Como criar uma tabela de preço para Freelancers?

Quando os primeiros projetos começam a pintar, você fica em dúvida. Quanto cobrar por um site? Quanto é um trabalho de programação visual? Um logotipo, quanto vale? E se eu quiser fechar um contrato de manutenção com o cliente, quanto devo cobrar? Quer pagar quanto? Em quantas vezes?

E sempre alguém levanta a mão da primeira fila: você tem que ter uma tabela muito bem detalhada que, inclusive, esteja publicada em seu site.

Tá. Pode ser. Mas às vezes eu acho que não.
Tabelas generalizam seu trabalho. Só para citar um exemplo pessoal: assim que comecei…(no século XX…caramba…) fazia umas malas-diretas para um restaurante japonês e havia tabelado o trabalho em “tantas estalecas”.

Dois anos depois, tínhamos mudado totalmente a linha editorial, era praticamente um jornalzinho, a tiragem havia aumentado, vários cadastros haviam surgido através do conteúdo criado, consolidando seu Clube de Pontosetc etc… e eu cobrava as mesmas “tantas estalecas”. Resultado: fui pedir uma reconsideração do valor e fui sumariamente trocado por um redator mais barato.

Lição aprendida: tabelas nunca mais. Proposta Comercial sempre.

E agora vou dizer por quê.
Um mesmo trabalho pode variar de preço de várias maneiras:

  • Você tem mais experiência ao longo dos anos e por isso deve ter uma valor de Hora-de-Trabalho mais caro.
  • Se seu trabalho vai para um grande público, a chance do retorno sobre o investimento é maior. Portanto, aumente o seu retorno e o cliente que aumente o investimento.
  • Caso você descubra que atrelou seu trabalho intelectual a uma empresa de caráter duvidoso, o preço deve ser outro.
  • Pensando em termos de Gerenciamento de Projetos, se você fareja que o escopo tem grande tendência a modificar-se e seu prazo não…deve cobrar a mais também
  • Em alguns casos acontece o inverso: você decide investir no cliente. Seja por questões estratégicas ou humanitárias, pouco importa…você acabará cobrando menos (dando um desconto, vá lá) para aquele caso em específico

Em todos os casos acima (existem centenas de outros, espero a colaboração de vocês nos comentários) o preço de uma mesma peça variou, ora para cima, ora para baixo.

Portanto, uma tabela, sobretudo se seu trabalho é subjetivo, mais atrapalha do que ajuda. Veja bem: a precificação é uma ciência exata e não cabalística. Para isso existem as propostas comerciais, não se esqueçam.

E eu, ajudei? Se você ainda não ficou satisfeito, mande um e-mail agora mesmo. Este ainda é de graça.

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Publicado em 22/03/2007 às 4:35 na categoria Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.




7 Comentários para “Como criar uma tabela de preço para Freelancers?”

  1. Morandini -

    Seu texto é extremamente lúcido! Este ano meu estúdio completará 22 anos e nunca tive uma tabela fechada justamente pelos vários motivos citados aí em cima. Tenho uma tabela ‘referência’ para dar algum norte, mas os vários aspectos e as diferentes peculiaridades de cada projeto exigem uma reavaliação constante na hora de formalizar uma proposta.

  2. Morandini -

    Seu texto é extremamente lúcido! Este ano meu estúdio completará 22 anos e nunca tive uma tabela fechada justamente pelos vários motivos citados aí em cima. Tenho uma tabela ‘referência’ para dar algum norte, mas os vários aspectos e as diferentes peculiaridades de cada projeto exigem uma reavaliação constante na hora de formalizar uma proposta.

  3. Tio_Wlad -

    Tem que ter uma tabela de Norte, uma bem básica, inúmeras vezes o cliente virou para mim e disse: São só mais umas “paginazinhas” em média eram mais umas 8 páginas, um trabalho enorme. Depois de muito sofrimento resolvi, site básico com 6 a 8 páginas devidamente aceito pelo W3C, em css com alguns detalhes em flash direito a um formulário = US$600 dólares, menos que isso, desista o cara não precisa de um site precisa de um milagre de vendas.

  4. Gustavo Montes -

    Gostei bastante do texto e acabei por identificar alguns pontos que passei por situações semelhantes. Sobre o preço, é algo realmente complicado, pois como bem exemplificou, existem vários fatores nisso. Eu citaria também a questão da concorrência. Em alguns casos você consegue identificar outras propostas já recebidas e cabe a você estudar e fazer sua proposta já cobrindo a do concorrente de alguma forma.

  5. Erik Marques -

    Realmente temos que ter uma tabela base e depois estudar caso a caso.. vou preparar a minha.. rsrs

  6. Danilo -

    Mauro, como sempre um texto excelente!

    Exatamente na medida do que tenho falado para amigos e colegas por aqui: avaliação e levantamento de valor-hora para precificação deve sempre possuir critérios claros.

    Falou pouco mais você falou tudo quanto diz não haver tabelas de preços pois, dependendo da maturidade/experiência profissional um trabalho pode ficar, de início, muito demorado (e com valor-hora baixo, considerando mais a questão de aprendizado e início de mercado) ou mas rápido e ao mesmo tempo com um valor-hora um pouco mais compen$ador para o executor do projeto.

    Nesta semana havia comentado com um amigo sobre estas questões e avaliamos riscos, custos, depreciação (tecnológica e de conhecimento), planejamento etc.

    É muito bom saber que há mais pessoas “por aí” pensando nessa mesma linha. Meu latim não foi investido em vão.

    Abraços, continue sempre com os ótimos textos.

  7. rafael apocalypse -

    Preços devem ser calculados, SEMPRE, de acordo com o tanto que você trabalhou em determinado projeto. Para meus jobs como freela eu sempre calculo com base em uma quantidade estimada de horas de trabalho. O calculo da hora pode ser feito como o michel esplica aqui [eu uso o mesmo método]: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/02/03/afinal-quanto-cobrar/

    ainda erro bastante nas estimativas de hora, mas nada que um sistema de gerenciamento de projetos e um time-tracking não ajudem a melhorar esse cálculo de estimativas… Com o tempo a gente aprende a acertar e a cobrar melhor.

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