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Arquivo para a categoria 'Ergonomia'

Como posicionar e regular meu monitor?

Camila Doubek

Designer



Sabe-se que, via de regra, o monitor deve estar posicionado em frente ao usuário, porém existem excessões. Segundo Brandimiller (2002), o trabalho visual de digitadores, por exemplo, concentra-se em documentos, olhando-se relativamente pouco para a tela. Neste caso o monitor deve ceder lugar ao dispositivo de suporte de documentos, como na imagem:

Processadores de dados e textos devem ter o monitor e documento dividindo o foco de atenção principal. É possível também, afastar o monitor de modo a encaixar o documento entre o teclado e o monitor ou mesmo entre o usuário e o teclado, que é exatamente o que faço agora e está bem confortável!

Já profissionais que trabalham com concepção gráfica, os designers, (profissões que exige intenso trabalho dos olhos, principalmente de leitura e observação de detalhes na tela) e aqueles que olham quase que exclusivamente para o monitor devem mantê-lo a sua frente:

O mau posicionamento da dupla monitor-documento faz com que o usuário vire o pescoço ou mesmo o tronco excessivamente. A curto prazo essa prática causa dores localizadas, decorrente de contrações e endurecimento muscular, e a longo prazo processos inflamatórios das articulações ou tendões.

A altura ideal do monitor

Qualquer posição do corpo mantida por muito tempo acaba se tornando incômoda. No entanto algumas posturas tornam-se rapidamente desconfortáveis pois exigem esforços excessivos de determinados músculos. A cabeça inclinada para os lados, baixo ou para cima por longos períodos são exemplos que geram desconfortos frequentes entre os usuários de computador.

Se você trabalha com a cabeça inclinada, isso é sinal de que o seu monitor está baixo ou alto demais.


Somente os monitores mais modernos possuem ajuste de altura, de modo que devemos improvisar para alterar o seu posicionamento quando necessário. Listas telefônicas e revistas velhas encontram aí sua nova função!

Os olhos devem estar na altura da metade superior do monitor, de modo que para para enxergá-lo em toda sua extensão não seja necessário mexer a cabeça, somente os olhos (no máx. 30graus para baixo). O limite superior do monitor é a projeção horizontal dos olhos.

No caso de possoas que usam óculos multifocais, o ideal é posicionar o monitor um pouco abaixo da linha dos olhos e incliná-lo para cima.

No próximo post, escreverei sobre a questão da distância ideal entre o monitor e o usuário, conforme a o tipo de trabalho e a iluminação no local de trabalho e o reflexo da luz no monitor. Até!

Bibliografia:
BRANDIMILLER, P. A. O CORPO NO TRABALHO. 2a. Edição. Ed. Senac São Paulo. São Paulo, 2002;
GRANDJEAN, Etienne. MANUAL DE ERGONOMIA. Ed. Bookman, Porto Alegre, 1998.

Imagens:
BRANDIMILLER, P. A. O CORPO NO TRABALHO. 2a. Edição. Ed. Senac São Paulo. São Paulo, 2002;


Publicado em 03/03/2011 às 2:18 na categoria Ergonomia, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Como escolher uma mesa para o escritório?

Camila Doubek

Designer

Quando pensamos na mesa ideal, devemos nos tentar a dois fatores: altura e a dimensão da superfície de trabalho. A mesa deve possuir altura de 54cm (mulheres mais baixas) a 74cm (homens mail altos).

Mesas muito baixas causam inclinação no tronco e cifose lombar (trata-se de um aumento anormal da curva lombar), aumentando a carga sobre o dorso (ou costas) e o pescoço, aumentando dores. Já a mesa muito alta causa elevação dos ombros e uma portura forçada do pescoço, provocando fadiga do ombro e pescoço (CHAFFIN, 2001 apud IIDA, 2005).

Num posto convencional de trabalho, num escritório, dificilmente a altura da mesa é regulável. Então a boa relação mesa-cadeira deve começar pela mesa: o cotovelo deve estar de 3 a 4cm abaixo da mesa, e deve-se deixar, no mínimo 20cm entre a mesa e assento. A cadeira deve ter variação entre 47 e 57cm e um apoio para os pés, para aquelas pessoas de baixa estatura.
Veja a imagem:

Poucas pessoas prestam atenção à superfície da mesa, mas ela deve ser escolhida conforme o tamanho do instrumento que será trabalhado e os movimentos necessários a tarefa que será executada.

