Troque ressentimento por aprendizado e siga tentando. Inclusive ao lado de quem copiou você.

Quantas vezes você já ouviu falar que “ideia é mato, o que vale é a execução”? Isso pode ser mais ou menos verdadeiro dependendo da indústria na qual você atua. Para o pessoal de produtos digitais (e eu estou nesse meio) é quase como um mantra diário que todos entoam antes de ligar seus computadores pela manhã. Mas não impede de ter sua ideia copiada.

Para jornalistas e publicitários, nem tanto. Para os que estão na fronteira, bem, aí é que temos um problema: sabem da importância da execução, mas tentam atrelar a ele o frescor de uma ideia original.

E, nessa luta, não raro, passam por aquele momento doloroso de ver nascer ao seu lado, na casa do concorrente ou de lugares totalmente inesperados, um filho igual ao seu. Ou, antes disso, antes do seu nascer. Como passar por este momento? Como superá-lo? O que ele nos ensina? É o que quero ajudar você a entender.

A primeira coisa a entender é que isso um dia vai acontecer

Evito aqui fazer a comparação fácil com os relacionamentos… mas… um dia vai acontecer de você ser passado para trás, acostume-se com isso.

Esse é o primeiro passo para conseguir sobreviver a esse acontecimento. Pode surgir de um amigo próximo, de um concorrente distante ou até mesmo de um ex-funcionário seu. Uma ideia que você apresentou, uma ideia que você jura que tem rascunhada ou até mesmo prototipada em seu HD será copiada, vai chegar ao mundo, vai ter sucesso, vai deixar você puto.

Estamos combinados? Entendeu sobre a inevitabilidade das coisas e das criaturas? Próximo item.

Você fez tudo o que podia? Mesmo?

Esqueça a culpa inicial e foque no que faltou para sua versão da grande ideia ir ao ar. Você se dedicou 120%, usou de todas as técnicas, de todos os contatos e reuniu a melhor equipe? Pois é esse o mundo em que vivemos. Pense que, com todas as ferramentas disponíveis e com todo o conhecimento pronto para ser consumido, não existe espaço para o “melhor flautista de Bauru˜. Tudo o que você faz é mundial, para o bem, ou para o mal.

A partir dessa constantação você tem dos caminhos: usou tudo o que podia e perdeu honestamente, ou negligenciou algum item e mereceu perder. Sem drama, choro nem vela. Regras da vida. Vire a página.

Pensou em se juntar a quem a criou?

E virar a página pode assumir a forma, inclusive, de um movimento ousado: ir atrás de quem copiou/criou a “sua ideia” e propor uma união inusitada. Falo aqui diretamente para a turma das startups e produtos digitais: batam na porta de quem pensou o mesmo aplicativo que você e proponham algum tipo de parceria.

E qual seria a próxima onda?

Mas, virar a página pode ter a ver com abrir novos horizontes. Seu trabalho foi copiado e o copiador se deu bem. Você pode se ressentir eternamente ou buscar novos horizontes. Começar do zero, farejar a próxima onda e redesenhar sua atuação. Pode usar como ferramentas aquilo que deixou passar, os erros e limitações e trabalhar uma nova ideia.

É assim a vida. Pelo menos daqueles que continuam nela.

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