Fui surpreendido semana passada com um interesse genuíno e inabalável das crianças aqui de casa pelo excelente Forrest Gump (EUA – Robert Zemeckis, 1994). Após um empréstimo na DVDteca do avô, vimos e revimos o filme umas boas três vezes. Aquilo me fez pensar. De que lado estamos, afinal, em quem nos projetamos em nossa sociedade do quase-nunca, do instantâneo, da ultra-pós-qualquer-coisa: Forrest Gump ou Tom Hanks[bb]?
forrest-gump.jpgPlot. Para quem não sabe, (amigos, sempre tem alguém que ainda não sabe e outrem que gosta de contar); o filme conta a história...não, não é isso. O filme é uma história contada pelo simplório Forest Gump, menino nascido no Alabama que apesar de sua pouca desenvoltura intelectual tem um destino curioso: percorre quase todos os grandes acontecimentos da história recente dos Estados Unidos como uma espécie de protagonista de bastidor. Conhece Elvis Presley), JFK, Lyndon Johnson, Richard Nixon, luta no Vietnam; é um dos primeiros acionistas da Apple etc. O filme é por si só é excelente, mas traz em sua honestidade outro grande ponto a favor. Estamos sendo convidados a ver o mundo através do olhar e da simplicidade do americano (abaixo da) médio(a). E isso pode ser bonito. Ponto. E fim do plot.

Eu quero ser Tom Hanks...

Hoje, quando consumidores são considerados os novos agenciadores de mídia, onde a personalidade do ano, foi você; onde Youtube é o novo horário sempre-nobre; onde produtores de conteúdo acham que só por estarem produzindo devem levar 5 mil dólares para casa todo mês, rever Forrest Gump, 13 anos depois de sua estréia, funciona como um soco no estômago. tom-hanks.jpgPorque nós, possuidores dos mais variados graus de investidura econômica, social, política, religiosa, sexual, sentimental, familiar e porque não dizer até mesmo profissional; teimamos em ser Tom Hanks? . Acho-o um ator genial, descontando já Davinci Code e Angels&Daemons, o segundo ainda em produção. Da lista do IMDB ainda devo uma olhada em dois ou três títulos, mas de resto segue inabalável em sua carreira já premiada com cinco indicações e dois Oscars de melhor ator ( o próprio Forrest e o advogado Andrew Backett em Philadelphia. Mas todo estudante do Tablado vai chegar a uma carreira assim?

...mas a internet é um mundo de Forrest Gumps

Este pequeno artigo não é uma apologia ao raciocínio deficitário. A brevidade intelectual não é benefício para ninguém; o despreparo e sinceridade frente aos mais tenebrosos desafios, talvez. Ao revisitar conceitos da Seleção Natural, podemos lembrar que antes até mesmo os mais genuíno talento lutava para ter voz (para o bem ou para o mal). Ter acesso a meios de produção cultural era privilégio de poucos. Revoluções e Capitalismos depois, os meios de produção cultural foram aos poucos alargando sua influência e capilaridade e ficando mais baratos e instantâneos. Hoje, todos podem produzir. Para onde foi o crivo de nossa Inteligência Coletiva, então?. Num mundo que todo Gump pode criar seu filme, onde ficam os verdadeiros Tom Hanks? Destino ou flutuação? (Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina.) Uma possível conclusão mora numa das cenas finais do filme. Jenny já respousava sob a árvore de sua infância, Forrest já cuidava da educação do filho e ao visitar o túmulo do tresloucado amor de sua vida, dispara:
I don't know if we each have a destiny, or if we're all just floating around accidental-like on a breeze, but I, I think maybe it's both. Maybe both is happening at the same time. Veja outras frases memoráveis do filme, aqui
Talvez a melhor maneira de ser ouvido seja falar só nos momentos certos e só frases fundamentais. Menos Muito Barulho por Nada e mais Assim falou Zaratustra, sabe? Se vamos ganhar dinheiro com isso. Se vamos mudar o mundo com artigos mais inspirados. Se as contas do mês sumirão. Se os meses passarão mais rápido... I don´t know. But i´m still running. Linkania. Acabei fazendo citações demais, coisa que evito. Mas vai aqui um resumo então para auxiliar na leitura: