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Como publicar livros estrangeiros no Brasil?



Mais um “post-resposta”, escrito a partir de um e-mail interessante vindo de nossos leitores. Vale o recado sempre: tanto aqui como no FalaFreela, nosso podcast, participações são mais do que bem-vindas.

A dúvida do leitor em questão se iniciava com a temática dos livros. Em retorno de viagem, na companhia de amigos pastores, surgiu a ideia de “regionalizar” o livro aqui no Brasil. Seria o fato do tema religioso um impeditivo para a tradução e publicação por aqui? Claro que não!

Battlefield Manassas May 2010
Creative Commons License photo credit: ED?WW day_dae (esteemedhelga)

No que diz respeito à produção em si do livro, ou seja, da parte revisão-tradução, diagramação, design, gráfica, papel, etc, o fato do livro ter conteúdo religioso não faz nenhuma diferença. Cada publicação, naturalmente, tem sua lógica. Não tratamos um livro infantil da mesma maneira que um romance adulto, por exemplo.

O fato do conteúdo ser religioso é apenas mais um segmento, que terá as suas necessidades respeitadas pelos profissionais envolvidos assim como qualquer segmento. A comercialização do livro religioso, entretanto, é completamente diferente. Existem boas e grandes editoras especializadas neste tipo de publicação. De cabeça agora lembrei da Paulinas, mas existe um monte.

O caminho das pedras

Como se trata de um projeto em parceria com pessoas de fora do país, a parte burocrática toma uma importância maior, que normalmente não tem no mercado nacional. Então, faz primeiro um contrato com os autores te permitindo traduzir e comercializar a obra em português. Em seguida, a tradução e pelo menos uma primeira revisão. Daí registra na Biblioteca Nacional para ter o ISBN. É rápido e barato. E aí, só aí, é que vale a pena começar a procurar editoras para o projeto.

Primeiro tenha em mãos um contrato, o texto traduzido, com pelo menos uma revisão e registrado na BN. Depois você pensa e decide como ou o que fazer e com quem. Você pode partir para uma comercialização direta também, que pode ser beeeeeem mais lucrativo para vocês. Aí é só contratar um bom designer/produtor gráfico para fazer a diagramação e o acompanhamento em gráfica, ir pra gráfica e vender diretamente o livro na sua Congregação.

Se você quiser colocar em livraria, vai precisar de uma editora. Se quiser vender diretamente, não precisa. Recentemente tivemos contato com uma editora on demand, via Editora grande ou pequena. Qual escolher?, que tem uma proposta que achei muito sólida e interessante, é a Leia Sempre, que tenho certeza de que vai te atender bem se você optar por este caminho.

Da parte do contrato, principalmente por envolver legislação de pelo menos 2 países diferentes, eu honestamente te aconselho a contratar ou pedir a ajuda de um advogado de sua confiança. Certo?

Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida, é só mandar um e-mail, ou recado de voz.

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Publicado em 18/05/2010 às 10:00 na categoria Editorial. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.


6 Comentários para “Como publicar livros estrangeiros no Brasil?”

  1. Ana Luiza Koehler -

    Olá Carolina! Acho que seria legal também mencionar a questão da aquisição dos direitos de tradução da obra para a língua portuguesa, que geralmente estão em poder não dos autores mas dos editores que publicam a obra no país estrangeiro. Aí creio que entra uma questão burocrática e legal mais específica.

    Parabéns pelo site e pelos excelentes debates!

  2. Carolina Vigna-Marú -

    Ana Luiza Koehler,

    Você tem toda razão!

    Este post foi uma resposta a um email de leitor, na verdade, que mencionava já possuir os direitos de tradução. Por este motivo não mencionei na resposta.

    Abraços,
    Carolina.

  3. Rogério -

    mas e quando a obra (estrangeira) estiver em domínio público, como fazer? Sugiro um post sobre isto. Quero publicar um livro de um autor estrangeiro em domínio público.

  4. Carolina Vigna-Marú -

    Rogério,
    Vc só precisa ter cuidado com os direitos do tradutor. Se vc for retraduzir alguma obra a partir de um original em domínio público, nem precisa perguntar nada a ninguém. Manda brasa e ponto final.
    E sim, vc tem razão: vale um post.
    Estou me recuperando de uma pneumonia mas assim que der escrevo algo a respeito, ok? Aproveita e manda mais dúvidas!
    Abraços,
    Carolina.

  5. Michel D. -

    Uma confusão comum é que muitas vezes a obra original está em domínio público, mas a tradução não está. Então tem que ter cuidado com os direitos do tradutor também, que no Brasil tem status de autoria secundária (ao menos na lei, na prática são outros 500)
    No portal do governo, http://www.dominiopublico.gov.br há várias obras onde sequer consta o nome do tradutor, tem o nome do cara que digitou/digitalizou a obra e não tem o tradutor às vezes. Vocês acham que eles verificaram mesmo se a tradução está em domínio público? Como, sem tradutor?

  6. Carolina Vigna-Marú -

    Pois é, Michel. O mesmo vale para ilustrador, por sinal. O que eu já vi de pdfs rodando por aí com textos em domínio público e ilustrações recentes não tá no gibi.
    Não vejo solução para isso a curto prazo, infelizmente. A proposta da nova lei de direito autoral, inclusive, é uma catástrofe. Acredito que só conseguiremos avanço nessa área através de muita campanha de conscientização, de muita catequese.
    Abraços

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Carolina Vigna-Marú

Editora

Editora, designer e ilustradora. É também amante de animação e fotografia. Bio | Mande sua dúvida

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