Um dia desses eu assisti um filme muito bom, aquele tipo de filme de superação baseado em fatos reais quando tudo está contra o protagonista e você sai do filme com uma inspiração e uma certeza de que o filme conversou com você. Parece loucura, mas é como se o autor da história estivesse reservado duas horas do tempo dele para escrever, no caso dramatizar, uma história que faltava para te dar o empurrão necessário.

O nome do filme é Moneyball. O homem que mudou o jogo. Parece aquela história clichê do famoso azarão nos esportes, aqui o esporte é o beisebol, que, cansado das sucessivas derrotas dentro e fora de campo, enxerga uma saída improvável e maluca de fazer seu trabalho de uma forma inusitada. O filme foi lançado em 2011 e já passou na tv aberta e é baseado em uma história real, a de Billy Beane por isso lá vai um mini spolier.

Esse camarada, ex jogador profissional de beisebol, torna-se gerente geral do clube e depois de passar vários jogos perdendo sucessivamente com um time razoavelmente bom, tem um estalo. Ele viu um outro cara com zero experiência sobre o real funcionamento do esporte, enxergar todo processo de uma maneira peculiar. Essa maneira de enxergar o jogo era naturalmente contrária à visão que todos os outros técnicos e palpiteiros tinham sobre o esporte. E esse gerente geral resolve contratar essa pessoa com conhecimento profundo em milhões de teorias, para montar um novo time.

Resultado, várias pessoas desdenharam do método deles, duvidaram do seu processo. Ele quebrou a cara algumas vezes, até conseguir validar seu processo e, após um tempo, o time venceu várias partidas sucessivamente.

É um história clichê da pessoa que cansada de acumular derrotas, resolve fazer seu trabalho de uma maneira pessoal, ouve muitos conselhos gratuitos incentivando a desistir daquela ideia e seguir a maneira tradicional e quando sua maneira dá certo, chove glória e aplausos sobre ela.

Porque eu trouxe esse filme?

Quando assisti esse filme pela primeira vez eu fiquei fascinado pela história, pela superação, atuação e reviravoltas do enredo, mas tinha alguns elementos do roteiro que me fugiram num primeiro olhar. O meu convite hoje é para que você assista ao filme novamente e também observe isso. Existem duas passagens que são fantásticas e servem para todos que estão nesta árdua jornada de crescer profissionalmente.

O primeiro: depois de outra séries de dificuldades e tendo que fazer valer sua decisão frente a uma opinião contrária do seu técnico de campo, o gerente geral decide vender e repassar para outros clubes todos os seus medalhões, seus principais jogadores e assim ter quem ele escolheu fazendo a diferença dentro de campo. E diante dessa decisão precipitada seu braço direito é contra essa decisão e lembra ele que se der errado ele vai perder o emprego. O gerente geral Billy Beane responde:

– Você não está fazendo as pergunta certas. Eu tenho 44 anos, só tenho o ensino médio e uma filha que eu quero mandar para uma universidade. Você (o seu braço direito) tem 25 anos, se formou numa excelente universidade e mesmo sendo jovem, já possui um currículo impressionante. Você acredita ou não nisso (no caso na sua ideia). Se você acredita, você não deve explicações a ninguém.

Mais adiante, lá pro final mais ou menos, um figurão do Red Sox convida o gerente geral daquele clube pequeno que chamou a atenção de todo público com sua maneira singular de dirigir seu time, para se tornar o gerente geral de um grande clube, com um grande salário. E ele diz uma frase que na ocasião eu não percebi seu significado total. Vou resumir e dizer com minhas próprias palavras:

– Com quarenta e um milhões de dólares e sem seus principais jogadores você levou seu time até a final com o mesmo número de vitórias de um time grande. A diferença é que você gastou duzentos e sessenta mil dólares por vitória, enquanto o outro time gastou um vírgula quatro milhões. Você levou muita porrada,  foi muito criticado, mas o primeiro cara que derruba uma parede, sempre acaba ensanguentado. Sempre.

O que eu tiro desse filme?

Nem sempre todos os nossos empreendimentos vão dar resultados positivos. Nem sempre nossas ideias serão bem aceitas no mercado profissional. Em geral quem já está no mercado, ou sabe muito e desdenha de quem está chegando agora ou acha que sabe demais e é contra qualquer iniciativa contrária que ameace seu status quo. Pra fazer a diferença, algumas vezes será uma experiência frustrante e um tanto dolorosa.

Semana passada eu escrevi sobre as dificuldades que provavelmente irão surgir no seu caminho. Ora lhe auxiliando a repensar sua estratégia de uma maneira diferente, ora apenas tornando sua evolução mais penosa. Mas uma coisa é óbvia para mim, agora que também já penei um bocado pra acertar na vida profissionalmente: percebo que não existe um caminho definitivo. Não existem respostas prontas. O que deu certo ontem, pode não funcionar mais amanhã e cabe a você, como futuro ou futura profissional da sua área, estar aberto para novas oportunidades e conhecimentos que lhe auxiliem a conquistar seu tão sonhando lugar ao sol.

Agora, fica aí o meu convite: conheça ou revisite essa história (que saiu primeiramente em livro, aliás) com um olhar diferente. Observe a história não como espectador, mas olhe como empreendedor e descubra você também importantes lições para mudar a sua maneira de enxergar e alavancar sua carreira.