Resiliência e trabalho duro, podem até ser pouco para resumir o trabalho de Paulo Veras, um dos primeiros unicórnios brasileiros. Mas, com certeza, são palavras que podem inspirar você.

“Eu acho legal fazer um plano de negócios, mas no dia que você tem seu Day1 e começa a empreender de verdade, o business plan sai pela janela”. Essa foi a frase dita no evento Endeavor Day1 2018, por um dos empresários brasileiros mais estratégicos e focados: Paulo Veras.

E esses elogios não são só porque a empresa que fundou, a 99, atingiu em 2018 a tão esperada marca de unicórnio ao ser avaliada em mais de um bilhão de dólares (junto com a Nubank e a PagSeguro), mas também porque o protagonista desse artigo teve realmente uma história repleta de superação e de persistência.

E não pense você que Paulo Veras é um rebelde que sai jogando tudo que é business plan pela janela.

Na verdade, o empreendedor é alguém extremamente focado, persistente, resiliente, dedicado e… bom, existem muitos outros adjetivos para ele, mas se eu tiver que colocar todos aqui não continuo escrevendo o artigo!

Enfim, hoje você vai conhecer um pouco dessa trajetória e vai poder se inspirar em alguém que realmente merece todo o nosso reconhecimento.

Quer saber por quê?

Por fazer a sua empresa alcançar o inédito posto unicórnio no Brasil, pelo seu desejo em empreender e por toda a dedicação que coloca nos negócios!

Como começou a trajetória de Paulo Veras?

Assim como você (ou pelo menos muitos por aqui), Paulo Veras se interessava por tecnologia desde pequeno. Isso lá nos anos 80, quando ainda era um mero estudante.

É claro que ele tinha alguns amigos que como ele também curtiam o mundo tecnológico. Talvez se fosse hoje chamaríamos os nossos meninos de uma “turma de geeks”, sempre ligados no universo dos ainda recentes computadores.

Nessa época é claro que eles já estavam programando na linguagem BASIC, mas foi ao entrar na USP e cursar Engenharia Mecatrônica que Paulo Veras conseguiu aprofundar ainda mais os seus conhecimentos em tecnologia.

Daí pra frente foi só mão na massa: o nosso estudante realizou um dos seus primeiros trabalhos técnicos ao criar um software de gestão para clínicas médicas.

Mas parece que ele ainda não tinha a “pegada” de empreendedor. Paulo Veras acabou deixando passar uma baita chance de negócio. “Se eu tivesse me perguntando ‘quantas outras clínicas também poderiam usar esse software?’, a resposta seria ‘milhares’. Eu vi, muito tempo depois, que perdi uma grande oportunidade. Poderia ter feito uma das primeiras empresas de software de gestão no país.”

Mas assim como todos os empreendedores persistentes, ter deixado passar essa oportunidade acabou proporcionando a ele um grande aprendizado. Depois disso, dificilmente Paulo Veras deixou alguma coisa passar batida.

Algum tempo depois ele se juntou com alguns amigos e montou diversos projetos, que iam desde um sistema de educação online até um site com lista de restaurantes e programação de cinemas, o GuiaSP.

Com essas iniciativas, alguns outros projetos começaram a cair no colo dos jovens empreendedores.

Só que a coisa não estava fácil pra ninguém. Pois é… assim como muitos de nós, Paulo Veras também precisava trabalhar em um emprego fixo, mais especificamente na multinacional ABB (Asea Brown Boveri). Mas é claro que a jornada dupla estava pensando um bocado.

Decidido apenas a focar no seu (ou melhor, nos seus) projeto, ele teve que enfrentar um outro desafio: convencer os pais de que iria abandonar o emprego para abrir um negócio próprio com os seus amigos.

Na verdade foram muitos desafios. Além de sair do emprego tradicional e “seguro”, ele ainda ia empreender e, pra piorar, na novata área de tecnologia.

Parece que ele queria dar um susto nos pais, não é mesmo?

E foi isso mesmo que aconteceu. Aos 23 anos, Veras deu a notícia dizendo que estava perdendo grandes oportunidades e por isso pediria demissão.

É óbvio que a sua mãe o criticou dizendo que não tinha experiência para isso e que a multinacional era a oportunidade de seguir uma carreira.

Pra piorar, o pai achou que tudo aquilo não passava de uma brincadeira. Dá para acreditar? Só que quando ele finalmente percebeu que era verdade, repetiu todos os argumentos da esposa.

Quem aí já passou por isso? Então levanta a mão!

Só que para a nossa surpresa, o contexto animou bastante Paulo Veras.

Parece que nem todos desanimam quando os parentes e amigos o chamam de “louco”, né? Alguns ficam ainda mais motivados…

Pra deixar isso mais hilário, esse foi considerado o tão esperado Day1 para ele. “Esse foi meu primeiro Day1. Foi o dia em que eu decidi queimar pontes e vi que queria mesmo empreender. Ainda não tinha nenhuma experiência de negócios, trabalhava como engenheiro, mas tinha certeza de que era minha paixão e toquei o barco.”

