
Não raro, podemos nos colocar em um posição que chamo de “instinto gafanhoto”. E não se vanglorie caso você achar que estamos falando de alguma técnica kung-fu. Longe disso: oposto, até. A questão é sobre a sua voracidade em que as coisas aconteçam.
Acontece quando você menos espera. Na verdade, acontece por que você “menos espera”. Menos espera sua formação terminar, menos espera suas finanças andarem na linha, menos espera o seu cliente responder em tempo hábil, menos espera as coisas darem certo. E, até por isso, elas não dão.
Não há nada errado com você, sabia? O instinto gafanhoto é uma marca de nosso tempo. Para você entender o nosso tempo, ele é aquele que passa rápido e quando você vê, já foi. Ligou o nome à pessoa?
Vivemos a chamada crise de atenção e todos disputam seu likes e comentários. Produtores de conteúdo criam novas ideias a cada minuto, marcas querem propor a você “momentos inesquecíveis”; políticos então, nem se fala. Contudo, todos, ao que parece, focam apenas em sua superficialidade.
Mas como ele se manifesta? Como a nuvem dos insetos que os batiza, voam, chegam, devoram e vão embora. São assim os clientes-gafanhoto, são assim os profissionais-gafanhoto, são assim as marcas-gafanhoto, são assim as ações-de-marketing-gafanhoto.
Oferecem a chama inicial para que você se consuma rápido, na forma de uma imagem que você não pode perder, do vídeo mais engraçado da semana, da promoção, do novo iPhone que será novo por nove meses. Oferecem o momento. Apenas ele. E até que chegue o próximo.
Neste cenário, moldados nos últimos dez anos, profissionais (e porque não dizer, pessoas apenas, em sua mais pura essência), são doutrinados a pensar que este é o ciclo correto: de folha em folha, de trigo em trigo, de semente em semente, também se comportando de forma voraz, faminta e indigesta.
Tem volta?
Sempre tem. E, como vivo de fazer isso assim de graça, como um hobby do bem. Dou até três dicas de foco.
Foque nas histórias e tente entender o que está por trás delas. Uma notícia quase-má: o que você lê todos os dias, RARAMENTE é uma história. São, no máximo, espasmos de algo que acontece por baixo das aparências. Tente enxergar essas fontes. E não só no que se refere às tarefas do mundo da comunicação. Este comportamento vale para tudo!
Foque nas pessoas. Pois desafio você a me apresentar um acontecimento que não seja movido por e criado para elas. DO pedido de casamento aos black-blocks, a única forma de entender esta realidade enlouquecida, é lembrar que as pessoas, TODAS ELAS, estão conectadas por uma manada de gadgets que, muitas vezes, superam em número populações de países inteiros.
Foque no médio prazo. Tente abstrair da correria das timelines. Esqueça-as por uma semana. Salve para ler depois, e LEIA. Com calma. Crie, da mesma forma que aquele aparador para seus sapatos sujos na porta de casa, uma prateleira para seu smartphone. Esqueça dele por um tempo. Olhe nos olhos. Fale com eles.
Percebeu, gafanhoto? Largue a fome e tenha foco. Só assim você se alimentará.