. Montalvo Machado -

    Obrigado Carolina,

    Apenas para esclarecer o que deixei meio em aberto na última mensagem, o termo “sortudo” ficou entalado na minha garganda desde que um editor disse isto em uma lista, há anos atrás.

    O lance da nossa porcentagem não vir da fatia do escritor é uma coisa que repito sempre, só pra deixar claro um ponto de vista, que às vezes não fica muito claro.

    Não concordamos sobre a co-autoria, mas nem por isto deixo de respeitar o seu ponto de vista.

    Voltaire ficaria orgulhoso se pudesse ler esta frase, ou talvez me processasse por plágio, hehehe.

    Novamente agradeço as suas palavras, e jogo o meu último punhado de confete pra você, antes que os leitores reclamem da rasgação de seda.

    Abração.

  36. Carolina Vigna-Marú -

    Montalvo,

    Desculpe a demora em responder. Esses dias foram meio enlouquecedores.

    Minha admiração por você só aumenta.

    E (neste ponto concordamos, viva Voltaire!) também respeito – e muito – a sua opinião e defenderei até o fim dos meus dias os nossos direitos de expressão.

    Um grande abraço,
    Carolina, sua fã.

  37. Renato mehedin -

    Olá.

    Meu blog já está no ar,coloquei em outros lugares também,o link tá no próprio blog,espero que gostem.

    O Ilustrador tem sua participação sim,mas ser co-autor é demais,seria co-autor se ele ajudasse a escrever o livro.
    É claro que a participação do ilustrador é importante,mas cada macaco no seu galho.

  38. Azzevedo Filho -

    Carolina,

    Em primeiro lugar queria apenas deixar claro o que muitas mensagens que li aqui já disseram: Você é fantástica!
    Seria um prazer poder debater alguns assuntos pessoalmente com você, pois acho que como poucas pessoas, você tem uma mente abertíssima e se expreessa maravilhosamente…
    Puxação sincera de saco à parte, me ajude a publicar um romance que estou acabando de escrever? Onde posso patenteá-lo? Onde encontro endereços para enviá-lo às editoras para análise? Ajude-me e nunca me esquecerei de você, pois favor só se paga com favor!

  39. Azzevedo Filho -

    E trate de perdoar os meus erros…

  40. Montalvo Machado -

    Renato,

    Sei que vai parecer redundante, já escrevi detalhadamente sobre o que penso, mas talvez ainda não tenha sido suficientemente claro.

    É óbvio que o ilustrador não ajuda o escritor a escrever a obra, ele faz com que o universo imaginário do texto escrito tenha uma contrapartida visual, sendo por todos os méritos o autor das imagens, co-autor de um livro ILUSTRADO.

    Sem o ilustrador a obra não estaria na estante LIVROS ILUSTRADOS.

    Sem o ilustrador não existe LITERATURA ILUSTRADA.

    Será que se pode conceber uma categoria literária tão importante sem a co-autoria dos ilustradores com seus parceiros de trabalho, os escritores?

    Ambos são pais da mesma criança: o Livro Ilustrado.

    Concordo com você quando diz: “cada macaco no seu galho”. O escritor que não precisa de co-autor pode ilustrar a própria obra ou escrever um livro de literatura convencional, só com textos. Se a obra é ILUSTRADA, ele depende de um co-autor, ou o livro não sai.

    Simples assim.

    Abraços,

    Montalvo

  41. Carolina Vigna-Marú -

    Azzevedo,

    Obrigada pelo gentil comentário!

    Vamos lá… É bobagem registrar o livro antes de ser aprovado. É muito comum que o livro ganhe novas versões e/ou revisões depois de aprovado e isso dificulta o trabalho do editor (sem falar no recado alto e claro de que não existe relação de confiança). Faz o seguinte: manda para você mesmo o seu original em um envelope lacrado e não abre, a data do correio serve como prova em tribunal no caso de algum problema.

    Endereços:
    SNEL – http://www.snel.org.br/ui/associado/listaAssociado.aspx
    CBL – http://www.cbl.org.br/telas/cbl/associados.aspx

    Antes de mandar, visite o site das editoras para encontrar aquelas que tem linhas editoriais parecidas com o romance que você escreveu. É perda de tempo e energia enviar textos para editoras que tradicionalmente não publicam aquele gênero.

    E, claro boa sorte e me convide para o lançamento!

    Abração,
    Carolina.

  42. jose luiz eugenio -

    Thais versus Carolina, muito bom o diálogo, gostei e aprendi muita coisa, mas na minha humilde opinião,alguém ai ficou um pouco perdido, e adivinhe quem foi?

    José Luiz

  43. Carolina Vigna-Marú -

    Caro José Luiz Eugenio,

    A comunicação escrita, principalmente esta mais rápida de internet, não tem tom de voz e uma série de outros recursos que nos auxiliam compreender o outro melhor.

    Aparentemente, quem ficou perdido fui eu, com os seus comentários.

    A Thais é profissional e tem o seu ponto de vista. Nossos pontos de vista são opostos mas isto não significa, em absoluto, que eu não respeite o que ela diz.

    Como sabiamente disse o Montalvo, apud Voltaire: “Não concordamos sobre a co-autoria, mas nem por isto deixo de respeitar o seu ponto de vista.

    Então agora me conte, na sua humilde opinião, quem ficou perdido?

    Abraços,
    Carolina.

  44. Luciana Izidoro -

    Oi carolina, tudo bem? sou escritora mais nãotenho livros publicados, e sim engavetados,talvez pela minha minha insegurança, não em relação aos livros que sei que são ótimos, mas em relação as imensas duvidas sobre esse mercado editorial, por exemplo:escrevi um livro infantil de contos que abordam temas importantes sobre a vida social ética e até moral,educativo mesmo, porém tenho apenas o segundo grau, amo criança sei o que elas gostam, sou mãe e tenho dizem, talento para escrever,MAS gostaria de saber em fim se é preciso ter curso superior ou pedagógico para que as editoras aceitem meu livro e então responda-me por favor! beijos pra você carolina, the end!!

