Jose Abreu, vencedor do TED 2009, na Videoteca Carreirasolo#84
Esse vídeo é para você, cidadão brasileiro, para quem deram uma lata velha, mandaram pintar e nela batucar ritmos pouco criativos com coreografias mal ensaiadas e chamaram de cultura.
Esse vídeo é para você que, acreditando-se parte de algo libertador apenas foi usado como força legitimadora de um ciclo vicioso que vai aprisionar não só você, mas suas gerações numa realidade aculturada e repetidora de fórmulas; em vez de uma aventura libertadora, de um resgate REAL de cidadania e direitos.
Esse vídeo é para você, ser onipresente do curral midiático brasileira, que acredita nessa repetição de fórmulas, como trampolim para audiência e pseudo-colaboração social. Que piada de mal gosto a sua, hein?
Esse vídeo é para mim também, que chorei em vários momentos, me perguntando, “Putaquepariu, porque tanta gente se deixa enganar por estes projetos ridículos que se auto denominam culturais num país rico como o nosso?”
Esse vídeo é também para você pai que, uma vez, há muito tempo atrás me chamou em sua sala de trabalho e disse “eu vou fundar uma Orquestra aqui em Campo Grande (subúrbio Rio de Janeiro), você quer participar comigo?” Fomos e quase conseguimos. Ficamos nos 11 iniciais
Ah sim, esse vídeo é para você que também já acordou para esse embuste em que se transformaram 99% dos projetos culturais no Brasil e tenta a seu modo fazer a diferença. Acreditando no hip-hop E na música de câmara; na capoeira E no balet clássico; nos grafiteiros E na pintura acadêmica ( ou moderna, ou contemporânea, ou impressionista ou o que mais inventarem); para quebrar – repito mais uma vez para que fique grafado-, esse ciclo que aprisiona em fórmulas a expressão artística e relega resultados a descontos no imposto a pagar.
Como diz pontualmente Jose Abreu, o pior da pobreza não é a falta de pão ou teto; é a sensação de não ser ninguém. Se você entendeu, enfim, que batucar na lata e pintar o muro do metrô é reforçar a cruel sina de não ser ninguém, se libertará.
E tomará seu lugar nessa Sinfonia.
E se você achar que esse vídeo não é para você, seja maior do que ele: passe-o adiante.
Publicado em 19/02/2009 às 8:25 na categoria Videoteca. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.



Mauro,
entendo o que vc quer dizer, mas um pouco de calma né?
às vezes o bater lata e o hip-hop podem funcionar; assim como podem funcionar coisas eruditas e também as não eruditas – um jongo, um pife, um maracatu, essas coisas.
Boa parte do que ele disse também vale pra iniciativas no esporte, por exemplo.
Mas a diferença é o como fazer; o para quê fazer; nesse sentido, a fala do cara é espetacular. Não é para “compensar” a situação de carência das pessoas; não é pra pegar um financiamento de alguma ONG; não é pra oferecer uma saída pra meia dúzia em cada comunidade; é pra levantar a moral da criançada, EM MASSA. Um projeto de nação.
Mesmo descontando o tom “revolução bolivariana” que aparece de vez em quando, é um belo depoimento, de uma vida inteira dedicada a um projeto – projeto que decolou alto.
Zeh,
Eu concordo com você, pois você fala em teoria.
Mas na prática, e tenho acompanhado de perto a gênese de projetos ditos culturais, 99% são sim a reprodução da tese “bate-na-lata-colorida”, ao estilo “caseriano” #prontofalei
Pois é, eu entendi perfeitamente. É aquela história do orgulho do favelado. Eu acho que niguém deve ter vergonha de ser humilde pobre. Mas dai a ter orgulho de viver em más condições vai um salto!
O que ouvimos no vídeo? Que a medida que os meninos vão estudando a música, vão buscar outras coisas, sentem-se um ponto importante na família e vão procurar melhorar socio-financeiramente a si e a sua família. Adeus baixo estima e adeus horas vagas para pensar em besteira.
O problema disso tudo aqui no Brasil é que temos um povo que está se acostumando a comprar orgulho, achando que está ganhando honra. Enquanto não voltarmos a discutir esses conceitos, todo o resto pode ficar comprometido.