Como começar a carreira de Editor?

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Creative Commons License photo credit: heipei

Olha, honestamente, ser editor não é algo que a gente decide se tornar. É uma coisa meio que os profissionais se tornam com o tempo. É uma profissão que leva muito tempo para formar um bom profissional.

Agora, nada, absolutamente nada, impede você de começar abrindo uma editora, publicando um ou outro livro na sua área de especialidade e, com o tempo, ir aprendendo e se expandindo. O que não existe é o “vou abrir uma editora e ser a próxima líder de mercado”.

E, claro, precisa ter dinheiro para investir. Livros são caros (revistas mais ainda!) e a quantidade de erro é muito grande (erro = livro que não vende). Tem uma piadinha velha no setor: “Como um editor comete suicídio? Se joga do alto do seu estoque.” ;D

A gente está passando por um período de transição muito grande e ninguém tem muitas respostas ainda. É óbvio que o mercado está mudando mas a verdade nua e crua é que nenhum profissional do meio sabe em que direção.

A gente sabe que existem caminhos que fracassaram, como o ebook por exemplo, mas qual a resposta certa ninguém sabe. Por este motivo, acho que a melhor dica que eu tenho pra te dar é: comece pequeno, devagar e faça uma coisa de cada vez.

Habilidades, conhecimento e dicas

Alguma coisa a gente sempre pode indicar. O editor é meio que uma soma de várias especialidades. Aqui vou relacionar algumas delas sem nenhuma ordem específica, só a da minha lembrança, ok? Antes de tudo, recomendo o MBA da Indústria do Livro na ESPM, um ótimo ponto de partida para quem quer entrar no mercado.

Vamos lá as habilidades e conhecimento que você precisa ter na cartola, ou estante…

  • Produção gráfica: Os livros do Amaury Fernandes[bb] são um bom começo. É importante vc visitar uma gráfica também, de preferência duas: uma bem pequena e uma grande, pra você ver como funciona a coisa toda.
  • Direito autoral: Essa é paradoxalmente a área mais difícil de entender e a mais fácil de achar referências.
  • Relação com o autor: Isso vai muito mais de experiência. Não é uma coisa que eu consiga passar rapidamente e muito menos num post. E posso garantir que você vai começar bem devagar ( ou seja, pessimamente :D ) mas vai ficar ótima com o tempo. De cara, a dica que eu tenho pra te dar é sempre respeitar o autor como o “pai” da criança mas nunca abrir mão do que você pensa e se isso significa abrir mão daquele título, paciência, outros virão. O que não falta no mercado é bom texto e se o autor “empaca” você gentilmente – sempre na delicadeza! – recusa o livro.
    E isso não significa que o livro seja bom ou ruim (é verdade) mas que apenas não está adequado à sua necessidade editorial. Agora, autores, como qualquer artista, são muito sensíveis e precisam ser tratados com o máximo de delicadeza.
  • Mercado: Olha, isso é tão, mas tão confuso, que honestamente eu te recomendo contratar um gerente comercial especializado em editoras. As livrarias enlouquecem um ser humano: fecham ao seu bel prazer, em datas específicas. Só pra citar um exemplo concreto: se você não consegue ser atendido (não é nem se você não consegue ir lá, repare!) numa livraria no Rio de Janeiro na terceira quarta-feira do mês na parte da tarde, você perde um mês inteiro de contabilidade. É sério. E cada livraria tem o seu fechamento e que nem sempre é mensal. Isso, fora a questão da distribuição que são a prova-mor de que editores são pessoas pacíficas. O distribuidor fica com 50 a 60% do preço de capa e muitas vezes simplesmente se recusa a atender novos editores. Quando eu comecei, eu mesma fazia a distribuição mas isso é como se eu decidisse ter um restaurante e um açougue ao mesmo tempo – são duas profissões, foi uma loucura. A emissão de notas fiscais também é uma zona. Tem código separado para se é consignação, se é venda, se é recebimento da consignação, se é recebimento da venda, se é reposição, se é… Enfim, é quase uma sub-especialização dentro do mercado editorial.
  • Escrever bem: Escrever bem não é escrever sem erros. Para isso temos os revisores. Escrever bem é escrever com clareza e fluidez. E isso vai além da sua área de especialidade. Você ser geóloga não significa que sabe escrever um livro de geologia, por exemplo. E isso é um erro que muitos cometem e cabe a você discernir entre uma coisa e outra. E, para ter esse discernimento, você precisa primeiro saber fazer.
  • Ter um profundo conhecimento de livros: Isso não é algo que se adquira. Ou você tem a essa altura ou vai levar anos construindo. E é aqui que está a diferença entre o bom e medíocre editor. Esse conhecimento do que investir, do que e como publicar, de que jeito, de que formato, enfim… Isso a gente leva anos construindo. Agora, nada te impede de contratar um editor. De ser dona de editora e contratar um editor para trabalhar para você.

