Como eu havia dito no último post, falarei sobre os 4 princípios que regem os bons assentos. Eles foram elaborados por estudos anatômicos, fisiológicos e clínicos da postura sentada.

Desks #2
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1. As dimensões do assento devem ser adequadas às dimensões antropométricas (medidas do corpo) do usuário. A dimensão crítica é a altura poplítea (da parte inferior da coxa à sola do pé), que é a que define a altura do assento. Caso ele esteja acima ou abaixo do ideal, o usuário não consegue um apoio firme para as tuberosidades isquiáticas (estrutura óssea que transfere todo o peso do tronco para o assento), que devem estar confortavelmente estabilizada. Já a largura do assento deve ser adequada à largura do tórax do cidadão (cerca de 40cm), e o comprimento não pode ser nem curto nem longo: deve deixar 2cm de espaço entre a parte interna do joelho e o assento. A NBR 13962 recomenda largura de 40 cm e profundidade útil entre 38 e 44cm para o assento. Tendo em vista a grande variação dimensional entre as pessoas, é interessante que a cadeira seja regulável. A menor medida deve ser de 35,1cm e a maior de 48cm, segundo dimensão da população brasileira.

2. O assento deve permitir variações de postura. Como citado no último post, a variação de postura é fundamental: alivia as tensões nos discos vertebrais, da estrutura muscular dorsal, e ativa a circulação das partes em contato com o assento… Assim, as nádegas não devem se encaixar de modo ultra confortável no assento, pois assim fica mais difícil as pequenas mudanças de postura. O apoio para os pés para quem permanece horas a fio no computados (como eu e você) estimula e ajuda nessa mudança de postura além de servir de apoio para as pessoas pequenas.

3. O encosto e o apóia-braços deve ajudar no relaxamento. O encosto regulado a um ângulo entre 110 e 190o confere alívio aos discos invertrebados e à musculatura vertebral. Um espaço reservado para “acomodação” das nádegas é fundamental como uma curvatura adequada na altura da junção entre encosto e assento, ou mesmo um vão entre 15 e 20cm nessa região da cadeira. Os apóia-braços não são utilizados com freqüência, servem para descansar os antebraços e ajudar a guiar o corpo durante o ato de sentar-se e levantar-se.

4. Cadeira e mesa formam um ângulo integrado. A altura do assento deve ser pensada conforme a altura da mesa (já que uma mesa de altura regulável é mais difícil). O objetivo é que a mesa fique aproximadamente na altura do cotovelo, para que a pessoa trabalhe com ele dobrado a aproximadamente 90o. Por consequência os braços da cadeira devem ficar na altura da mesa ou um pouco abaixo para apoiar adequadamente os cotovelos. Entre o assento e a mesa deve haver um espaço de pelo menos 20cm para acomodar as coxas e permitir alguma movimentação.

No próximo post abordarei questões que integram o usuário, cadeira, mesa e computador. Até!