Falo das pastinhas pretas.
De repente, fui jogado para 1995 e montava com muita cola bastão e faca olfa, minha primeira peça. Era estagiário em uma agência tão pequena que existe até hoje fazendo a mesma coisa e, claro, achava aquilo ali muito estranho. Na minha interpretação, a única maneira de conseguir quebrar o paradigma de então era montar um porffólio muito criativo e apresentá-lo nas agências de propaganda cariocas. A peça era curiosa, uma espécie de minigraphic novel, confeccionado inteiramente com colagens e sobreposição de material digitalizado. Do tamanho de um CD. Mais ou menos na mesma proporção do mercado da época, que vivia em meio a uma das crises de crédito do período e ainda amargava a fuga de contas e profissionais para São Paulo. Mais curioso ainda era o objetivo final do esforço: vender dois e não um profissional. Sim, profissionais. Não sei porque, a peça vendia o conceito de uma dupla criativa e não apenas o meu trabalho de redator ou o talento do diretor de arte. “Contrate um pacote”, era a promessa comercial tácita. Difícil, né? [caption id="attachment_16279" align="alignnone" width="640"]
Antes de sair à rua, arrume-se dentro de casa. Ou dentro de si mesmo.[/caption]