A postura

Já foi falado nesse espaço sobre a postura no assento, mas é importante relatar um estudo feito com usuários de computador. Durante muito tempo foi recomendado que a postura diante de um computador fosse ereta, isto é, da coluna a 90 graus. Porém, observou-se que poucas pessoas assumiam essa postura. A posição preferia é a inclinada, semelhante ao assento automotivo:

Sobre a A interação homem – mobiliário – computador

Esta análise é longa, será assunto para alguns posts que veremos a seguir. Todos têm algum desconforto para contar. Começaremos com as principais causas desses desconfortos dos usuários de computador, que são os seguintes:

1. Teclado com inclinação inadequada;
2. Falta de apoios adequados para punhos e antebraços;
3. Cabeça muito inclinada para cima ou para baixo;
4. Pouco espaço lateral para as pernas;
5. Posicionamento inadequado do teclado – a mão faz inclinação lateral (abdução) superior a 20 graus em relação ao antebraço.

No próximo post falarei sobre o teclado e o monitor ideais ergonomicamente. Até!

Bibliografia consultada

ERGONOMIA – PROJETO E PRODUÇÃO. Ed. Edgard Blucher Ltda, 2a. Ed. São Paulo, 2005.

Créditos das imagens: IIDA, Itiro


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Publicado em 24/02/2011 às 5:32 na categoria Ergonomia, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Como avaliar uma cadeira para home-office?

Camila Doubek

Designer

Como eu havia dito no último post, falarei sobre os 4 princípios que regem os bons assentos. Eles foram elaborados por estudos anatômicos, fisiológicos e clínicos da postura sentada.

Desks #2
Creative Commons License photo credit: hibino

1. As dimensões do assento devem ser adequadas às dimensões antropométricas (medidas do corpo) do usuário. A dimensão crítica é a altura poplítea (da parte inferior da coxa à sola do pé), que é a que define a altura do assento. Caso ele esteja acima ou abaixo do ideal, o usuário não consegue um apoio firme para as tuberosidades isquiáticas (estrutura óssea que transfere todo o peso do tronco para o assento), que devem estar confortavelmente estabilizada. Já a largura do assento deve ser adequada à largura do tórax do cidadão (cerca de 40cm), e o comprimento não pode ser nem curto nem longo: deve deixar 2cm de espaço entre a parte interna do joelho e o assento. A NBR 13962 recomenda largura de 40 cm e profundidade útil entre 38 e 44cm para o assento. Tendo em vista a grande variação dimensional entre as pessoas, é interessante que a cadeira seja regulável. A menor medida deve ser de 35,1cm e a maior de 48cm, segundo dimensão da população brasileira.

2. O assento deve permitir variações de postura. Como citado no último post, a variação de postura é fundamental: alivia as tensões nos discos vertebrais, da estrutura muscular dorsal, e ativa a circulação das partes em contato com o assento… Assim, as nádegas não devem se encaixar de modo ultra confortável no assento, pois assim fica mais difícil as pequenas mudanças de postura. O apoio para os pés para quem permanece horas a fio no computados (como eu e você) estimula e ajuda nessa mudança de postura além de servir de apoio para as pessoas pequenas.

3. O encosto e o apóia-braços deve ajudar no relaxamento. O encosto regulado a um ângulo entre 110 e 190o confere alívio aos discos invertrebados e à musculatura vertebral. Um espaço reservado para “acomodação” das nádegas é fundamental como uma curvatura adequada na altura da junção entre encosto e assento, ou mesmo um vão entre 15 e 20cm nessa região da cadeira. Os apóia-braços não são utilizados com freqüência, servem para descansar os antebraços e ajudar a guiar o corpo durante o ato de sentar-se e levantar-se.

