Minha história provavelmente não é das mais belas, muito menos a mais inspiradora, por ser desprovida de ficção. Mas é como tudo aconteceu: A real história de um brasileiro (ou melhor, guerreiro) cheia de altos e baixos, vitórias e derrotas... e muito aprendizado.
1985 - A nada mole vida de um nordestino pobre no interior de Sampa.
Eu, meus pais e mais 5 irmãos viemos do interior da Bahia para o interior de São Paulo. Aos 8 anos, não tinha grana para comprar brinquedos, logo, a gente os inventava. Acredite, com chinelos Havaianas usados, criava-se pneus para carrinhos feitos de lata de óleo (óleo de sola Liza eram embalados em latas de alumínio). E jogávamos bola feita de tecidos (geralmente meias e outros, de origem bem duvidosa) na rua, desviando-se de carros e caminhões. Criávamos máscaras de heróis e vilões com cartolina e tesoura, porque não podíamos comprar os originais. Como a gente não tinha TV nem energia elétrica, acendíamos fogueiras e os mais velhos contavam histórias e causos (os causos de terror eram meus prediletos). O único rádio da vizinhança era compartilhado e alimentado por bateria de caminhão. Não aguentava mais ouvir música sertaneja!1994 - Primeiro emprego CLT na cidade grande
Mudamos para a capital em 1998. Fui contratado como office-boy, aos 14 e ganhava meia URV (Lembra da unidade real de valor dos anos 90, anterior ao Real?) que em miúdos, era uma miséria. Na verdade, já fazia bicos desde os 12 anos. Odiei todos os trabalhos que tive porque me sentia preso nas burocracias e monotonia diária. Mudei de emprego diversas vezes: fui vendedor, atendente, auxiliar de escritório, agente de viagem e até guarda-noturno. Já cheguei a ficar apenas 8 dias numa empresa. [caption id="attachment_21433" align="alignright" width="450"]
Marco, lá do SuperCuca[/caption]