Para fechar

Os tópicos acima são sugestões inciais. Não deixem de comentar e compartilhar experiências neste sentido, ok?

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Publicado em 05/08/2008 às 12:44 na categoria Editorial, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.


19 Comentários para “Como começar a carreira de Editor?”

  1. Carolina Vigna-Marú -

    Pessoal,

    Um pequeno esclarecimento rápido: este é mais um caso de email respondido que virou post.

    Por este motivo no texto vocês vão encontrar coisas como “mas vai ficar ótimA com o tempo” (eu respondia uma moça).

    O que tem de mais legal no Carreira Solo é justamente este ser orgânico que é construído por todos nós. Comentem, acrescentem!

    Abraços,
    Carolina

  2. ATer -

    eu to louco querendo aprender como ter um blog.. espero um dia chegar lá..

  3. Carolina Vigna-Marú -

    Caro ATer,

    A descrição de sua empresa é “ATer: Empresa Especializada em Webdesign, foca seus trabalhos na criação de sites, para a Internet!“, portanto considerei este comentário um spam e não irei respondê-lo.

    Tenho por hábito responder todo email ou comentário recebido e, se por acaso, eu tiver errado a respeito do seu, entre novamente em contato que responderei com prazer.

    []s
    Carolina.

  4. Profissões: como começar uma carreira de editor de livros | Livros e afins -

    [...] Como começar a carreira de editor [...]

  5. Digs -

    Olha, achei as sugestôes muito boas, só não concordo quando você diz que isso não se decide de uma hora para outra, nem quando você sugere um MBA para a formação do profissional. Existem cursos universitários para quem quer aprender a trabalhar com livro. Eu mesmo cursei um e é fantástico. Como tudo curso universitário não se iguala a trabalhar no dia a dia de uma editora, mas consegue inserir boa parte dos itens que você relacionou na cabeça do aluno. Se você quer ser médico você começa pelo bacharel, se quer ser jornalista, pelo bacharel, se quer ser designer vai pelo bacharel… porquê o editor tem que ser uma simples decisão? “Ah, já me formei engeneiro, agora vou abrir uma editora?” É no mínimo estranho, não acha? Experiência é importante, mas uma formação sólida não é nada mal, certo?
    Sim, é claro, existem excessões, mas trabalhando na área, francamente, sinto pena das pessoas que se dizem editores profissionais hoje em dia. A maioria desses que resolveram abrir uma editora, alcançaram um relativo sucesso graças a uma administração primorosa, mas fazem belíssimas porcarias de livro. Enfim… só estou defendendo um mercado menos poluído e uma valorização da carreira (E do meu diploma, é claro!) Mesmo assim, as dicas foram ótimas!

  6. Carolina Vigna-Marú -

    Digs,

    Opa!

    Sugeri o MBA apenas pque o conheço. Coloca aí outros cursos! Tenho certeza de que existem vários bons e seria ótimo poder recomendar outros. Você fez onde (em que estado)?

    Quanto à se decidir de uma hora pra outra, vou te dar minha opinião, ok? E é apenas isso, minha opinião. Existem profissões que são na verdade uma união de várias outras. Editor, diretor de arte, CEO, etc. São profissões que precisam — IMHO — de uma vivência em outras áreas. Por exemplo, o presidente de uma empresa precisa de uma vivência administrativa e de marketing antes de virar presidente. Não é algo que eu decida simplesmente, é algo que a carreira da gente meio que “leva” a gente praquilo. E eu acho que editor, assim como diretor de arte (diretor de arte diferente de designer) também.

    E em nenhum momento eu disse algo próximo de “Ah, já me formei engeneiro, agora vou abrir uma editora?”.

    E pelo amor de deus, onde eu disse que uma formação sólida não é importante????? O que eu disse foi justamente que é necessário ALÉM de uma formação sólida ter experiência em áreas afins ou correlatas.

    Então, para que não restem dúvidas: eu concordo com você e só não sugeri outros cursos por não conhecê-los (nomes são bem-vindos aqui nos comentários, aliás!)

    Agora, não acho que só jornalista pode ser editor, não. Existem muitas áreas que levam a este caminho.

