2º Ato me fez pensar: será que o Teatro tem força para continuar mágico?

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Alardeado como um exemplo bem sucedido de divulgação viral, que apareceu, cresceu e fez sucesso a partir do boca a boca e troca de músicas em comunidades virtuais, O Teatro Mágico, trupe músico-circense liderada por Fernando Aniltelli; lançou seu segundo Álbum há dois dias.

Claro, bateu todos os recordes para um lançamento do tipo: mais de 90.000 downloads na Trama Virtual. Já destronando assim de saída (numa comparação quase injusta entre downloads e venda de CD´s) os 85 mil CD´s vendidos do primeiro trabalho, o excelente Entrada Para Raros.

No entanto…

A despeito do melhor acabamento sonoro e marketológico, contudo, temo pelo 2º ATO justamente pelo fato de que nele, O Teatro ter deixado de ser 100% mágico.

Faltou uma PRATODODIA, um ANJO MAIS VELHO, um SEPARÔ. Em seu lugar vemos tentativas de fagocitose de samba carioca e bandas pop paulitas das quais, mui inteligentemente o OTM se distanciava, em coisa de anos luz de evolução lírica e presença de palco.

Nas palavras do próprio autor:

No primeiro CD…, a trupe estava imersa num universo paralelo, num lugar onde tudo era possível, falávamos de lutar pelos nossos ideais, pelos sonhos. No Segundo Ato, a gente dialoga sobre como realizar isso. É como se a trupe chegasse na cidade e se deparasse com as questões sociais e urbanas…

Aliterações infinitas salvas por Insetos Interiores

Ok, mas e se o segredo fosse justamente manter-se onírico, num mundo tão querente de sonho? Se o sucesso veio a reboque da possibilidade de uma experiência maior do que o pacote DVD-Show-Programas? Opinião minha: o mundo precisa de sonhos.

Mas o novo trabalho traz um esforço de aliteração nas letras que, além de incomodar, deixaria rubro o mais afetado dos simbolistas da virada do século retrasado. Uma poesia que enfraqueceu justamente por tentar chegar ao palco principal repleto de vaga-lumes midiáticos, quando, eles mesmos, eram luz da lua direta e sem cortes. Enfim, vamos entender quando isso?

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

Sendo mais parcial, visto que ainda gosto muito do primeiro trabalho, diria que existem dois momentos que salvam o 2º Ato. O primeiro é a de Insetos Interiores, declamação que me lembrou uma espécie de “Use Filtro Solar” com pitada de mal do século; e até por isso soa inteligente, como um diálogo com a plataforma que lançou o grupo, a web.

E o segundo, a música Pena, que figura quase um pedido de socorro pela alma do grupo. Foi ao ouvi-la pela terceira vez, num ambiente silencioso-fim-de-noite que me caiu a ficha: este caminho rumo a uma exposição maior, a estar presente em programas de auditório, a ter seu primeiro clipe (numa promoção da FizTv) e tudo isso, parece incomodar - num certo sentido, digamos mais artístico - , ao próprio coração-alma d´O Teatro Mágico.

Em sua comunidade oficial no Orkut, lemos que a música surgiu após um show em que as coisas não teriam dado muito certo par a Trupe, meio que empatando os gastos de uma viagem mal sucedida. Seria então o 2º ATO uma viagem complicada (não necessariamente mal sucedida, que fique registrado) rumo a um futuro oco? Creio ser sintomática. Ouçam:

Eu também sinto que sei que vocês são um tanto bem maiores pessoal.

Sigamos: os dispostos se atraem.


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Publicado em 20/06/2008 às 3:51 na categoria Música. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

10 Comentários para “2º Ato me fez pensar: será que o Teatro tem força para continuar mágico?”

  1. klaudin -

    Me parece que o problema não é o Teatro e sim você, desculpe mas discordo em algumas questões, acho que você está apegado ao primeiro disco, e por isso não achou o segundo 100% (ainda) pois alias, quase sempre acontece isso nas primeiras impressões.

    Quando você diz que faltou algo como pratododia, anjo mais velho ou separô eu digo que sobrou qualidade em Cidadão de Papelão, Xanéu n°15, e Sina Nossa.

