Vou falar hoje sobre uma tendência que sequer tenho como provar, mas me parece presente em produtos culturais que consumimos e até mesmo em nosso comportamento frente ao mundo. Começa com você, por exemplo, olhando com toda admiração um documentário em sua TV por assinatura. "Olha que interessante: uma tribo de canibais na Papua Guiné". Aquilo te dá todo um conceito de "grande mundo selvagem" e estimula em você reações como "Que ótima oportunidade para conhecermos novas culturas", "Que sorte tem o explorador em passar por esta experiência, não?” e até um corajoso "E aí, Papua nas próximas férias, que tal?" Isso não acontece? Desde a minha época de crianças, assistindo TV Educativa que passo por estes momentos. papua.jpg Aí você vai trabalhar e, numa cidade como Rio, São Paulo, BH, Porto Alegre e tantas outras, a diversidade de tipos, valores, ambições, formações é consideravelmente grande. E neste momento de microdiversidade tendemos...eu disse tendemos...a não manter este comportamento. Em vez de “que legal aquela senhora vestida toda de azul, passa uma pureza interessante, olha como ela lê a Bíblia com dedicação”, ou “Forrozinho bacana aqui em Rio das Pedras, hein?”, nos afastamos, excluímos, ignoramos, tememos...substituímos a macroadmiração por um micromedo. O choque entre macro e microdiversidade acontece também no consumo de literatura, cinema e web. Tememos o estranhamente próximo e idolatramos aquilo que é relativamente distante. Pedestais irreais. De perto ninguém é um documentário da Discovery. Somos no máximo, um quadro do Linha Direta.