  45. Carolina Vigna-Marú -

    oi, Luciana!

    Não, as editoras não exigem nenhum tipo de diploma ou curso para publicar. A análise é sempre do texto (e texto a texto, ter um livro publicado não é garantia de publicação dos próximos).

    No caso da literatura infanto-juvenil as editoras têm em seus quadros/staff profissionais de pedagogia que avaliam os originais.

    Abraços,
    Carolina

  46. Luciana Izidoro -

    Ah! um livro infantil que contenha apenas 22 contos é considerado pequeno?

  47. Carolina Vigna-Marú -

    Luciana,

    A medida do livro infantil não é exatamente esta. Pode até ser, dependendo da faixa etária, que a editora decida quebrar esses 22 contos em 22 livros, por exemplo. Ou que sim, seja pequeno. O fator de decisão não é apenas a quantidade de texto mas a relação entre a quantidade de texto, a faixa etária, o ritmo, o selo editorial, se é coleção, se é paradidático, etc (mil outros fatores).

    Ou seja: eu não posso te responder isso. De toda forma, envie para uma editora que você perceba que publica uma linha editorial parecida com o que você escreveu e aguarde a análise. Se for pequeno, vão te dizer. E se o texto for muito bom mas fora dos padrões de tamanho da editora, vão te propor alguma coisa (quebrar em livros diferentes ou participar de uma coletânea, por exemplo).

    A primeira coisa a fazer é selecionar editoras que tenham afinidade com o que você escreveu. De nada adianta, por exemplo, enviar um conto de ficção científica para a Cia. das Letras. Eles não publicam, ponto. Entre no site da editora, veja o catálogo, leia as orientações dela para envio de originais quando disponíveis (nem toda editora coloca no site), visite uma livraria, folhei livros… Esta escolha é importantíssima. Cansei de ver ótimos textos serem recusados por não estarem de acordo com a linha editorial daquela editora em específico.

    Gaste tempo com esta seleção. Depois formate o seu texto e mande!

    Abração,
    Carolina.

  48. Luciana Izidoro -

    Carolina meu muito OBRIGADO! pelas respostas as minhas dúvidas, foram de vital importancia pra mim, parabéns pelo excelentissímo trabalho como um todo,grande abraço!

  49. Benedito Braz Megale -

    Olá Carol!
    Sim, vc respondeu minha pergunta.
    Como poderia enviar cópia de meu livro para vc avaliar a possibilidade de ilustrá-lo e achar uma editora para nós? Meu email acima é uma opção e em meu site tem outro email.
    Abraço Dito Braz

  50. Carolina Vigna-Marú -

    Benedito,

    A busca por uma editora é do autor, nunca do ilustrador.

    E, infelizmente, a opção de ilustrador é na maioria das vezes do editor, não do autor.

    De toda forma, gosto de ser considerada/indicada para trabalhos de ilustração sim, obrigada!

    Abração,
    Carolina.

  51. Azzevedo Filho -

    Oi, Carolina!

    Voltei! Queria saber se você saberia indicar uma boa editora para enviar romances e dramas… Tenho dois trabalhos finalizados e estou + ou – na metade d’um outro… Caso você possa me ajudar, valeu… caso não possa, valeu também porque eu te acho demais!

    Obrigado de novo!

  52. Carolina Vigna-Marú -

    Azzevedo,

    \o/ É sempre bom quando as pessoas voltam. Obrigada.

    Você pode falar mais detalhes? É diferente um romance/drama naturalista ou histórico ou urbano, ou ainda regionalista…

    Só assim, meio genérico “romance/drama”, recomendo de cara a Cia. das Letras e a 7 Letras, que são as editoras – imho – que melhor “trabalham” o texto.

    Agora, se for um romance histórico, por exemplo, a Rocco tem mais experiência (e penetração no mercado, conseqüentemente).

    Tudo isso IMHO, ok?

    Bjão,
    Carol

  53. jose luiz eugenio -

    Oi carolina, eu sempre brigo muito com voce, não leve a mal, gosto de voce. Vou lhe fazer uma pergunta: Tenho um livro prontinho pra mandar para gráfica. Eu fiz tudo, diagramei,ilustrei, ja mandei fazer revisão. Agora, a grafica,irá deixar a marca dela no livro, e a editora? eu vou precisar ter um selo Editorial, ou não? Gostaria que me desse uma opinião. Obrigado José Luiz.

  54. Carolina Vigna-Marú -

    José Luiz,

    Para que eu fique chateada primeiro preciso entender que você está brigando comigo…

    Respondendo: depende do que você quer. Se a sua meta é vender o livro nos bares ou em portas de museus como muitos poetas (ontem mesmo comprei Trimênio, de Olivio Basievisctus, na porta do Masp), você não precisa de uma editora. Se você pretente qualquer outra coisa com o livro, precisa de uma editora.

    Na esfera profissional, livros, assim como CDs e DVDs, são obras multi-disciplinares e o resultado do trabalho de muitas pessoas. O seu livro feito sozinho, sem mais ninguém, será tão bom quanto um CD de uma banda de garagem masterizado no PC do vocalista da banda: a banda pode ser ótima mas se quiser um CD de qualidade, precisará ir a estúdio. Simples assim.

    Abraços,
    Carolina.

  55. jose luiz eugenio -

    Muito obrigado, Foi muito importante a sua opinião. Até!

    Jose Luiz.