Quem diria?

O que aconteceu com Paulo Veras depois disso?

Nos anos 90, mais especificamente em 1996, quando a internet estava se tornando popular, Paulo Veras tinha uma empresa de webdesign chamada Tesla, que não, não tinha nada a ver com a de Elon Musk, só o nome mesmo.

O negócio atraiu investidores e acabou fechando aporte com o banco JPMorgan Chase.

E pra nossa surpresa (ou não tanta assim, afinal, a maioria de nós também passa por isso), Veras descobriu finalmente a diferença entre o lucro presumido e o lucro real. “A gente nunca tinha feito essa conta na nossa vida. Os investidores falaram que teriam de refazer nossa contabilidade dos últimos dois anos para apurar o lucro real. Tivemos uma surpresa não tão divertida: desde o primeiro dia em que montamos a Tesla, ela tinha dado prejuízo e pagamos muito mais imposto do que precisávamos.”

Ao identificar a sua dificuldade, o empreendedor decidiu fazer um MBA na escola francesa INSEAD. Pra piorar, na volta viu que a maioria das empresas que inspiravam a Tesla simplesmente tinham quebrado!

“Eu achei que a gente tinha de repensar e propus que liderássemos um planejamento estratégico. Apresentei minhas preocupações e tentei convencer todo mundo a mudar o modelo. Não conquistei ninguém e resolvi sair.”

Depois de 5 anos de liderança na Endeavor Brasil, e, claro, com muito mais bagagem e conhecimento, Paulo Veras investiu em diversos negócios.

Mas foi só em 2010 que ele criou algo escalável: o Imperdível, um site de compras coletivas.

Seis meses depois, tínhamos cem funcionários, faturávamos milhões por mês e achamos que tínhamos o melhor negócio do mundo das mãos. Três meses depois, eu estava completamente desiludido e falei que o modelo de compra coletiva não parava em pé, porque não havia recorrência.

Então, Veras, vamos em busca de outro projeto, certo?

Tocando o Ebah, uma startup de compartilhamento de materiais acadêmicos, ele conheceu Renato Freitas e Ariel Lambrecht, investidores que achavam que o negócio deles não tinha muito futuro, mas que os empreendedores eram realmente bons.

Paulo Veras começou a discutir como poderia melhorar o projeto. Foi então que surgiu a 99!

Como foi a trajetória da 99 de Paulo Veras?

“O problema era muito claro. Na nossa conta, os táxis movimentavam 20 bilhões de reais por ano no Brasil, mas eram um mercado cheio de ineficiências. Entramos de cabeça e fomos tocar a 99”.

Ele e os dois investidores começaram o negócio em 2012 e ficaram na linha de frente até o final de 2017, quando a empresa foi vendida para a Didi Chuxing.

Mas a trajetória foi praticamente uma aventura!

Em 2014, quando o negócio ainda não tinha garantias de faturamento, o corajoso Paulo Veras colocou o seu apartamento em garantia para fazer a 99 mudar de sede.

Já em 2015, a 99 conquistou aportes série A e B necessários para competir contra importantes players, como o Uber.

Só que nem tudo foram flores.

Também em 2015, Veras recebeu uma triste notícia: estava com leucemia.

“Estava lá, tocando a 99 naquele ritmo maluco de crescimento. Passei praticamente o segundo semestre todo no hospital. Estava fazendo o tratamento, mas meus sócios me visitavam duas vezes por semana e eu fazia reuniões por Skype… Para encarar uma doença grave, a mentalidade empreendedora me ajudou muito. Eu enxergava o lado positivo, via que tinha saída e era pró-ativo”.

Parece que o nosso empreendedor não estava com sorte. Em 2016 ele contraiu pneumonia. Que bom que pelo menos ele a superou em poucos meses.

E a startup também passou por dificuldades quando enfrentou um difícil momento de concorrência apertada e de investimento secando.

Só que 2017 foi um ano especial!

Inovações como a reformulação do posicionamento da marca e a inclusão da categoria para motoristas populares fizeram toda a diferença.

Mas foi o investimento pela Didi Chuxing que deu o toque final ao último ano de Paulo Veras na empresa!

E ele nos dá uma dica: “A perseverança é fundamental. A gente tinha muitos motivos para duvidar e desistir ao longo da jornada. Mas tínhamos valores muito fortes.”

Perceba que a história de Paulo Veras não foi fácil. Além das dificuldades nos negócios e de ser desacreditado pelos seus familiares, ele ainda enfrentou doenças bastante graves. Mas nada disso fez com que desistisse. Será que ele é uma inspiração para nós?

Queremos saber a sua opinião!