    Fora alguma músicas que eu já conhecia e gostava muito como Sonho de uma flauta, Eu não sou Chico mais quero tentar, Abaçaiado, e principalmente Pena, que ganharam merecidas versões de estúdio e muito bem arranjadas..

    É meio difícil acostumar com algo novo quando o antigo é muito bom, mas isso passa você vai ver… na minha opinião não são as primeiras opniões que ficam…

  2. Mauro Amaral -

    Como eu disse, eu gostei de algumas faixas. Só senti falta de um toque…mágico.

  3. Mari -

    Mauro, gostei bastante do que escreveu.
    Acompanhei a trupe bem de pertinho quase que o ano passado todo, e o 2° ato me trouxe a sensação de uma quase decepção.
    Gosto muito da banda e acredito que as canções tenham um propósito crítico, só que com tanta produção, acabou ficando mascarada demais.
    Demorei para entender aquela canção com ” Lalás” incessantes, que a princípio, achei ser NX Zero ou alguma banda similar.
    O Teatro Mágico cresceu bastante, sozinho, sem ajuda, e sem fé da mídia, o que além de louvável, deixa a esperança dentro do coração.
    Esperança de que a gente também é capaz, que pode mudar as coisas e passar mensagens de protesto, sem perder a ternura, doçura e simplicidade.
    Simplicidade.É essa a palavra e é isso que faltou no 2° ato.

  4. D.™ Rocha -

    Olá Mauro.

    Tenho visto muitas críticas sobre esse 2° cd da trupe, muitas negativas, mas a maioria positivas.
    Espero que um dia você entenda a proposta de Anitelli, como o moço do primeiro comentário disse, pode estar muito apegado ao 1° cd ainda.
    Acontece que quem acompanha a trupe, quem dedica um bom tempo de sua vida ao TM (como eu), pegou a idéia logo de cara, estou imensamente feliz com essa maturidade da banda, é um cd reservado para bons entendedores, ouvi tanto o 1° cd que esse 2° não poderia ser melhor, a magia que você acredita estar faltando ainda está lá.. pelas mãos de Anitelli ainda… não sumiu não, é só perceber direitinho.
    A palhaçada acabou… agora a coisa é séria. Nada mais digno ele nos fazer entender que a energia da banda pode ajudar a melhorar as mazelas da vida, vamos olhar para o outro também, não existe apenas Eu, e sim NÓS!

  5. Buli -

    Opa!
    Legal o que escreveu, concordo em grande parte, mas gostaria de ressaltar que essas músicas lançadas agora não são de hj! “Abaçaido” e a própria “Pena” são músicas criadas antes mesmo da gravação do “Entrada só para raros”.
    Na verdade creio que o Fernando atravessa uma nova fase na vida e isso acaba refletindo em suas composições.
    Sou músico e sei mto bem o que é a dificuldade de tirar o paradigma do público que já espera um trabalho igual ao anterior.
    Acredito que os melhores músicos são aqueles que não têm medo de experimentar e tenha ctz que esses músicos que experimentam são os que realmente se mantém nos “iPods da vida”.
    Temos por exemplo o CPM22 que na minha opinião gravou um monte de CDs “iguais”, quero dizer, mesmos assuntos mesmos ritmos uma mudancinha aki e outra ali, mas nada que se destaca-se de fato. Em contra partida temos o Los Hermanos que só parou pq quis. Se eles tivessem continuado fazendo cds cheios de “Ana Julia” eu duvido que a história seria a mesma.
    Enfim…

    No show de lançamento do 2 disco, o Anitelli disse que o Teatro Mágico seria uma trilogia com um início um meio e um fim…
    Vamos esperar o desenrrolar da história. =)

    Buli - Paralelos S/A

  6. Priscila -

    Realmente, a trupe deixou um pouco(só um pouco) a desejar!Senti memsmo a falta de algo como “o tudo é uma coisa só” ou “realejo”, mas como ele mesmos defendem, arte é livre, e temos que reconhcer que é arte!Embora discordo que precisemos de sonhos…Já que hoje existe um desgraçado de tal” M’c crew”, as pessoas precisam de uma elucidação do mundo em que vivemos…como em “cidadão de papelão”, que além de uma música muito gostosa é crítica, mas não é quelaquer uma que a entende, ou”xanéu nº 5 ” que fantástica e em compania do mestre Zeca Baleiro, é um tapa na cara de muita gente ignorante consciente…Puta merda…Faustão, Gugu, Sonia Abrão, Silvio Santos?O caso Isabella virou uma novela!!!
    Acho que tem mais é que falar mesmo de roda essa podridão camuflada!!!!!É isso Fernando, bato palmas pra você desde a 1ª música que ouvi na 7ª série(estou no 2º), apoio novas express~~oes e novos trabalhos!

