Nota do Editor:

Recebemos este depoimento de um de nossos leitores, o Marco Campos, do SuperCuca. Na verdade, tudo começou como um pedido de atualização de seu perfil no antigo Galerasolo, uma série de entrevistas que fazíamos há (muitos) anos atrás. Hoje, tudo caminhou e muito bem. Daí, convidamos o Marco para contar a sua história. Vai lá, Marco!


Minha história provavelmente não é das mais belas, muito menos a mais inspiradora, por ser desprovida de ficção. Mas é como tudo aconteceu: A real história de um brasileiro (ou melhor, guerreiro) cheia de altos e baixos, vitórias e derrotas… e muito aprendizado.

1985 – A nada mole vida de um nordestino pobre no interior de Sampa.

Eu, meus pais e mais 5 irmãos viemos do interior da Bahia para o interior de São Paulo. Aos 8 anos, não tinha grana para comprar brinquedos, logo, a gente os inventava. Acredite, com chinelos Havaianas usados, criava-se pneus para carrinhos feitos de lata de óleo (óleo de sola Liza eram embalados em latas de alumínio).

E jogávamos bola feita de tecidos (geralmente meias e outros, de origem bem duvidosa) na rua, desviando-se de carros e caminhões. Criávamos máscaras de heróis e vilões com cartolina e tesoura, porque não podíamos comprar os originais. Como a gente não tinha TV nem energia elétrica, acendíamos fogueiras e os mais velhos contavam histórias e causos (os causos de terror eram meus prediletos).

O único rádio da vizinhança era compartilhado e alimentado por bateria de caminhão. Não aguentava mais ouvir música sertaneja!

1994 – Primeiro emprego CLT na cidade grande

Mudamos para a capital em 1998. Fui contratado como office-boy, aos 14 e ganhava meia URV (Lembra da unidade real de valor dos anos 90, anterior ao Real?) que em miúdos, era uma miséria. Na verdade, já fazia bicos desde os 12 anos. Odiei todos os trabalhos que tive porque me sentia preso nas burocracias e monotonia diária. Mudei de emprego diversas vezes: fui vendedor, atendente, auxiliar de escritório, agente de viagem e até guarda-noturno. Já cheguei a ficar apenas 8 dias numa empresa.

a-vida-como-ela-e

Marco, lá do SuperCuca

2006 – A faculdade de Publicidade e Propaganda

Eu já era metido a criativo nessa época, mas vivia levando calote pelos projetos freelance executados. Queria aprender mais, entender como o “maravilhoso universo da comunicação” iria me acolher e me transformar num mega criativo, rico e famoso como os publicitários dos anos 90 (#SQN).

Ralei muito, porque queria estar sempre entre os melhores alunos. Concluí a faculdade, enquanto vivia correndo atrás de clientes com uma pasta A3 na mão, tomando chuva e levando um monte de “Nãããããooooooo”.

2012 – Chega de freela, quero ser Diretor de Arte

Fui trabalhar registrado como D.A, com crachá e tudo mais, porém, me decepcionei com muitos aspectos. Na verdade, descobri que o mundo da comunicação não era tão maravilhoso como imaginava na faculdade. Panelinhas, ego inflado, “criativozinhos metidos a bestas”, trabalho-escravo e muitos chefes para poucos índios, foram as tristes constatações que vivi. Muito stress e como já havia pulado entre empresas, agências, como CLT, freela, acabei descobrindo que…

A vida como ela é… I WANT TO BE FREE! (De 2014 aos dias atuais)

Criei minha própria agência (ops, eugência), ou se preferir, consultoria, tanto faz. Decidi batizá-la de Supercuca, como alusão aos cérebros criativos que nunca se contentam com as primeiras ideias e adoram estratégias. Aqui na Supercuca a pegada é Marketing de Conteúdo e também atuamos com apresentações corporativas. Ralo todos os dias, para ter um CNPJ ativo e com todos os impostos pagos, mas sou livre.

Liberdade é poder decidir que horas acorda e começa a trabalhar e principalmente, quando demite um cliente da sua vida. Ser livre tem seus prós e contras, mas não há nada melhor do que ser dono do próprio nariz, da sua vida e dos seus sonhos.

Isso mesmo, quero construir meus sonhos e não trabalhar 12hs/dia para construir sonhos de outra pessoa.

Penso que às vezes que ter liberdade é um preço alto que pagamos, mas como tudo na vida, vele muito a pena!

Um brinde aos empreendedores criativos de plantão!