Saber como enfrentar dias difíceis é uma arte. Ainda mais quando isso envolve sua carreira.O importante é saber dar dois passos para trás e olhar a situação por um outro ângulo, que não o seu. Colocar-se no lugar do outro, além de um axioma zen-budista, é uma mão na roda no sobe e desce da Carreirasolo.

E o foco deste espaço é este: através do dia a dia de um freela registrar dicas de sobrevivência na selva do mercado de pequenos empreendedores. Por isso, relaciono a seguir alguns casos, vividos em primeira pessoa e espero não partilhado pelos leitores!

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1. Se meu escopo falasse

Acontece de você ser chamado para um projeto tão legal, que parece irreal. E quando você cai em si e descobre que realmente aquilo tudo não passava de uma enrolação sem fim, você acabou de conhecer o escopo fantasma. Ele cresce sem parar, leva suas horas de trabalho e sua paciência.

Sugestão: projetos são equilibrados por um tripé: custo, tempo, escopo. Se o escopo crescer, aumente seu custo e o tempo. E vice-versa.

2. Cliente chama você porque não conhece web

Você, editor, vai com os wireframes e sitemaps debaixo do braço. O designer leva o notebook com os estudos conceituais, logos…o programador preparou até mesmo uma apresentação das potencialidades técnicas deste novo banco de dados e uma simulação do ambiente administrativo.

Está tudo perfeito, até que a pergunta é jogada na mesa de reunião. Mas quem será que vai acessar minha home-page? Para que serve uma home-page? Este será o design na minha home-page? (olhando desconfiado para os wireframes).

Sugestão: transforme a apresentação em uma, ou várias, palestras, cursos, o que seja. Vai dar um trabalho, mas você transformar um job em um cliente para muito tempo.

3. Pane nas ferramentas

Três da madrugada. Falta só uns dois parágrafos ( psd´s, códigos) para você terminar, salvar e mandar por e-mail aquele frila que vai cobrir o rombo em sua conta. Basta car um CTRL+S e tudo estará…POW! Tela azul. Você reinicia, dá boot…e nada. Perdeu tudo.

Sugestão: sua ferramenta principal deve ser sempre uma, qual seja, o cérebro. Mantenha backup´s espalhados por sua mesa, crie um ambiente teste de upload e vá subindo o projeto aos poucos. Perder o trabalho é mais caro do que pagar um disco em algum datacenter.

4. Só 24 horas por dia? Essa não…

Tem dias que o Profissional Freelancer jura que vai parar. Precisa dormir, precisa alimentar-se, precisa ir ao cinema, coisas que ele, ao sair do mercado tradicional, jurou que faria com uma freqüência que causaria inveja em seus amigos. Mas nada disso aconteceu. O dia continuou tendo apenas 24 horas e, graças aos seus 45 projetos simultâneos, parece ter nem a metade.

Sugestão: aprenda a recusar um ou outro projeto menor, programe-se para concentrar-se somente na tarefa

5. Família incompreensiva

Acreditem, acontece. Mulheres a beira de um ataque de nervos, filhos jurando exilar-se em outras casas, promessas de noites dormidas na sala, namoradas ligando de 15 em 15 minutos, descrentes …enfim, viver trabalhando é por vezes um trato com a iniqüidade.

Sugestão: compreensão e amor incondicional. Elevação espiritual. Paciência sobre-humana, bíblica, de Job.

6. Vacas magras

Passou-se um mês, dois ou até mesmo três e nada aconteceu. Você já esgotou se estoque de ligações e e-mails e das quatro uma: nenhum clientes apareceu, o trabalho que você entregou no prazo não foi pago, a proposta não foi aceita ou você tomou um calote.

E, amigos abonados, um Profissional Freelancer vive sempre ¿no talo¿, à espera daquele frila salvador que irá pagar a tudo e a todos. Sugestão: viva a contingência. Seja a cigarra disfarçada de formiga.

Guarde sempre que possível, 10 ou 15% do que ganha para essas épocas que, invariavelmente, estendem-se do final de dezembro (com a entrega do último cartão, hotsite ou campanha de natal) a março ( com o início das promoções de verão, matrículas em cursos e escolas, restaurantes etc).

7. Vacas gordas

Três projetos grandes, que você parcelou em 6 vezes, garantem uma renda maior do que um emprego fixo. Pequenos projetos que pintam aqui e ali ajudam você a ir tocando suas contas, clientes satisfeitos, até o clima ajuda: ameno como o é em todo segundo semestre.

A partir de maio/junho a quantidade de projetos costuma multiplicar-se em muitas vezes e, só mesmo com muito jogo de cintura, para atender a todos os prazos. É o seu tempo de fazer dinheiro.

Sugestão: faça mas não gaste. Para maiores informações, leia o ponto 6.

9. Presença on-line

Você faz sites, faz campanhas, faz de tudo. Mas seu site vive precisando de reparos, está sempre um passo atrás da concorrência. Sugestão: estude uma permuta com um design e um programador amigos, pague seu domínio, corra atrás. Você é uma emrpesa. Não decepcione seus clientes. (Este eu tenho que seguir urgentemente, eu sei)

10. Críticos em geral

Você acha que está abafando e de repente recebe um e-mail/comentário que te tira o chão. Até mesmo quando não tem fundamento este é um momento especial. Seu trabalho, pela evidência que tem, tratando-se de comunicação, digital ou não, está sendo julgado.

Sugestão: comporte-se. Deixa rolar. Você não pode agradar a todos ao mesmo tempo.