[ratings] latinjazz_capa.jpgSeja bem-vindo ao centro do Rio de Janeiro em 1997. Eu, neste momento estou escolhendo alguns CD[bb]´s para comprar e ouvir no final de semana, se não me engano na Gramophone.

“É o Santana[bb]. Ele mistura o som latino com uma levada pop, pode levar”. Assim disse o diretor de arte que na época fazia dupla comigo e que se mostrou um amigo para muito tempo depois, tanto que hoje assina aqui as tirinhas do Romy. Eu levei. E daquela época em diante passei a prestar atenção para além do folclórico e dos almanaques pseudo-antropológicos da TV.

(Salto Temporal de três anos)

Um churrasco de final de ano na cobertura de uma amiga, ainda no Rio de Janeiro, no Leblon. Projetava-se no telão o documentário Buena Vista Social Club[bb].

O “Son”, ritmo que aprecio muito, realmente leva a gente para um lugar qualquer que não sei o nome, e do qual só posso dizer que é nostálgico e autoral. Uma autoralidade esmaecida nas lembranças de antigos senhores e senhoras que se sentem tão pouco à vontade na pele dos 90 anos, que fingem ter pelo menos 40. Parentêsis: eu tenho alguma críticas ao trabalho de “pesquisa” do Ry Cooder[bb] que pra mim foi só um oportunismo disfarçado. Mas, vá lá. O documentário emociona.

(Vooooshhhh. Outro salto. Desta vez ,de oito anos.)

Latin Jazz e sua fusão solar.

E, finalmente, viajando por este mundo de música e memórias recentes chegamos a 2008. Recebo um dos lançamentos da Putumayo World Music, o Latin Jazz. Estou ouvindo e me preparando para resenhar este lançamento aqui para o Subsolo, o centro de referências do Carreirasolo.org.

E com o Latin Jazz na mão 1997 e 2000 vieram me contar que estão lá em cada uma das faixas. Vale lembrar que, em parte, pelo álbum ser um CD físico mesmo, com encarte trilíngüe (que luxo!), papel de excelente qualidade e o charme inconteste da caixinha em formato livro. Mas tem mais, ah tem muito mais.

A seleção promovida pelo selo americano apresenta, para variar, um panorama que vai além do previsto. A música latina é aqui apresentada numa vertente jazzística que não perde a manha. É fusionada com um Jazz solar, de improvisos dançantes, que parece ideal para ser tocado nas praças de Cuba, num caldo de auto-referências e escalas imprevistas. E acompanhado de bons pratos, vinhos ou o que mais a mesa puder lhe proporcionar de prazer.



Tómas R. Einarsson – Rumdrum from Putumayo World Music on Vimeo.

Além da Rumdrum, no clipe acima, destaco ainda:

  • El Sabronson, escolhida para representar Poncho Sanchez[bb] que até pela sonoridade do título me lembrou muito do Son cubano recuperado pelo Ry Cooder[bb]. Trazida aqui com um arranjo-passeio por várias leituras do próprio Son, Rumba e até um esbarrãozinho na New Bossa com o solinho de flauta ao final.
  • Congo Mulense, com Machito[bb] e Cannonball Aderley[bb]… que sim, me lembrou o som de 1997 citado aqui no início do artigo. E nem por isso menos fundamental.

(Em nome da imparcialidade não posso deixar de mencionar uma escorregada na inclusão de Summertime, não por não ser um clássico, mas por estar ocupando o lugar de alguma revelação ou registro mais autêntico. Nada que desabone a compra, é bom dizer.)

E como dizem por aí, o show tem que continuar

Esta pequena resenha do Latin Jazz é a retomada de uma parceria que muito me honra. Adoro o trabalho de pesquisa e coletânea deles, o tom despretencioso e genuinamente plural de sua comunicação.

E, claro: aqui no Carreirasolo.org a gente não faz nada sem pensar nos leitores. Então aí vai:

Quem comentar o post e o CD abaixo está automaticamete inscrito para o sorteio de dois Latin Jazz. Simples assim: comentou, entrou para o sorteio. Vale lembrar que, quem estiver num leitor de RSS tem que acessar o post lá no site, ok?

Vai perder essa, cabrón?