Nem sempre o caminho imediato é o melhor, muitas vezes acaba sendo mais longo.

Todo freelancer conhece a procrastinação. Algum mais, outros menos; outros ainda a conhecem intimamente. Afinal, quem nunca enrolou para fazer algum trabalho que atire a primeira pedra, certo?

Foi o que eu imaginei.

Conhecendo então o mal de se procrastinar, a atitude certa é fazer tudo o mais rápido possível eliminando trabalho atrás de trabalho, uma máquina de produtividade com intervalos regulares e perfeitamente regulada?

Não necessariamente. Mas calma que eu explico.

A primeira coisa a entender é que a execução de uma tarefa não pode ser medida apenas em tempo, mas também em esforço.  Quem nunca teve aquela tarefa que era fácil de fazer, exigindo pouco esforço, mas que demorava a ser concluída, exigindo muito tempo?

A procrastinação ocorre quando a nos focamos no esforço de uma tarefa, inventando mil e uma coisas mais fáceis de fazer, sacrificamos assim o tempo.

A precrastinação ocorre quando nos focamos no tempo para fazer algo, iniciando o quanto antes, sacrificando assim o nosso esforço.

São os famosos “o apressado come cru” e “não ponha o carro na frente dos bois”.

Esse novo termo explica, por exemplo, como muitas vezes fazemos o mais difícil, sem nem pensar que podem haver alternativas, simplesmente porque precisamos fazer algo o quanto antes, para nos livrar daquilo.

Carregar o balde mais tempo ou terminar logo a tarefa?

Um experimento que foi feito, enquanto se pesquisava esse padrão de comportamento, foi pegar uma pessoa e colocá-la em um caminho. Nesse caminho tinham dois baldes, um perto do início e outro perto do fim. A pessoa era instruída a atravessar a linha de chegada com um balde na mão, não importando qual.

Um número muito grande preferiu carregar o balde do começo, respondendo sempre: “Eu queria terminar logo”. O que parece um contra-senso, já que o caminho é o mesmo e o tempo final é o mesmo, mas o esforço necessário é maior.

Em vez de prolongar a espera para pegar o balde, essas pessoas entenderam que o melhor era pegar o balde logo e simplesmente carregá-lo mais tempo, mas garantir o quanto antes a realização da tarefa.

Isso ocorre porque o nosso cérebro está programado para sentir prazer na realização de tarefas, ou seja, ao pegar o balde mais cedo essas pessoas se sentiam realizadas, como se já tivessem dado um passo importante. Se você parar para pesar que o balde consiste em 50% da tarefa, não está errado. Ainda que pegar o balde mais cedo exigisse mais esforço.

Prazer imediato: seu cérebro é viciado nele.

Esse mesmo mecanismo de busca de prazer imediato que faz tantos caírem no círculo vicioso da procrastinação. Afinal de contas, assistir aquele episódio de 20 minutos é sempre mais legal do que realizar um tarefa de 30 minutos, navegar aleatoriamente se divertindo em diversos sites entra na mesma lógica de buscar prazer agora. Isso pode incluir fazer as tarefas o mais rápido possível, entregar tudo para o cliente e se livrar disso logo. Inclusive ler esse texto longo!

E, então, refazer tudo porque na pressa você esquece de perguntar um monte de coisas para o cliente e o resultado não ficou do jeito que foi esperado.

Esse é o grande problema de precrastinar, de querer se livrar de trabalhos: você não faz do melhor jeito, concentrando tempo e esforço da melhor maneira possível, o que é sempre o ideal e o mais produtivo. No lugar, faz da maneira mais rápida, entregando algo pelo simples prazer de entregar algo, acabando, muitas vezes, tendo que refazer ou revisar tanto que o tempo gasto acaba sendo o mesmo e o esforço é muito maior.

Para evitar os dois, precrastinar e procrastinar, o ideal é entender a sua tarefa, pensar sobre ela e trabalhar sempre para diminuir o tempo e o esforço, mas sem comprometer a qualidade.

Terminar antes, terminar depois ou não terminar, no fundo é uma questão de escolha. O segredo mesmo é escolher terminar bem.

E vocês, o que acham?