  7. Sylvio Galvão -

    Pretendo abrir uma editora de livros originados a partir de monografias, teses e dissertações. Tenho experiência na área e procuro pessoas que se afetem com este projeto.
    Abraços a todos
    Obrigado pelo espaço
    Sylvio Galvão

  8. Carolina Vigna-Maru -

    Sylvio Galvão,

    Puxa, que legal!

    Grande oportunidade, pessoal! Não é todo dia que nasce uma nova editora.

    Sylvio, em que cidade você está?

    Não deixe de colocar alguma forma de contato aqui também (email, telefone, qualquer coisa).

    Te desejo todo sucesso do mundo.

    Abração e boa sorte,
    Carolina

  9. Carolina Vigna-Maru -

    Recomendação de curso:

    http://www.cbl.org.br/modules/elivro.php

    []s

  10. Lidiane -

    Olá Carolina! Gostaria de uma opinião sua: uma editora especializada em livros didáticos que funcionam como subsídios pedagógicos pode prescindir das livrarias e focar somente nas escolas (onde estão os professores) e na internet? Me assustei com a informação de que os distribuidores cobram taaaanto sobre o preço de capa. Mas me sinto insegura de não ter a visibilidade necessária para meu negócio de fato “acontecer”. Tenho um livro de literatura infantil já publicado e estou abrindo uma editora agora com esta especialidade (literatura infantil e livros didáticos).
    Muito obrigada e parabéns por este seu trabalho.
    Lidiane

  11. Carolina Vigna-Marú -

    Lidiane,

    Oba, que boa notícia! O mercado está mesmo precisando de novidades nas áreas didática e paradidática.

    Olha, distribuição é um inferno mesmo. Não sei te responder isso assim, uma coisa ou outra. Existem muitas nuances nesse mercado.

    A melhor maneira que eu tenho de te responder é me colocando no seu lugar e sendo o mais sincera possível. É isso que vou fazer, ok?

    PDVs (pontos de venda) são importantes mas livro didático se vende mesmo é em escola. Já o livro infantil vende em livraria até melhor que em escola. É o passeio da família, a mãe que vai procurar algo e o filho acaba sentando “só um instantinho” na área infantil e acaba levando um livro. Ou seja, se você vai mesmo publicar os 2, eu não deixaria a distribuição de lado, não. Se você for ficar só nos didáticos, o mais importante é escola e os editais do governo (fica de olho no site da CBL).

    Não sei se existe uma resposta para a sua pergunta, honestamente. Novamente, me colocando no seu lugar, eu fecharia com alguns poucos PDVs mais próximos (emocionalmente, não fisicamente/geograficamente) do meu público-alvo (no seu caso, Malasartes por ex.) e deixaria o resto de lado.

    É claro que queremos todos a melhor e maior e mais abrangente distribuição mas esta não é a realidade para 90% dos editores. Distribuição é onde todo mundo se dá mal, é o nosso calcanhar de aquiles. E isso vale para todos, não só para os pequenos, não. Descubra uma maneira de vencer este problema e você terá a maior e mais importante editora da América Latina.

    E, é óbvio, tiragens pequenas, comece devagar. Você não precisa começar com a produtividade da Rocco, mas mantenha-se fiel ao que acredita, ao que sabe, ao que faz melhor. O sucesso certamente vem com tempo e esforço. Não tem fórmula mágica.

    Trabalho duro, sério e ético é recompensado e reconhecido. Existem editoras pequenas extremamente bem sucedidas e respeitadas (só para citar uma, lembrei agora da 34).

    Uma coisa que martela a cabeça de todo editor é o tal do diferencial. Como fazer com que o seu produto final seja mais atraente que o do vizinho? Nesse mercado (editorial), o conteúdo pesa, e muito. Lembre-se sempre de fazer spin-offs com aproveitamentos didáticos, joguinhos online, sei lá (pensa aí, de acordo com o texto, é claro). Venda o livro e entregue um conceito.

    Acho que isso é o melhor que eu consigo te responder, honestamente.

    Muito, muito sucesso e não deixe de entrar em contato conosco novamente quando tiver site no ar, essas coisas.

    Abração,
    Carolina.