  56. Azzevedo Filho -

    O livro é simples: é uma porçãozinha de romance, com uma pitada de drama, que fui misturando numa cidadezinha fictícia do Estado de São Paulo, até dar o ponto.Como acompanhamento, adicionei algumas histórias paralelas e alguns mistérios que, na minha opinião, dão um sabor especial ao livro!
    Você não teria um e-mail para que eu te passasse um resuminho? Teria?
    Desde já agradeço as respostas às minhas dúvidas!
    Agora deixa eu almoçar que esse papo me deu uma fome…

  57. Carolina Vigna-Marú -

    Azzevedo,
    Já te mandei um email diretamente, olha lá.
    De toda forma, com mistério, urbano, sem ser FC, histórico, etc, eu mandaria primeiro para a Cia das Letras, que tem inclusive uma coleção (um selo editorial, digamos) exclusiva para este tipo de romance.
    Abs,
    Carolina

  58. Luciana Izidoro -

    oi Carolina, uma pergunta:É verdade que as editoras brasileiras tem preconceito com livros defantasia tipo JK ROWLING, JR TOLKIN, C.S LEWS, POR ACHAREM QUE AQUI NO BRASIL NÃO VENDERIA SE FOR DE UM ESCRITOR BRASILEIRO, DEVIDO A CULTURA, NO BRASIL TEM ESSE TIPO DE ESCRITOR COM LIVROS NA PRAÇA?

  59. Luciana Izidoro -

    Andei dando uma olhada nas livrarias pesquisando livros infantis e vi que os livros hoje são cheios de bichinhos que vem como acessorio do livro até mais isso que conteúdo,porque isso? não achei nenhum livro de contos fiquei tão decepcionada,pois tenho um livro de contos pra enviar pra editora mais tenho apenas os contos e um personagem que os abordará nada mais.

  60. Sueli de Paula Andrade -

    Sou escritora de livros infantis, infanto-juvenil, já tendo meu primeiro livro publicado, com obras hospedadas no site http://www.mesadoeditor.com.br e gostaria de saber como enviar originais para apreciação para editoras e quais você me recomenda..

  61. Mariana Cordeiro -

    Prezada Carolina,
    Parabéns ! Todas as dúvidas que eu tinha a respeito de livro infantil foram sanadas. Que bom ter pessoas como vc que nos indicam o caminho .
    Att
    Mariana

  62. Carolina Vigna-Marú -

    Luciana,

    Fantasia

    O mercado editorial é muito orgânico, muito dinâmico e as realidades mudam de tempos em tempos. Hoje em dia não vejo preconceito com livros de fantasia. Conheço inclusive ótimas editoras (como a Tarja Editorial, só para citar um exemplo) trabalhando exclusivamente com este gênero.

    Contos infantis

    Mude de livraria! Contos infantis são extremamente comuns e bem aceitos.

    Sucesso aí!

    —————-

    Sueli,

    Se você já usa a mesa do editor, centralize tudo lá.

    Não posso recomendar uma editora. É o mesmo que recomendar uma roupa sem saber o seu número, o seu estilo, o clima do lugar onde você vive…

    —————-

    Mariana,

    Obrigada pelo gentil comentário! São retornos como o seu que fazem a gente continuar escrevendo esse tipo de artigo.

    Abraços e sucesso a todos!
    Carolina.

  63. Luciana Izidoro -

    Ólá aí vai mais uma!Na carta de apresentação de um original o que realmente deve-se escrever? falar do livro como se dando informações sobre ele e vender o peixe,ou fazer resumo do livro? responda-me por favor!

  64. Carolina Vigna-Marú -

    Luciana,

    Não existe uma fórmula para isso, mas de uma forma geral o editor espera receber na carta de apresentação alguma informação sobre o original (um resumo é de bom tom, mais que isso é bobagem) e alguma informação sobre o autor (uma mini-biografia de no máximo 1 parágrafo curto). E, claro, formas de contato (email, telefone com código de área, etc).

    É sempre bom lembrar que muitas vezes a carta se separa do original, então coloque no rodapé do seu texto o seu nome, email e telefone.

    Abração e boa sorte!
    Carolina.

  65. Mari -

    Oi, Carolina
    quem sabe vc pode me ajudar:
    estou montando um portfólio p/ tentar uma vaga em agência de publicidade e gostaria de saber como obter fotos e ilustações da internet em alta resolução e tamanho (gratuitas) e como fazer o download.

    Obrigada,
    Mari

  66. Carolina Vigna-Marú -

    Mari,

    Desculpe. Não entendi.

    Você está montando um portfólio (ou seja, trabalhos SEUS) e quer fotos e ilustrações em alta resolução de outras pessoas?

    Você “obtém” imagens as produzindo ou pagando pelo direito de uso delas.

    De toda forma, você pode sim procurar por imagens em domínio público. Uma das fontes mais importantes é o site http://www.dominiopublico.gov.br/

    []s

  67. Simone A. -

    Oi,
    Soh para esclarecer: o livro que estou escrevendo eh de ficcao baseado em fatos reais. Corrigindo: escravas sexuais e nao humanas. Ufa! Espero que fique mais claro!
    bjs

  68. carolina rios godoy -

    gostaria de saber como faço escrevi um livro infantil e gostaria de ter um patrocinio pois ja esta digitado e faltam alguns detalhes gostaria de algumas orientaçoes.Desde de ja agradeço pela atençao e fico a espera !!!!!

  69. Carolina Vigna-Marú -

    Simone A.,

    O personagem escraviza o quê, então? Escravas sexuais não são humanas? Zoofilia? Nossa, o assunto fica cada vez mais estranho.

    Eu só conheço 2 caminhos de publicação para esse tipo de assunto: pulp e sociologia. Ou seja, ou é um livro no melhor estilo Tarantino ou é um tratado científico. Não faço idéia de qual é o seu caso. Além, claro, da possibilidade de você ter inventado uma nova linha literária.

