Desde sempre soube o que queria fazer da vida: escrever.
Entrei para Comunicação na PUC em 1992 e, já no segundo semestre, comecei a trabalhar em uma agência de publicidade. Não ganhava um tostão, mas ganhei experiência de sobra. Fui apresentada cedo ao mundo da pressão, do “é pra ontem”, do “fica até mais tarde”, do “espreme que a ideia sai”.

No início é tudo uma grande aventura, mas quando entra marido e filho na história, a coisa fica pesada. E eu tive filho cedo, aos 23 anos. Ainda lembro quando ele era pequeno e ligava tarde da noite para o meu trabalho e dizia que estava me esperando. Pedia para eu explicar ao meu chefe que ele me queria em casa. Tão simples, né? Santa ingenuidade… Eu me trancava no banheiro e chorava. Muitas vezes, por várias semanas, eu chegava do trabalho depois dele dormir e saía de casa antes dele acordar. Que ironia! Não conseguia curtir a minha melhor criação.

Relação de amor e ódio.
Ralei muito e aprendi mais ainda em agências, produtoras de evento e web, comitês de campanhas políticas, etc. Sempre amei o que eu fazia, mas não do jeito que eu fazia. Quando não se falava em qualidade de vida, como hoje é tão comum, o charme dos publicitários era dizer que vivia sem tempo, virando noite. Eu, particularmente, nunca achei isso charmoso.

Achava triste ter que escolher entre trabalho e vida pessoal. E, ao contrário do que se espera de uma publicitária, não suportava trabalhar sob pressão. Não me refiro a prazo, mas a pessoas no meu cangote perguntando: “e aí, já está pronto? ”. Então, aquilo que era amor acabou se transformando no meu maior pesadelo. Mas o que fazer se escrever era o que eu queria e o que eu sabia fazer de melhor?

Enfim, a iluminação?
Há dois anos, depois de mais de vinte nessa correria e após um período louco de campanha política, decidi passar um final de semana num retiro de Meditação Transcendental. Meditei, meditei, respirei, acalmei e, coincidência ou não, voltei direto para os braços do meu antigo (naquele caso, futuro) sonho: o home office. É que uma agência que me contratava para freelas esporádicos me ofereceu a oportunidade de trabalhar de casa, meio período. Dito e feito. Com a sensação de liberdade, com o gosto de conduzir meu próprio negócio, de criar o meu ambiente perfeito, rendi muito mais. Me encontrei!

Finalmente, trabalhar passou a ser um imenso prazer. Essa agência virou cliente fixo, com fee mensal, e mantenho outros clientes dos velhos tempos. Nunca usei tanto minhas Havaianas! E trânsito? O que é isso? 😛

Hoje meu filho já está grande, passou para a faculdade e fica a maior parte do tempo fora de casa. Tenho como “colega de trabalho” a Nina, minha cachorrinha e fiel escudeira, que fica de olho enquanto eu escrevo. Trabalho muito melhor, mais rápido, com flexibilidade de horário e nunca (de verdade) furei um prazo.

Me organizei facilmente e tenho tempo pra tudo, inclusive para ser feliz. Sei que não é fácil conseguir clientes fixos, a mentalidade dos empregadores ainda não avançou na mesma velocidade das tecnologias. Muitos ainda têm medo de inovar na forma de trabalhar. Mas sou a prova de que é possível sim unir o útil ao agradável.

Arrisco até a dizer que home office já é um termo ultrapassado.
Hoje, eu trabalho world office.