  7. Mouse -

    Criticar por criticar é muito fácil, chega a ser comodo, é deleite. Artistas, pobres artistas, antes fossem politicos cheios de promessas não cumpridas, obras inacabadas, antes de serem alvos vitimados pelo que fazem de melhor. No país da crítica a boca é larga e os dentes escancarados, a intenção se faz atentado, as opiniões se subvertem, e nessa poucos ganham o paraíso como recompensa. O teatro mágico é uma das expressões artisticas mais bonitas e originais que já ví, a poesia tem prevalecido sim, como músico, ressalto o amadurecimento grandioso da banda, que mesmo com novos integrantes não teve a espiritualidade e o compromisso pela mensagem afetados, mantendo firme a idéia do lider Fernando Anitelli. Sou de uma terra que emana cultura, onde muitos conseguem falar do mesmo assunto de formas absolutamente diferentes, e a ordem se mantem pelo progresso, acredito que a arte por ser um fruto humano está estritamente ligada a relação tempo-espaço, o brilho do TM não vem do polimento, é natural, é nobre, é afago, por entender tão bem certas questões, bálsamo para quem procura arte em tempos que as máscaras não fazem parte da fantasia, se tornaram uma constante.
    Acalmem os ânimos, o TM é arte, é pra todos e é de graça. Sem fanatismos: Cada um sabe a dor que tem e de ser o que se é.

    paz e vida longa ao TM.

  8. Rafa -

    Olha, desde Legiao Urbana, na minha opinião, nao aparecia alguem com tanta força e que fosse capaz de tocar nas nossas feridas mais profundas e alivia-las…. O cara e a trupe, são usados por uma força maior que está renovando e abrindo as portas para alma da musica e nao só a chatisse da velocidade ou tecnica de instrumentos bem tocados…. A coisa é simplesmentemente bem feita e absolutamente tocante….. Abraço a todos e como dizia Renato Russo força sempre… Força sempre Anitelli!!!!!

  9. Eliseu -

    Desde quando sua disciplina virou liberdade
    Desde quando e até quando
    Você vai continuar me enrolando
    E me fazendo pensar que toda a pureza
    E toda a integridade fantástica e fantasiosa
    Que aos extremos foi volumosa
    E ao Maximo dos terrores
    E dos aplausos do seu ego foi Glamourosa, me serviu!

    Clamei por um Deus
    E berrei pela força superior
    Que apagaria a ferrugem dos dentes escancarados
    Nas lembranças de fatos encarnados
    Que viajavam para a lua em minutos
    E voltavam à minha mente
    Pra me entristecer
    Tentando entender o porquê,
    De ter que escolher
    Entre a fama de uma vida abandonada
    Cercada da luz de todo um mar grandioso e belo
    Feito uma ilha cheia de riquezas
    Mas jamais vista e explorada pelos olhos que deveriam
    À viver em um cantinho
    Exprimido pela sua total fúria radiante
    Que domina o ambiente
    E me acalma quando me ama
    Mas me apavora quando me engana
    Chega, chega, cega…….
    Eu não agüento mais ….
    Não, Não , não

    liberdade a poesia… liberdade as palavras!!!!

  10. Lia -

    A meu ver, o segundo disco tem músicas lindissimas, mas quando ouvi pela primeira vez, não senti o mesmo “tchan” que senti quando ouvi o primeiro. E eu acho que muita gente, assim com vc e eu, também sentiram isso. Eu amo O Teatro Mágico demais da conta, mas realmente o 2º Ato, embora mt bom, está menos encantador que o Entrada Para Raros.

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Trupe circense liderada por Fernando Anitelli teria perdido a mágica em troca de aliterações e versos infinitos, mas sem tanta alma. Em apenas dois momentos sentimos a presença do Entrada para Raros. Mas ainda há esperança, no final, os dispostos se atraem.
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