    Infelizmente não é um estilo com o qual eu esteja acostumada a trabalhar e acredito que não posso ajudar muito.

    Desejo-lhe sorte.

    ——————–

    Carolina Rios Godoy,

    Ok… Vamos lá… Patrocinar livros é a mesma coisa que qualquer outro assunto cultural. Enquadra-se em lei e segue os caminhos normais daí.

    Agora…

    Eu não te aconselho a seguir por este caminho, não.

    A Rouanet está mudando. E para muito pior.

    A nova lei diz que 18 a 30 meses depois da publicação o livro passa a ser explorado livremente pelo governo sem pagar direitos autorais. Ou seja: a gráfica é paga, o papel é pago, o caminhoneiro da distribuição é pago, a moça do cafezinho é pago… Todo mundo menos o autor. É o mesmo que colocar um texto em domínio público 1 ano e meio depois de publicado e não 70 anos após a morte do autor, como manda a nossa lei de direitos autorais. E, ao enquadrar o seu texto em lei, você está concordando com isso.

    Se vc realmente quiser isso, entre no site do MinC que lá tem todas as informações de como enquadrar em lei, formulários para baixar, etc.

    Só pensa bem, ok?

    Abraços,
    Carolina.

  70. Andréa Fraga Vieira -

    Olá Carolina, tudo bem?
    Tenho uma dúvida e preciso da sua orientação.
    Tenho algumas idéias para um livro, mas não me sinto segura para escrevê-lo.
    Gostaria de saber onde posso encontrar alguém que me ajude? Se procuro na própria Editora, por exemplo? Não sei ao certo qual delas meu livro se enquadraria?
    A linguagem será voltada para esposas de jogadores de futebol, ou aqueles que mudem muito de cidade.
    Obrigada pela atenção.
    Grande abraço.
    Andréa

  71. Larissa -

    oi, queria saber como posso mandar meu livro a uma editora por e-mail e como saber o e-mail de uma editora o seu endereço para amander pelo correio ?

  72. Carolina Vigna-Marú -

    Andréa,
    Nenhum editor decente vai prestar este tipo de serviço. Procure um professor de literatura, um redator ou um jornalista.

    Larissa,
    A menos que o editor te fale claramente que pode enviar por email, não o faça.
    A esmagadora maioria dos editores não gosta de analisar textos digitais.

    Abraços,
    Carolina

  73. ENEIDA RAQUEL SANDER -

    Carolina!há 22 anos sou professora numa istituição de ensino que é referência no RS.Sou professora da ed. infantil e tenho formação em artes.Sempre li e pesquisei muito sobre os contos infantis, além de fazer da sala de aula um grande laboratório.Sei que tipo de histórias encantam as crianças e professores das séries iniciais.Faz tempo que escrevo histórias envolventes e engraçadas para as crianças e acredito que chegou a hora de mostrar minhas criações. Ficou muito clara a forma de proceder a análise do texto, a minha pergunta é se tu recomendas algumas editoras em especial para histórias infantis.Atenciosamente, Eneida

  74. cristina -

    Gostei muito de que li, muito útil. Pena que isto não funcione no mercado editorial Português. Tenho, em curso, um livro que se encontra na fase da paginação da editora, não é infantil, mas sim técnico. Infelizmente, o que me vão pagar no contrato é sómente, 5 %… acho pouco, muito pouco, mas ou isso ou nada!
    Já lhes falei dos livros infantis que escrevi, mas só estão interessados em livros técnicos… mais um trabalho para a gaveta. Com estes valores que pagam não é de espantar que os autores , em Portugal, recebam tão mal.

  75. Carolina Vigna-Marú -

    Eneida,
    Esse negócio de recomendar editora é parecido com recomendar roupa. Depende muito mais do que você escreveu do que da editora. O melhor que você pode fazer é ir a uma livraria, procurar livros parecidos com o que você faz e anotar a editora. A linha editorial de uma editora é importantíssima e muito raramente as casas saem delas para poucos livros. De toda forma, para não te deixar completamente sem resposta, aí no RS tem a ótima Artes e Ofícios.
    Atenção: isto não significa que só exista esta ou que outras do país não sejam boas. Estou falando de cabeça, dentre as que conheço, na sua região. Perdoem se cometo alguma injustiça por conta desta memória senil.

    Cristina,
    Que estranho. Não conheço bem outros mercados além do brasileiro mas a fama de que goza o português é de ser melhor e mais correto que o nosso. É claro que pode ser apenas mentalidade de colonizado, nem um pouco incomum por aqui, mas confesso que estranhei bastante esta informação.
    De toda forma, autor que não é blockbuster (ou seja, que não é Paulo Coelho, Dan Brown, etc), recebe pouco em qualquer lugar do mundo. É um trabalho insano para um retorno financeiro ínfimo, é esta a realidade, infelizmente.

    Abraços,
    Carolina.

  76. cristina -

    Carolina, obrigado pelo comentário. Sim, é mais a fama que o proveito. O primeiro livro que deixei nesta editora, e que está para ser lançado dentro de uns meses ( esta editora é um grande grupo editorial), ofereceram-me 3 % ! Sim, três % sobre as vendas, é verdade. Agora para o segundo, estou a negociar por 5 %, mas, mesmo assim, estão a querer dar-me, somente, 3 %. Conheço os direitos de autor, pois tenho os decretos lei respeitantes. Posso adiantar que vocês estão a trabalhar correctamente pois, segundo os direitos de autor, temos direito entre 15 e 30 %. Estando vocês a dar 10 % está muito aceitável. Agora 3% ????? Deixo a questão no ar. Como vêm, talvez seja mais a fama do que o proveito. :(

  77. cristina -

    Não é de admirar que algun autores portugueses só sejam reconhecidos após a morte, como Luís de Camões, Fernando Pessoa, etc. Mas saliento que isto ainda não é o pior. Conheço outras editoras que me aliciaram para publicar para eles e eu recusei. Porquê? Porque queriam que eu pagasse para editar. Sim, pagar, com preços elevadíssimos. Onde já se viu semelhante atrocidade? mas agora paga-se para trabalhar? Bem, desde que vi um porco a andar de bicicleta, já nada me espanta… enfim… esta é a realidade que aqui acontece.

