Depois de avaliar tudo o que os planos oficiais ou particulares podem oferecer para o seu futuro, chegou a hora de conhecer os investimentos que você pode fazer, pensando em um fluxo de rendimentos que o ajude a “colocar o boi na sombra”. Hoje vamos avaliar de tudo um pouco, acompanhe:

FGTS, Tesouro Direto, Imóveis e Ações. A Previdência Pessoal

Chamei de plano de previdência pessoal aqueles investimentos que fazemos pensando na geração de renda passiva que no final das contas é o conceito de aposentadoria. É natural que optemos por esquemas de investimento pessoais ao invés dos sistemas tradicionais, afinal no Brasil temos um triste histórico de crises econômicas e logros perpetrados por empresas pouco idôneas.

Quem tem mais experiência vai recordar dos montepios que foram empresas de previdência privada criadas nos anos 60. Os planos dos montepios não tinham cláusula de correção pela inflação o que corroeu as reservas e benefícios de milhares de pessoas, acabando com a poupança realizada por décadas.

Outro ponto é que os planos de previdência cobram taxas de carregamento, saída e administração que são menores ou até inexistentes em outros tipos de aplicação.

Por último e não menos importante temos que o plano de previdência tem como objetivo principal o pagamento de renda vitalícias, o que garante o pagamento durante toda a vida, mas impede que deixemos os valores acumulados para nossos filhos e netos. Em contrapartida a previdência pessoal não conta com os dois incentivos tributários dos planos de previdência.

O primeiro incentivo tributário diz respeito ao abatimento das contribuições aos planos na declaração anual de imposto de renda. Nós podemos abater contribuições equivalentes a 12% da renda bruta tributável anual, o que diminui o total de imposto a pagar. Para aqueles que não se beneficiam desse sistema pode-se ainda contribuir a um VGBL, que não tem essa característica mais em contrapartida é tributado só sobre o rendimento na alíquota de 15%, podendo parte desse valor ser restituído na declaração do IR.

O segundo incentivo é que o pagamento do Imposto de renda é feito somente no resgate ou pagamento de benefício e de acordo com alíquotas mais baixas que aplicações normais. Isso significa que você não paga imposto quando muda o perfil de investimento, diferente do que ocorre com uma aplicação normal.

Vamos conhecer um pouco melhor as quatro opções mais indicadas para a sua fonte de renda passiva?

FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

É uma poupança compulsória equivalente a 8% da remuneração mensal. Em tempos de inflação baixa e taxa de juros declinante, o saldo do FGTS não é mais corroído com o passar dos anos o que faz que acumule valores cada vez mais interessantes. Utilizar o saldo do FGTS na compra da casa própria e no abatimento do saldo financiado são ótimas formas de gerar renda passiva. Para saber o seu saldo no FGTS e formas de utilização acesse aqui.

Imóveis

Investir em imóveis talvez seja a forma mais antiga de geração de renda passiva para o período de aposentadoria. Foi a forma que nossos bisavós encontraram de investir suas sobras e pode ser a nossa também. Antes de mais nada quero ressaltar que não gosto dessa aplicação por questões pessoais, já que imóveis requerem uma análise rigorosíssima de localização, vizinhança, opções de transportes, serviços próximos e até dar uma olhada no plano diretor da cidade. Depois disso tudo, ainda tem a seleção do inquilino, contrato de locação, vistoria, reforma, período de vacância,etc.

Mas o que eu acho um saco, pode ser para você um hobby, o que transformará aplicar em imóveis num investimento que também tem sua componente de prazer. Aplicar em imóveis gera dois rendimentos: o primeiro a renda com aluguel e o segundo o ganho patrimonial com a valorização do imóvel.

Aqui, vale um parêntese: a compra da casa de praia ou campo não devem ser encaradas como investimentos para a aposentadoria. Embora a aquisição desses imóveis possam ser seu sonho para o período de descanso você deve entender que eles não geram renda passiva, o que é o objetivo do seu plano de aposentadoria pessoal, na verdade essa compra tem relação com a realização de desejos e não com uma decisão de investimento.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é a melhor forma de aplicar em títulos do tesouro nacional. Essa é a mesma aplicação que o fundo de renda fixa faz, mas com uma taxa de administração bem menor. Outra vantagem do Tesouro Direto em relação aos fundos é que você pode escolher o tipo de título que deseja comprar.

