Há um tempinho atrás, quando comentei o 11º Encontro de Webdesign, dizia eu que a melhor parte da festa sempre se passa na cozinha. Ontem, após investir um dia de minha vida assistindo a seis palestrantes ao redor do tema Métricas da Web, o jogo empatou. Ainda não virou, os papos com o amigo CrisDias – que graças a Deus quase nada tinham a ver com o tema, afinal todo mundo precisa descansar a cabeça-, valeram como um evento paralelo sobre empregabilidade na Web, empreendedorismo, bebês que chegam, crianças que crescem rápido...enfim, de tudo um muito.
Como dizia: não virou, mas empatou. Com um time de profissionais construído ao redor de uma famosa ferramenta de busca, líder de mercado, as palestras transcorreram sem atropelos, e com algumas boas surpresas.
Aliás, antes que eu comece a contar o que me chamou atenção no dia, meu agredecimento todo especial ao Julio Daio Borges, do Digestivo Cultural, que convidou a este humilde editor para, representando o CarreiraSolo (Virei veículo! Autógrafos no guichê ao lado, por favor), fazer a cobertura do encontro. Julio: tô te devendo essa.
Retribuo com a continuação do post, logo abaixo.
Antropologia, Antologias e Anti-purgatório das marcas.
Após a abertura de Francisco Camargo, presidente da CLM, que mui gentilmente nos contou a evolução histórica dos sistemas métricos; tivemos a abordagem humanística de Risoletta Miranda, diretora da Addcomm, sintetizada naquilo que ela batizou de "a nova antropologia do Homo Digitalis."
Iniciando com Álvaro de Campos/Fernando Pessoa e Dante/Divina Comédia, nos foi apresentada a tese fundamental. E ela é a seguinte: precisamos enxergar as personas por trás dos números, identificando comportamentos e promovendo primeiras e segundas experiências com marcas e produtos.
Precisamos aprender a falar para os filhos que escolherm os carros dos pais. Mexmo que seja axim. Ela defende que o novo dialeto é um fator de inserção na comunidade. E que devemos ensinar, portanto, aos nossos filhos, os dois: o português tradicional e o da versão 2.0.
Mas sinceramente, não seria mais interessante, trabalhar para inseri-lo numa comunidade menos simplista? Ah pai, eu escrevo assim porque todo mundo escreve. E aí, sendo eu o pai, digo: ah filho, lute para não ser todo mundo. E ter outros seguindo o que VOCÊ escreve. Mas isso é matéria para outros posts.
Porque na seqüência nos foi apresentada outra tese ainda mais interessante: a de que, nos ambiente digitais que freqüentamos, o tempo é o principal concorrente das marcas. Hm. Deixa eu pensar.
(Paro alguns segundos. Pego uma água, olho as crianças do quarto e volto em seguida.)
Concordo, sabe. O tempo é o principal concorrente das marcas. Ele desequilibra a balança de valores em momentos de navegação, faz com que não aguentemos esperar o email, o contato, o download. Para falar a mais absoluta verdade não aguentamos esperar até nós mesmos, ou outros de nós mesmos, quando tentar conectar-se entre si nas imensas redes sociais globais.
Mas eu também discordo, sabe. O tempo é o melhor inimigo do homem. E digo mais: ele já morreu. Se em mil-oitocentos-e-aracy-de-almeida, Nietzsche matou Deus; em dois-mil-e-steve-jobs o Tempo é um novo Deus. Portanto, para os antrópologos do Homo Digitalis e para os paleontólogos do Homo Sapiens, fica a reflexão:
O tempo era linear e hoje é também hipertextual. A relação com esta nova dimensão de vida, onde somos várias personas, onde não aguentamos esperar por mais nada e produzimos conteúdo e mais conteúdo arremessado aos bilhões em nossas vi(d)as de escape, em tese, não pode ser mais controlada ou usada para fins comerciais. Pode ser assistida, sim. Espectadores de luxo que somos, escrevemos e contamos para nossos clientes que o filho de 14 anos vai montar o próximo carro da família. Mas não podemos deixar de contar também que, muito provavelmente, em seu flog, em seu blog, em seu Orkut, estará detonando com toda a força a mesma marca que ajudou a construir. Instantaneamente.
Pra mim, humilde aqui de meu home-office num aprazível bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro a grande competência será o navegar ao sabor deste fluxo de opiniões tão diversas, tão plurais e tão distantes do que tradicionalmente se fez até hoje.
Mais ou menos como tenho falado em algunsposts que venhoescrevendo há um ano.
Depois disso seguiram-se as palestras técnicas, com algum destaque para o ShaneSam Gamgee (que fora da terra média é conhecido por Shane Atchison, presidente da ZAAZ) que minutos antes divertia-se com sua coleção de mp3 (o som vazou do headphone gerando um momento bastante inusitado). É sua a contribuição que fecha o post: o Ipod se tivesse sido desenvolvido pela Microsoft. Afinal é sexta-feira, dia de VideoTeca Carreirasolo.
[youtube]http://youtube.com/watch?v=EUXnJraKM3k[/youtube]
E vocês? Como acham que seriam um evento se a equipe do CarreiraSolo tivesse organizado?