    Não sei onde foram buscar esse “cliché” de que aqui era tudo recto: pura ilusão :(

    Apesar de tudo tenho que agradecer a esta editora, pois abriram-me as portas e têm sido impecáveis. Dão-me todo o apoio necessário, e ajudam. São 5 estrelas ;)
    Antes isso.

  78. SILVIA CAROLINA -

    oi ,tenho varias duvidas tenho ja em maos com a autorizaçao do autor espanhol por escrito para procurar no brasil uma editora que queira publicar os livro dele sao contos infantil livro modelo ja pronto e ilustrado procuro ajuda urgente obligada

  79. Carolina Vigna-Marú -

    Cristina,

    3% é ridículo.

    Aqui no Brasil está tendo essa moda de pagar para publicar, o que sempre me pareceu absurdo, mas infelizmente muitas pessoas estão entrando nessa. Cheguei até a escrever um artigo a respeito, que você pode ler aqui: http://carreirasolo.org/inspiracao/o-problema-da-auto-publicacao

    Agora, de fato, o mercado português tem uma ótima fama por aqui. A gente leva cada susto, não é?

    Silvia Carolina,
    O processo de publicação é o mesmo que para qualquer um. Aqui no Carreira Solo tem uma série de artigos que espero que possam te ajudar.

    Abraços,
    Carolina.

  80. vanilza rodrigues -

    Oi Carol é aprimeira vez que falo com você, estava lendo os outros comentario e gostei bastante do assunto.O que quero saber no momento se eu posso finalizar o meu livro no meu computador mesmo. ex: impressão, capa,resistra-lo, e vende-lo ou presentiar amigos sem passar por uma editora.
    Se puder me responder serei muito grata.

  81. vanilza rodrigues -

    Oi estou de volta para deixar meu e-mail.
    vanilzaroosewelt@hotmail.com, o livro que eu escrevi é um Romance e escrevi outro mais esse foi baseados em uma estoria real.
    desculpe meus erroa.

  82. Alexandre Gomes -

    Oi, Carolina. Que bom poder postar de novo aqui! Adoro seus comentários, e admiro muito a sua generosidade e paciência ao nos esclarecer. Minha dúvida, agora, é com relação ao tipo de livro que devo escrever. Explico: adoro escrever contos e histórias de terror para crianças (faixa etária de 10 anos), mas todos me desencorajam, afirmando que devo apostar em histórias ‘bonitinhas’. Gostaria de saber se minhas chances de publicação se tornam menores por eu dar preferência ao gênero terror infanto-juvenil e quais editoras costumam publicar material similar.

    Muito obrigado pela atenção e um abração :)

  83. Carolina Vigna-Marú -

    vanilza rodrigues,
    O livro é seu para fazer o que quiser com ele. Saiba apenas que você não conseguirá comercializá-lo em pontos de venda (livrarias, bancas, etc) sem uma editora te apoiando de alguma forma.

    Alexandre Gomes,
    Olha, a minha opinião é que vc deve escrever o que quer. Vou justificar, ok?

    1 – A literatura não é jornalismo, onde textos são sob encomenda. A literatura é basicamente emocional e não técnica e portanto necessita desta mesma emoção para ser criada. Se vc escreve algo que não gosta (em literatura, novamente, não estou falando de jornalismo, ok?), as chances de ficar uma porcaria são muito grandes.
    2 – Estórias de terror para crianças (de 8 a 14 anos) estão muito na moda e é um mercado sedento por novos autores. Você tem mais chance, na verdade, de conseguir uma editora escrevendo literatura de nicho hoje em dia do que escrevendo (mais um título de…) mainstream.
    3 – As crianças hoje em dia não são mais as do tempo em que nós éramos crianças. Essa garotada lê Harry Potter e vê filme de vampiro.
    4 – Estórias de fantasia e terror são importantíssimas no desenvolvimento da criança. É através destas estórias que a criança aprende a lidar com muitos temas (morte inclusive). Estes livros assumem um papel fundamental no desenvolvimento emocional do futuro adulto.

    Sobre sua pergunta a respeito de editoras, olha, quase todas as boas editoras lidam com o gênero. Companhia das Letrinhas, só assim pra começar.
    E, claro, boa sorte!

    Abração,
    Carolina.

  84. Alexandre Gomes -

    Muitíssimo obrigado ^^

  85. baltazar -

    Ilustre Carolina Vigna-Marú, permita-me usar este espaço para um breve desabafo.
    Há oito anos, estudo Computação Gráfica, durante este período, escrevi um roteiro para um longa de 75 minutos em 3D, iniciei as composições gráficas, ou seja os desenhos e o desenvolvimento dos personagens, depois de um ano, descobri que sozinho era impossível. Utilizei parte do material e venci um Contest a nível Nacional, para curtas de três minutos, em terceiro colocado.
    Reescrevi o roteiro em forma de Conto, com 51 páginas, e publiquei numa editora Ching-Ling, que colocou o Conto no Google books. Eles alegam que ninguém jamais se interessou e comprou um único livro.
    Não satisfeito, e com o espírito de uma fênix, reescrevi o Conto em forma de livro infantil, com imagens anaglificas em banda não estéreo (aquelas que não necessitam de óculos 3D), e em 20 páginas com poucos textos e recheadas de muitas imagens em 3D, imprimi alguns exemplares e visitei escolas. Causei um pânico, uma confusão entre as crianças que como eu, se apaixonaram pela Estória, que já foi um Conto, que já foi um Roteiro, que já foi uma excelente idéia para um longa, e como não tinha exemplares para as crianças, sai da escola prometendo que iria pulicar no formato de livro, e que um dia eles teriam seus exemplares.
    Toda criança de 6 a 10 anos que vê e lê meu livro, pede para ficar com o meu “boneco”. Já cheguei a vender alguns bonecos.
    Mandei um briefing do livro para algumas grandes editoras, e graças a Deus pelo correio não dá para ouvir nem sentir a portada na cara.
    Será, que a Ilustre Senhora Editora, poderia ver, ou conhecer mais, minha estória?
    aguardo um contato.

