É tudo tão maravilhosamente analógico no projeto The Secret World of Foley Artist que eu nem sei por onde começar. O filme – premiado pelo mundo afora – retrata o trabalho da dupla Pete Burgis & Sue Harding , folley artists ingleses, em sua jornada por dar aquele colorido sonoro aos filmes que conhecemos. Esta arte é aquela que reproduz sons incidentais nos filmes a partir de objetos dos mais variados.

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Bom, comecemos pelo maravilhosamente analógico! Repare na busca por equipamentos no galpão e o processo de gravação com monitoramento ainda por aquelas simpáticas agulhas dos VU meters. Não parece ser um portal instantâneo para as salas de gravação do Tuff Gong? Em tempo: foi onde os Wailers gravaram seus primeiros álbuns e grande parte do reggae dos anos 70 surgiu.

Outro ponto: o olhar dos dois. A cada cena – aliás, sensacional a escolha no clima “O velho e o mar”- , a dupla parece tão imersa na narrativa que deixa de existir enquanto individualidade, percebem? Não parece que estão tomados pelo espírito do próprio filme, que usa seus corpos como forma de falar com os expectadores? Repare como a conexão entre eles e o filme transcende a dinâmica corporal tradicional e em como estão a serviço da obra.

Por fim, um comentário chato-técnico: não é exatamente o primeiro vídeo de foley que vejo – até cato alguns em função da predileção por áudio natural que tenho – , mas arrisco a dizer que os foley artists europeus são mais literais do que os americanos. Explicando: quando quer criar o som de um crustáceo sendo retirado da rede de pesca, um cara de Hollywood usaria latas e lascas de alguma coisa para simular o casco do animal. Os ingleses… tem o próprio animal no estúdio. Achei essa diferença interessante.

E vocês?