  12. Lidiane -

    Puxa!
    Muito obrigada pelas dicas! Adorei ler: “você terá a maior e mais importante editora da América Latina”, mas claro que veio antes: “Descubra uma maneira de vencer este problema”…
    Acho que vc está certa, e um passo deve ser dado de cada vez. Acho ainda que fica fácil “dominar o mundo”, quando a gente acredita que pode fazer isto todos os dias, quando termina um texto e gosta, quando vê uma ilustração que valoriza meeesmo seu texto, quando manda um comentário num site e recebe uma excelente resposta, como a sua…
    Você fala muito de seguir a intuição, fazer escolhas “emocionais”, e posso dizer que ler este tipo de coisa me deixa mais segura ainda, pois é exatamente isto que eu estou fazendo agora (abrindo a editora) e que eu faço sempre. Claro que cada intuição deve ser fundamentada em pesquisa, coisa e tal, para não ser “viagem”, principalmente quando se fala em muuuuitas pessoas envolvidas (e é claro, o investimento…).
    Obrigada mais uma vez…
    Abraço.
    Lidiane

  13. Carolina Vigna-Marú -

    Lidiane,

    :-)

    Fico muito feliz — mesmo — em ter ajudado em alguma coisa.

    Ah, só por curiosidade, onde você está (cidade/estado)?

    Um abração grandão,
    Carol

  14. lidiane -

    Em Curitiba, PR.

  15. Carolina Vigna-Marú -

    Terra do excelente Rascunho!

    Passarei por aí em novembro, mas por motivos pessoais, não profissionais.

    []ão
    Carol

  16. Jorge Carrano -

    Carolina,
    Muito bom encontrar o “Carreirasolo” e vc para esclarecer algumas coisas. Moro em Salvador/BA e tenho passado por agumas dificuldades para publicar meu livro de poemas. Desde a revisão, profissionais raros por aqui, até uma Editora que atenda às minhas necessidades que não são muitas, creia!(rs) Por isso, está amadurecendo em mim a intenção de abrir uma Editora aqui . Alem de mim, conheço muitos autores bons e desconhecidos do público, uma safra de qualidade que se esconde no anonimato da falta de oportunidade…
    Gostaria de uma orientação sobre…

    Ah, parabens pela forma como esclarece as coisas por aqui, virei freguês.

    Grande Abraço, aguardo notícias

  17. Carolina Vigna-Marú -

    Jorge,

    Fico muito feliz em perceber que o Carreira Solo contribui de alguma forma.

    Olha, preciso ser muito sincera contigo: apesar de eu mesma já até ter escrito alguns poemas, não conheço bem o mercado editorial de poesia. Tudo que sei é que é pequeno e difícil, mas acho que isso não é novidade para você.

    Faço votos que você sim leve adiante o seu plano de abrir uma editora! Conheço e conheci, como você mesmo diz, bons autores anônimos e esta me parece uma fatia de mercado que ainda tem muito espaço para crescer e melhorar.

    Eu gosto muito do trabalho da editora 7 Letras, que publica um querido amigo poeta, o Oswaldo Martins, mas na verdade pouco sei de seu corpo editorial. Gosto apenas do resultado final, como consumidora mesmo.

    A poesia é muito legal principalmente por ser muito flexível e apta a transcender a mídia impressa com muita facilidade (vira música, vira performance, vira animação, vira curta, etc).

    Eu estou a cada dia que passa mais convencida de que o editor precisa abraçar outras mídias e outros veículos. Então, talvez a única coisa de útil que eu tenha de fato para te dizer é isso: não despreza nada! Organize leituras dos seus autores, performances em faculdades, deixe que músicos adaptem poemas, crie canais na internet de debate, enfim, tente não ser um editor impresso, tente ser um editor pleno.

    Abração e boa sorte!

  18. Ana -

    Puxa, adorei conhecer o carreirasolo. Que chique! Estou produzindo meu 1º livreto infantil. Não sabendo do trabalho de uma editora (nem sei se temos por aqui) eu mesma fiz contato com um ilustrador, gráficas e consegui uma equipe de designer. Tudo deve ficar pronto agora em abril. É mesmo necessário uma editora? Eu mesma posso contactar distribuidoras? Que critério escolher como por ex. na questão confiabilidade? Por enquanto, contactei livrarias e revistarias daqui de Varginha-MG que atenderão por consignação. Abraço, Ana

  19. Carolina Vigna-Marú -

    Ana,

    Você precisa de um distribuidor se quiser comercializar o seu livro além da sua cidade e, até onde eu saiba, distribuidores não trabalham com títulos únicos e muito menos com pessoas físicas.

    Agora, te falo apenas do meu conhecimento e eu não conheço – obviamente – todos os distribuidores do Brasil.

    Abração e boa sorte!
    Carolina.

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Carolina Vigna-Marú

Editora

Editora, designer e ilustradora. É também amante de animação e fotografia. Bio | Mande sua dúvida

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