    Baltazar

  86. cristina -

    Li o artigo sobre a auto-publicação, mas não é a isto queme refiro quando falo em pagar para publicar, pois deu-me a sensação, pelo que li, que o seu artigo se refere a print on demand. Nada disso, quando mencionei pagar para publicar foi: citando um exemplo flagrante que se passou comigo há bem pouco tempo – uma editora estava hiper entusiasmada com os meus livros e queria publicá-los. na altura, alertei que só trabalhava com contratos editoriais, aceitaram sem problemas. Por norma só envio uma parte do livro para análise, por aí a editora já vê se vale ou não a pena, e não me venhamcom histórias que não. Antes de lhes enviar o livro completo, enviaram-me o contrato para eu ler, começo a ler o contrato e pimba… lá estava, camufladinho que quem não sabe cai que nem um patinho. Havia uma cláusula que falava que o autor teria que adquirir x nº de livros ao valor deles de mercado…. desconfiei e enviei mail a questionar essa cláusula se era o que eu suspeitava. Tanto insisti em saber que, passado 2 semanas, a editora envia-me resposta do seu mail pessoal (sim mail pessoal, de casa) a mencionar que eu teria que adquirir os meus livros, comprá-los, ou arranjar quem os patrocionasse…. Dá vontade de rir mas é a verdade nua e crua: Resumo – queriam que eu comprasse todos os meus livros e depois os vendesse ???? Mas o que é isto, tenho o trabalho de escrever, ainda tinha que os comprar, vender, fazer publicidade, colocar nas livrarias? E os pés lavados com água de rosas, também não querem? Já agora! Daí que prefiro os míseros 3% duma editora que me dá apoio logistico e não me cobra nada, do que ir com a “ganância” do dinheiro e ficar muito mal. Não é de espantar que muitos livros vendidos cá venham do estrangeiro e sejam traduzidos. Enfim. No comments…

  87. cristina -

    Li o artigo sobre a auto-publicação, mas não é a isto queme refiro quando falo em pagar para publicar, pois deu-me a sensação, pelo que li, que o seu artigo se refere a print on demand. Nada disso, quando mencionei pagar para publicar foi: citando um exemplo flagrante que se passou comigo há bem pouco tempo – uma editora estava hiper entusiasmada com os meus livros e queria publicá-los. na altura, alertei que só trabalhava com contratos editoriais, aceitaram sem problemas. Por norma só envio uma parte do livro para análise, por aí a editora já vê se vale ou não a pena, e não me venhamcom histórias que não. Antes de lhes enviar o livro completo, enviaram-me o contrato para eu ler, começo a ler o contrato e pimba… lá estava, camufladinho que quem não sabe cai que nem um patinho. Havia uma cláusula que falava que o autor teria que adquirir x nº de livros ao valor deles de mercado…. desconfiei e enviei mail a questionar essa cláusula se era o que eu suspeitava. Tanto insisti em saber que, passado 2 semanas, a editora envia-me resposta do seu mail pessoal (sim mail pessoal, de casa) a mencionar que eu teria que adquirir os meus livros, comprá-los, ou arranjar quem os patrocionasse…. Dá vontade de rir mas é a verdade nua e crua: Resumo – queriam que eu comprasse todos os meus livros e depois os vendesse ???? Mas o que é isto, tenho o trabalho de escrever, ainda tinha que os comprar, vender, fazer publicidade, colocar nas livrarias? E os pés lavados com água de rosas, também não querem? Já agora! Daí que prefiro os míseros três% duma editora que me dá apoio logistico e não me cobra nada, do que ir com a “ganância” do dinheiro e ficar muito mal. Não é de espantar que muitos livros vendidos cá venham do estrangeiro e sejam traduzidos. Enfim. No comments…

  88. cristina -

    Só por curiosidade, no Brasil qual a percentagem que as editoras dão aos autores? Isto partindo do pressuposto da editora ter o trabalho todo e de o autor nada ter a pagar .

  89. Carolina Vigna-Marú -

    cristina,

    A auto-publicação é um termo que usamos tanto para o print on demand quanto para este esquema de pagar a uma editora, não importando se diretamente ou através da compra de exemplares.

    O autor, aqui no Brasil, recebe normalmente 10%, podendo variar um pouco de acordo com a editora, o autor e o tipo de livro. Estes 10% são em publicação tradicional, onde o autor não entra com nenhum tipo de pagamento e quem faz o trabalho editorial todo é a editora.

    Não conheço o mercado português e portanto fica difícil analisar se estes 3% são razoáveis ou não. Se fosse aqui no Brasil seria um desaforo.

    Abraços e bom 2010!

  90. cristina -

    Carolina, qual a possibilidade de começar a publicar os meus livros no brasil? Como devo proceder? Neste momento, dois livros meus de temáticas actuais, irão ser publicados no próximo ano. Contudo, há um outro que escrevi (infantil) muito giro que está mais complicado o estudo de viabilidade dar o sim. apesar deo comercialjá o ter aceite, o problema estão a ser as ilustrações… os ilustradores estão a encarecer o livro e o estudo de viabilidade está com algumas dificuldades em aceitar… Agradecia que me informasse como devo proceder para editá-lo no Brasil.

  91. Carolina Vigna-Marú -

    cristina,

    O primeiro passo é encontrar algumas editoras brasileiras que publiquem a mesma linha editorial do seu livro. Eu costumo recomendar às pessoas idas às grandes livrarias mas como você está longe, procura em sites como o Submarino ou o da Livraria Cultura (sites que tenham resenhas) e seleciona algumas editoras.

    Depois, já com o nome dessas editoras em mãos, entra no site da SNEL ou da CBL, pegue o endereço delas e envie. O povo costuma ser meio distraído então é bom colocar logo na carta de apresentação que vc é de Portugal.

    Mesmo com o acordo ortográfico é sempre bom lembrar que alguns ajustes precisam ser feitos (“giro” aqui, por exemplo, significa apenas uma volta; não atribuimos este significado de qualidade que vocês usam).

    A seleção das editoras é o processo mais complicado, chato, demorado e ao mesmo tempo o mais importante. Enviar o seu trabalho para uma editora acostumada a lidar com aquela linha editorial é 70% do caminho.

    E, claro, boa sorte!

    Abração,
    Carol

  92. cristina -

    Olá, agradeço do coração a atenção dada. O que me preocupa não é “levar com portas na cara”, mas sim, a posteriori, os pagamentos a serem-me feitos… moeda diferente… taxas diferentes… sistema diferente… irá compensar??? Tantas dúvidas.
    Sim, giro em Portugal tem várias conotações exº bonito, lindo, pode mencionar também a volta que o carteiro tem que fazer para entregar os correios em casa das pessoas, pode significar passear. Não só este termo, mas outros mais que temos diferentes de vocês :)

    Aproveito para desejar um Excelente Ano!!!

  93. Carolina Vigna-Marú -

    cristina

    Não tenho muita experiência com pagamento para fora, mas precisei fazer isso 2 vezes. Em uma, usei transferência bancária direta (taxas altíssimas!) e na outra fiz um pagamento no pay-pal do destinatário. Honestamente acredito que, havendo interesse em publicar o seu livro, tudo se conversa. Para você, tanto em termos de prazo quanto de impostos, vale mais a pena usar um serviço tipo pay-pal mas não sei se todas as editoras podem fazer isso por questões contábeis.

    Quanto ao “porta na cara”, olha, as editoras grandes aqui costumam demorar a pagar mas pagam. Você precisaria escolher uma editora muito ruim para ter este tipo de problema. Pelo tamanho do catálogo você já sente o tamanho da empresa.

    Sobre o giro, eu sei, tenho amigos no Porto.

    :)

    Abração grande e boa sorte!

  94. cristina -

    Carolina, antes de mais desejo-lhe um Excelente ano com tudo de bom. Que seja 1000 x melhor que o ano de 2009! Agradeço-lhe as suas respostas. Sim, a “porta na cara” não me chateia muito, levei algumas quando decidi fazer o meu 1º livro (na altura mandei um excerto para muiiiitas editoras) umas responderam logo que era muito interessante mas que agora não estavam em condições de fazer novas publicações por causa da crise; outras disseram que iam analisar (e nunca mais disseram nada), houve as que queriam a auto-publicação (neguei), e, finalmente, houve esta (irá publicar) que pertence a um grupo editorial :) . Fez-se luz ao final do tunel… Quanto às editoras Brasileiras (ao contrário das portuguesas que conheço) não tenho a minima ideia de quais serão as melhores ou piores.Tudo bem, poderei ver pelo tamanho do catálogo,mas só isso bastará? Questiono-me se ai não se passará o mesmo que cá: Há algumas editoras que convidaram pessoas que trabalham na televisão , sem prática alguma para a escrita, a escreverem livros. Uns até têm jeito para escrever – confesso, mas outros há que valha-me Deus, escrevem sobre assuntos triviais sem interesse algum e só porque são conhecidos na televisão ……
    Não trabalho com pay pall, nem nunca trabalhei.
    Terei que fazer uma pesquisa para averiguar qual o preço que geralmente é praticado nos livros, por exº infantis, há a diferença da moeda 1 euro vale quase 3 x mais que o real, dai que tenha que averiguar tudo isto. Brasil é um paí muiiiiito grande, poderá ter muito mais vendas que Portugal.
    Feliz Ano

  95. Carolina Vigna-Marú -

    Cristina,

    Obrigada, espero que o seu 2010 seja também um ano maravilhoso, cheio de realizações!

    Bom, eu sou bastante contra a auto-publicação, tanto do lado de quem compra quanto do lado de quem vende, mas sou obrigada a reconhecer que existem bons e competentíssimos autores que publicam desta forma.

    Os livros aqui no Brasil variam muito de preço. A maior parte dos infanto-juvenis fica entre 9 e 15 euros mas existem, naturalmente, variações fora desta ordem de grandeza.

    A fama que Portugal tem aqui é de ser um mercado consumidor melhor, com mais leitores, etc. Entretanto, esta também é a fama da Argentina (por causa da enorme quantidade de livrarias que tem) e, se fizermos as contas na ponta do lápis, os valores absolutos de venda são bem próximos. Claro que, considerando o tamanho da Argentina e o do Brasil, isso não é nem um pouco bom para o Brasil, mas isso é outra história… O Brasil, apesar do tamanho continental que tem, ainda exclui tudo que não é grande centro (as principais capitas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, etc).

    De toda forma, eu acredito que sim vale a pena tentar. Como disse um amigo meu outro dia, “o não você já tem, agora é batalhar pelo sim”.

