Olá, que bom que você seguiu comigo e veio conferir este post sobre o Google I/O e o mercado freelancer. Se caiu direto aqui, por favor, acesse o post inicial desta pequena série.

A primeira parte da proposta que falei anteriormente foi criada para os designers e o nome dela é Material Design. Resumindo, ele é um sistema de design multi-plataforma baseada no que chamaram de realidade tátil, altamente calcado em estudos com papel e tinta. Neste Vídeo você vai poder ouvir (em inglês) a apresentação deste conceito:

Material-design-principles

 

Aqui a ideia é recriar a nossa realidade física dentro do mundo digital, onde as regras de interação são determinadas por quem cria as interfaces. Essa é uma grande mudança, uma proposta até certo ponto arriscada. Se lermos o manifesto criado pela equipe de Design Google, envolvida no projetos, veremos que um dos objetivos é criar uma linguagem visual que sintetiza os princípios clássicos do bom design com inovação e possibilidade a criação de tecnologias e uso de modelos científicos.

E é aqui que a história fica interessante

Como seremos nós, profissionais da tecnologia, que decidiremos os caminhos da tecnologia e da ciência desse novo mundo digital, segundo as regras que a própria comunidade criará, pela primeira vez participaremos da construção dos caminhos que as interfaces interativas vão tomar, pelo menos em teoria. E isso vai sendo desenvolvido a cada novo trabalho feito, a cada decisão de projeto tomada.

Isto se explica com uma pequena visita ao campo do desenvolvimento, na proposta do uso dos web componentes e da plataforma chamada Polymer. Em um resumo rápido podemos dizer que a cada novo componente criado, um novo passo é dado na construção de novos elementos da web (sejam eles formulários, animações, interações e etc).

Essa nova linguagem visual vai permear todas as telas nas quais os usuários visualizarão os serviços do Google (e depois de quem mais utilizar o Material Design) e nem precisa dizer que é um mundo de telas. Imagine quantos smartphones, computadores, quiosques, televisores e carros usarão os serviços Google!

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Um exemplo prático é o Android Wear, onde o design precisa ser focado na informação contextual, minimalista, com pouca interação, baseada em voz e poucos gestos. Imagine a mudança no paradigma de interfaces. Agora pense que em breve o seu site ou aplicativo vai poder rodar em todos esses aparelhos. Eu sugiro uma olhada nesse vídeo chamado Design para Android Wear e uma visita ao site do Wear.

E esse é só um primeiro passo porque, no próximo ano, a empresa quer trazer uma só e consistente experiência de usuário que vai unir todas as telas numa só – metaforicamente falando, com o Android (e seu Material Design) como centro desse movimento.

“E o que eu ganho com isso?”, você me pergunta…

A intenção que ficou bem clara: querem que o designer crie um novo tipo de experiência, na qual o conteúdo que compõe a interface seja mais vivo e dinâmico como jamais foi. Botões que se transformam em painéis, painéis que saltam para frente e para trás de modo a refletir a resposta do toque usado para acioná-los do outro lado da tela, pedaços de conteúdo que voam de um lugar para outro, significando uma mudança de estado ou contexto, ícones movendo ou mudando de forma, enfim, tudo isso se movimentando suavemente ou sumindo enquanto você navega na tela. Finalmente criando as interações a partir do próprio conteúdo.

Mais um vídeo que mostra como funciona o movimento:

Material-design-Motion

O Google, claro, quer que a Web continue sendo o centro da nova experiência de navegação na internet. Em um mundo de aplicativos, perder o acesso a web no mercado móvel, é decretar a morte da maior fonte de lucro da empresa: anúncios em resultados de busca e páginas. Para isso, revisou e ampliou muito as possibilidades de trabalho com o Chrome. Para saber mais acesse o nosso post dedicado aos desenvolvedores.

É aqui que os dois pontos da equação Designer+Desenvolvedor começa a aparecer. Como já foi falado em um excelente episódio do Fala Freela – De Designer para Desenvolvedor -. o alinhamento do trabalho desses dois profissionais é cada vez mais necessário e se essa proposta do Google, a parceria entre Material Design e Polymer se tornar realidade, ser aceita pela comunidade, vai se tornar fundamental.

O fator integrante do trabalho foi tratado durante todo o evento e uma pequena mostra está nesse vídeo “How to build responsive sites for the multi-device web“, com tópicos envolvendo design responsivo, viewport, media queries e alguns padrões de layout. Dá para perceber que o assunto não fica somente na parte teórica, partiu para exemplos práticos, confirmando esse interesse em estreitar os laços do trabalho entre quem cria interfaces e quem desenvolve as experiências online.

Alguns designers já começaram a se mexer e criar modelos baseado no Material Design. Se você estiver interessado numa versão em PSD baixe esse modelo criado pelo Liam Spradlin, baseado em nos modelos mostrados no Google I/O.

Nesse arquivo cada dispositivo tem o seu próprio grupo separado, de modo que você possa modificar, mover ou remover de acordo com as suas necessidades individuais. Os dispositivos não estão em tamanho real, mas as proporções estão corretas.

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Para quem se interessa, deixo uma série de vídeos (em inglês) selecionados para uma rápida compreensão de toda a proposta do Material Design e como ele funciona em conjunto com os web componentes do Polymer, que vamos tratar melhor no post específico para os desenvolvedores.

Vídeos do Material Design

Material design – Estrutura e Componentes:

Material-design-Structure-components

Material design – Estilo Visual e imagens

Material-design-Visual-style-imagery

 

Está curioso para saber como vai funcionar a parte dos desenvolvedores nesse novo cenário? Então aguarde amanhã, quando vamos falar sobre as novidades para desenvolvedores.

Confira a série completa