Pensando em investimentos para a aposentadoria a melhor opção são os títulos NTNB150535 e NTNB150545, ambos são corrigidos pela inflação (IPCA) mais uma taxa de juros e tem vencimento respectivamente em 15/05/2035 e 15/05/2045.

Cabe ressaltar que o vencimento é a data que compulsoriamente recebemos o valor aplicado corrigido pelo IPCA, mas os títulos podem ser vendidos a qualquer momento antes dessa data. Outro ponto é que os juros será recebido semestralmente em sua conta o que representa a renda passiva gerada por esse tipo de aplicação.

Você poder utilizar o tesouro direto para gerar um montante razoável de renda passiva, para tal basta reaplicar continuamente os juros aumentando o valor aplicado e deixar a mágica dos juros compostos fazer o resto.

Quer um exemplo? Vamos supor que você tenha 30 anos em 2012 e pretenda desacelerar suas atividades profissionais a partir dos 65 anos, ou seja, em 2047 . Você dispõe de R$500 mensais para aplicar e fica em dúvida se deve ou não reaplicar os juros (por hipótese, 4% ao ano), pois acha o valor muito pequeno. Vamos analisar então o valor mensal dos juros que você teria em 2047, reaplicando ou não.

1ª Sem reaplicar. Sem reaplicar o montante acumulado seria de R$210.000 e os juros mensais a partir de 2047 representariam R$700,00

2ª Reaplicando. Reaplicando religiosamente o juros recebido de 2012 até 2047, o montante final seria de R$450.000,00 o que renderia juros mensais de R$1.500,00.

Note que o valor da renda passiva gerada pela segunda opção é mais que o dobro da primeira. Para aplicar do tesouro direto é preciso realizar um cadastro especial do seu Banco e/ou corretora de valores. Os principais banco comerciais facilitam esse processo e tem a descrição do passo a passo para o cadastro bem como linkam essa aplicação automaticamente a sua conta corrente. Para maiores informações acesse o site do tesouro direto.

Ações

Aplicar em ações é considerado por muitos como um jogo e pelo restante como uma aplicação muito arriscada de curto prazo. Porém, para algumas pessoas aplicar em ações pode ser uma forma interessante de geração de renda passiva. Devemos ter muito cuidado ao aplicar em ações pois é um investimento que mexe com nossas emoções. Racionalmente é simples:  basta comprar na baixa e vender na alta. Mas quem disse que conseguimos ser racionais quando se trata de ações?

Eu possuo um carteira de ações cujos papeis já foram contados a R$80.000 em 2008 e que no auge na crise de 2009/2010 estavam avaliados em R$30.000. Imaginem o quanto queria comprar quando eles só subiam? E o quanto quis vender quando eles valiam menos que a metade do valor máximo?

Hoje essa mesma carteira vale cerca de R$ 55.000 o que ainda é bem distante do máximo. O que me faz manter essa aplicação é o foco no meu objetivo que é receber os dividendos e transformá-los em minha renda passiva. Atualmente seu valor é irrisório, mas como os reaplico sempre, espero aumentar muito o seu valor até a data de minha aposentadoria. Como não sou especialista em empresas e avaliação de ações procuro seguir as recomendações do meu banco e foco na compra das ações consideradas boas pagadoras de dividendos. Para maiores informações sobre ações acesse o home broker do seu banco, ou o site da bmfbovespa.

O que podemos concluir sobre os Planos Pessoais

Na verdade o que chamei de plano pessoal é aquele que você faz utilizando as opções de investimento de longo prazo. Nesse caso, o importante é encontrar o(s) investimento(s) que mais lhe agradam e seguir sua estratégia de geração de renda passiva.

Dicas para Plano Pessoal

  • Concentre seus investimentos em um único banco e conta, visando negociar tarifas e taxas mais vantajosas. Planeje o quanto quer de renda passiva e quando, isso vai determinar seu aporte mensal.
  • Não misture esses investimentos com a poupança para viagens ou troca de carro.
  • Avalie se a rentabilidade esta de acordo com o mercado.
  • Não fique olhando o valor dos investimentos, evite essa tentação.

É isso pessoal. Esse foi o último artigo sobre a série dos tipos de planos previdenciários. Se você chegou por aqui agora, fique por dentro que eu já publiquei:

Ainda trarei algumas dicas sobre como escolher os parâmetros do seu plano de previdência individual. Se ficou alguma dúvida, mande um e-mail para mim.