Você me auto-ajuda a ganhar um milhão em 5 anos?
Os jornais têm publicado notinhas e matérias que denotam certo espanto na quantidade de títulos de auto-ajuda na Bienal do Livro que está acontecendo em São Paulo até o dia 19/03. Tudo bem que tem aí o ranço entre acadêmicos e o resto do mundo que não usa blaser de veludo em pleno verão. Tudo bem que existe alguma razão por trás de tudo, afinal os livros têm textinhos leves e sem grandes mensagens. Tudo bem que vendem que nem água e o cara que te ensina a ganhar um milhão em dez anos fica rico em apenas cinco. Tudo bem, tudo bem.
Mas repare nos temas: deus, amor, família e com um abraço de brinde, um tapinha nas costas e aquele gosto no final de “calma, tudo vai dar certo meu amigo, minha amiga.” É infalível.
Quem está pronto para encarar SOMENTE, por exemplo, Gregor Sampsa virando barata? Raskolnikov enlouquecendo? Ursula vivendo cem anos de solidão em Macondo? Capitu pulando a cerca? (ou não, ou sim, ou não…)
Queremos abraço e não mais braço para lutar contra. Bom, tem gente que prefere encarar de frente, tem sim senhor. Mas aí é papo para outro post.
E confesso, consumo literatura não tão bem classificada em meios intelectualóides. Por exemplo, a Operação Cavalo de Tróia está na minha estante tem anos, e já reli várias vezes os 6 livros. Aliás, o sétimo acabou de chegar e estou levando para casa no final de semana para começar a ler.
Fica a pergunta: e vocês? Compram livros de auto-ajuda? Preparei uma listinha para ajudar a vocês. Dêem uma olhada.
- Putz! Virei a minha mãe
Stephen Polann e Mark Levine.
Editora Nova Fronteira, R$ 19,90. - Jesus, o maior psicólogo que já existiu
Mark Baker.
Editora Sextante, R$ 13. - Amar pode dar certo
Roberto Shiniashiki.
Editora Gente. R$ 24,90 - Casais inteligentes enriquecem juntos
Gabriel Cerbasi.
Editora Gente. R$ 25,90 - O ritmo da vida
Matthew Kelly.
Editora Sextante, R$ 24,90.
Publicado em 16/03/2006 às 10:43 na categoria Inspiração, Livros. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.



O “problema” dos livros de auto-ajuda está naqueles que oferecem as respostas fáceis que normalmente estão na área do “não há nada de errado com você, os outros é que têm que aceitar”.
Os livros de auto-ajuda não retrucam. Quando eu era criança pequena lá… a gente conversava sobre nossos problemas com amigos e parentes. Mas no mundo cada vez mais isolado e desconfiado temos menos gente com quem conversar. Aí você vai pedir conselho àquele amigo e, de repente, ele “fala umas verdades” para você que podem ser difíceis de assimilar. No livro há um filtro e, sempre, a famosa interpretação. Podemos intepretar o livro como se ele estivesse dizendo que a culpa é dos outros e não nossa.
Generalizei? Claro. Já li livro de auto-ajuda? Claro, até porque o rótulo é abrangente pacas. Mas esses livros venderem mais do que “o resto” é sim um fato preocupante.
Lembro que numa época passada bem próxima, os livros do Paulo Coelho eram execrados também. Tinha intelectual roendo os cotuvelos de raiva e inveja. Lembro que alguns o entrevistaram na TV (Roda Viva)e no final do programa todos eles e os telespectadores ficaram entendendo que era apenas literatura e lia quem gostava de ler aquelas histórias… Gênero? Tanto faz, ficção, exoterismo. Ele era apenas um escritor que “vivia” o que escrevia. Acabou vestindo o fardão!
Agora, imaginem o Lair Ribeiro ocupando uma cadeira na Academia Brasileira de Letras?
Gênero Humor-Negro?
Sou convicto que, se vender auto-ajuda está em alta, entendo que as pessoas procuram melhorias de uma maneira que acreditam ser fácil e rápido.
Pois ainda queremos tudo para ontem.
E saber distinguir o que é possível ser mudado nesta velocidade é difícil com a quantidade de realidades que estamos sendo criados .(alguém aqui assiste malhação?)
Esse choque de realidades é natural.
Seria o medo de trincar o protetor de cristal, guardião da imagem que acreditamos ter que faz com que busquemos essas soluções?
Creio que os motivos são incomensuráveis.
Mas pensando nos Autores de auto-ajuda que adoçam nossas vidas.
Muitos são apenas palavras, e isso acaba queimando quem faz um trabalho digno.
Falar é fácil, quero ver fazer o que prega.(você não pensa assim deles?)
Estes pregadores do blá blá blá são como uma pequena quantidade açúcar refinado em um copo de caipirinha e ao movimentar de forma circular desaparece, e o pior…o gosto azedo do limão arrepia traumatizando ao primeiro gole!
Isso acontece porque são nada mais que “palavras apenas palavras” como Cássia Eller disse.
E como palavras, se perdem ao ar.
Auto-ajuda é entender a energia depositada de profissionais que respiram o que pregam, a lição ou dica de quem está por traz e por fim praticar aquilo que julgou importante.
Isso sim tem sabor de quero mais.
Mas se pensar em crescimento de uma forma eficaz não pense em jogar fora autores que vivem de conversa.
E aprenda a aprender, isso é muito importante.
Você pode escolher os professores ao qual quer passar…ou deixa que lhe ensinem sem um professor especifico.
De qualquer maneira é possível aprender
Dês dos mais sofisticados aos mais humildes.
Cada um tem sua maneira de ensinar.
Não estou aqui para ditar regras !
O importante da critica é ser lida (neste caso) e entendida!
Se fosse apenas ler livros para mudar a vida bastava ler a Bíblia e ir para o céu.
Ao trilhar um caminho e se comprometer com o resultado imaginado no inicio da caminhada é a diferença que faz a diferença!
Um forte abraço a todos q tiveram paciência de ler até aqui.
Atenciosamente
Por via de regra só de olhar numa livraria uma seção de “auto ajuda” já é algo que me irrita, pois soa como uma capitalização escancarada em cima dos pontos fracos e carências alheios. Não descarto a chance de existir uma parcela de coisa boa neste universo, bem intencionada, mas no geral, o que sobressai na mídia sempre me parece rasteiro e feito para agradar as pessoas sem fazê-las pensar muito. Uma fórmulazinha repetida a exaustão que soa milagrosa, e justamente por isso não devia ser levada a sério
A missão de se transformar pertence a cada um, intransferivelmente. Talvez um livro com palavras cândidas possa ajudar, mas é só um empurrão, e olhe lá (NMHO).
Não tenho tempo para perder com esse lixo chamado auto-ajuda, melhor enfiar a cara no trabalho que perder tempo com tais bobagens. Quando sobra tempo prefiro ler Saramago e Fernando Pessoa, para prestigiar meu próprio idioma e realmente ficar em contato com algo que pode mudar totalmente minha maneira de ver o mundo.Também adoro gibis antigos e interca-lo com Proust pra dar constraste entre os frames.
Amigo, não é Gabriel Cerbasi. É Gustavo Cerbasi. Está escrito na capa do livro caso queira tirar alguma dúvida.
eu auto-ajudo vc ganha um milhao em 5 anos,
com um projeto q diminui o aquecimento global…