    Feliz Ano!

    Abração,
    Carolina.

  96. Rita de Kássia Cândido -

    Olá Carolina!
    Em primeiro lugar, parabéns pelo trabalho que realiza aqui na Internet, pois este é um espaço aberto que nos auxilia muito no esclarecimento de dúvidas.
    E por falar em dúvida, eu tenho uma: Quando vc escreve um livro e manda para a editora, a primeira tiragem quem paga é o autor, ou a editora costuma cobrir os gastos e dividir os lucros?
    Aguardo sua resposta!
    Bjos!
    Rita

  97. Carolina Vigna-Marú -

    Rita de Kássia Cândido,

    Obrigada!

    Olha, não existe um padrão. A publicação tradicional é com a editora arcando todos os custos, sem repassar nada para o autor, mas o mercado está mudando muito e outras formas de publicação surgiram e ainda vão surgir. Depende da editora onde você está. Não tem regra, compreende?

    Abraços,
    Carolina.

  98. Viviane Araujo -

    Olá Carolina! Meu filho escreveu um livro na escola fazendo parte de um projeto (O aluno é o autor ) ficou muito interessante a história e a ilustração que ele fez. Ele tem um grande interesse para fazer histórias ele tem 7 anos de idade. gostaria de publicar o livro dele os custossãoaltos?

  99. Carolina Vigna-Marú -

    Viviane Araujo,
    Antes de mais nada, parabéns pelo filho e por estimular este tipo de produção.
    Quanto à publicação do livro dele, depende muito da tiragem que vc quer fazer. É uma coisa só para guardar, só pra família, quer distribuir na escola, etc?
    Se for uma tiragem baixa (até uns 20 exemplares, só para família mesmo), vale mais a pena ir para um Fotolivro ou para um Blurb da vida.
    Se você quiser algo com maior quantidade, procura as editoras que fazem este tipo de serviço ou gráficas on demand diretamente. Eu não tenho o hábito de usar este tipo de editora e portanto não consigo recomendar uma especificamente, mas existem várias. Das gráficas on demand, a que eu mais gosto sem sombra de dúvida é a Walprint, no Rio de Janeiro, mas existem muitas excelentes opções no Brasil todo.
    Sobre custos, eu não consigo te responder pque depende de muita coisa, desde quantidade de páginas até a qualidade do papel, o número de cores, etc. Consulte uma gráfica ou o Fotolivro que todos esses lugares fazem orçamentos sem compromisso e aí vc escolhe.
    Parabéns e boa sorte!
    Abraços,
    Carolina.

  100. Viviane Araujo -

    Carolina obrigada pelo apoio e esclarecimento.

  101. João Silva -

    Olá em tenho só 12 anos e queria publicar um livro que escrevi, queria saber como, em que site e quais os parâmetros precisos!

    Entenda-me e pode responder para

    j.o.a.o.s.i.l.v.a@hotmail.com

  102. endim mawess -

    adorei esse post

  103. Carolina Vigna-Marú -

    João Silva,
    Infelizmente eu não conheço nenhuam editora que trabalhe com autores menores de idade.
    Você falou em site. Cria um blog, ué. Pessoalmente eu gosto muito do wordpress, mas é uma questão muito pessoal.

    >b>endim
    que bom!

    []s
    Carolina

  104. Carolina Vigna-Marú -

    nenhuam = nenhuma
    deve ter mais erro.
    exausta, desculpem.

  105. Marcelo -

    Olá Carol(já me sinto íntimo..rs**),
    Você conhece algum site ou tem uma lista de editoras que trabalhem com publicação de livros infantis e de crônicas/contos?
    Obrigado pela qualidade do seu site

Deixe seu comentário







Carolina Vigna-Marú

Editora

Editora, designer e ilustradora. É também amante de animação e fotografia. Bio | Mande sua dúvida

Leia também





Contém Conteúdo on Facebook







Música

Alison Krauss. Discografia, estilo e Grammy em 2009 para bluegrass

Alison Krauss. Discografia, estilo e Grammy em 2009 para bluegrass

Outro dia zapeando esbarrei num canal obscuro com um show de Alison Krauss and Union Station. Gostei antes de saber que se chamava assim, pelo simples fato de ser fã de bluegrass. E, ao avaliar a discografia e virtuosismo da banda, novas surpresas aconteceram.
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading …

Mais »

Cinema

WANTED. Comparamos HQ e Filme num festival de referências.

WANTED. Comparamos HQ e Filme num festival de referências.

Mark Millar cria um mundo de super-vilões, onde todos os heróis foram mortos. É a esse mundo que o pai de Wesley Gibbons pertencia, antes de ser morto. Agora cabe ao pacato Wesley assumir o lugar de seu pai nesse mundo insano.

Mais »

Livros

Noturno de Guillermo del Toro e os DVDs de Papel.

Noturno de Guillermo del Toro e os DVDs de Papel.

Vez por outra somos visitados por DVDs de papel. Eles surgem vagarosamente por entre prateleiras e bancas de “mais vendidos” desde o dia de seu lançamento nas mega-livrarias dos shoppings ou aeroportos, prometendo algumas horas de entretenimento fácil. Se o que virá será suspense, terror, comédia ou drama, pouco importa. Os DVDs de papel são como buracos-negros, grandes pólos atratores de leitores, crítica e resenhas avulsas
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading …

Mais »

Inspiração

Procrastinação com toda animação na Videoteca Carreirasolo#89

Procrastinação com toda animação na Videoteca Carreirasolo#89

Procrastinação é tentar encontrar um jeito mais difícil para fazer uma coisa simples, é não terminar algo, ou, antes ter preguiça de começar qualquer coisa. São as pérolas que você vai encontrar nesta animação criada pelo artista londrino Johnny Kelly

Mais »