Você já assistiu ao “The X Factor” ou ao “Britains Got Talent”, não? Esses e outros realitys que têm como marca a descoberta de novos talentos costumam sair da cabeça de um inglês meio metido à besta (redundâaaanciaaaa!) chamado Simon Cowell. Sim, aquele que fez você descobrir a Susan Boyle.

Pois bem, antenado que só, o cidadão assinou junto com o Youtube uma parceria para criar o primeiro reailty show exclusivo para a plataforma. As inscrições são feitas a partir de envio de vídeos para canal The You Generation. Como será feita a seleção e demais detalhes, somente no primeiro capítulo, que vai ao ar amanhã, ao viv, às 20h.

Considerações

A síndrome da segunda tela, fenômeno cultural (e por que não dizer cotidiano) que vem sendo estudado pelos “marketcheiros” do mundo inteiro baseia-se no fato de que não mais temos na TV a tela principal a captar a nossa atenção. Ela é compartilhada com smartphones e tablets (se você for dos anos 90, notebooks) que servem de trampolim para o nosso passeio pelas redes sociais, comentando em tempo real aquilo que vemos. Os próprios programas criados pelo Simon Cowell retiram benefícios desse novo patamar de interação, usando e abusando das hashtags em dias de votação.

Não se trata, portanto, de revolução ou reinvenção. A melhor maneira de traduzir este tipo de iniciativa é através de outra palavra: apropriação. Se o fluxo de informação e opinião tornava-se “livre” ao chegar da TV e invadir redes sociais, a apropriação do suporte dessa comunicação por parte da antiga indústria cultural, se assemelha ao garoto de cabelo penteado e meias limpas que, por ser dono da bola, quer jogar de centro-avante.

Isso quer dizer que será ruim? Nem que sim, nem que não. O talento existe e testemunhá-lo nascer é algo transcendente, como já disse aqui. Contudo, observe que nós, usuários do Youtube, que fizemos o sucesso de programas assim, ao trazermos para o ambiente dos comentários e curtidas, os episódios que mais gostávamos, veremos agora sumir o sabor da descoberta e de uma saudável insurgência ao “status quo”.

Agora, não mais. Com episódios ao vivo e gestão em sua mão, a primeira “audição global” do talento do século XXI permite ensaios por Skype e nos roubou a chance de fazer o nosso próprio gol. Em resumo, reforço positivo globalizado.

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