4. Cadeira e mesa formam um ângulo integrado. A altura do assento deve ser pensada conforme a altura da mesa (já que uma mesa de altura regulável é mais difícil). O objetivo é que a mesa fique aproximadamente na altura do cotovelo, para que a pessoa trabalhe com ele dobrado a aproximadamente 90o. Por consequência os braços da cadeira devem ficar na altura da mesa ou um pouco abaixo para apoiar adequadamente os cotovelos. Entre o assento e a mesa deve haver um espaço de pelo menos 20cm para acomodar as coxas e permitir alguma movimentação.

No próximo post abordarei questões que integram o usuário, cadeira, mesa e computador. Até!


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Publicado em 21/02/2011 às 10:37 na categoria Ergonomia, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Qual o melhor tipo de assento para a minha cadeira?

Camila Doubek

Designer



Já escrevi aqui sobre alguns aspectos sobre o encosto de cadeiras e poltronas como angulação e altura. Agora escreverei sobre o assento.

Como dito, na posição sentada, todo peso do tronco é transferido para o assento, aliviando a pressão sobre os membros inferiores. Porém, esse peso todo é transferido através de dois ossos nas nádegas, as tuberosidades isquiáticas (ou isquios), que possuem de 7 a 12 cm de distância entre sí (Iida, 2005), e são cobertas por uma fina camada de tecido muscular e pele grossa. Conseguindo uma superfície confortável para esses ossinhos o seu problema de conforto ao sentar está 50% resolvido!

O que é melhor, estofamento rígido ou macio?

Até pouco tempo, o assento rígido era considerado o mais apropriado para suportar o peso do corpo. Porém hoje é sabido que, segundo Iida (2005), essa dureza provoca concentração de pressão na região dos isquios, gerando fadiga e dores na região das nádegas.

Aqueles muito macios, superfofos não são adequados pois não permitem um equilíbrio adequado ao corpo e, por incrível que pareça, são confortáveis demais ao ponto de a pessoa passar longos períodos sem mudar de posição. Essas mudanças são saudáveis para ativar a circulação da região das coxas e dos isquios, e ajudam a aliviar as pressões sobre os discos vertebrais e as tensões dos músculos dorsais.

Quais as dimensões de um bom assento?

Segundo Iida (2005) e Grandjean (1998), o assento deve ter 40 a 45 cm de largura, 38 a 42cm de profundidade, e deve estar entre 35 e 38 cm do solo.

Assentos mal dimensionados ou mal regulados podem gerar os seguintes problemas:

  • muito alto – pressão na parte inferior da coxa;
  • muito curtos – sensação de instabilidade;
  • muito longos – há pressão na parte interna das pernas.

Outros detalhes

A superfície do assento deve ter inclinação para trás recomendada é de 14 a 24o em relação à horizontal, para que as nádegas não escorreguem para frente. Já o ângulo encosto-assento deve ter de 105 a 110o (GRANDJEAN, 1998).

Quanto ao revestimento, um leve estofamento com um material um pouco áspero para evitar o escorregar e permeável ao vapor d´água (suor) aumenta o conforto do sentar.

A utilização do apoio dos pés é uma maneira muito eficaz de ajudar as pessoas a mudarem de posicionamento quando sentadas e evita a má postura de pessoas baixas.

No próximo post fecharei a questão das cadeiras e poltronas com os 5 princípios básicos do assento, para então partir para a interação cadeira-mesa-computador. Até lá!

Fontes:
GRANDJEAN, Etienne. MANUAL DE ERGONOMIA. Ed. Bookman, Porto Alegre, 1998;
IIDA, Itiro. ERGONOMIA – PROJETO E PRODUÇÃO. Ed. Edgard Blucher Ltda, 2a. Ed. São Paulo, 2005.
Ilustrações: Iida, 2005.


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Publicado em 14/02/2011 às 7:53 na categoria Ergonomia, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.

Qual a melhor posição para ficar na cadeira?

Camila Doubek

Designer



Sou a Camila, professora universitária das áreas de Design Gráfico e Industrial e este é o texto que abre uma série de posts sobre ergonomia direcionada principalmente ao ambiente de trabalho. O intuito é melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas que, talvez como você, passa 8 horas sentado na frente do computador. Postura, dimensionamento e ajuste no mobiliário assim como no próprio computador e a questão ambiental do local de trabalho serão abordados nessa seção. Bem-vindo!

Uma breve definição

A ergonomia é uma ciência que vem se desenvolvendo como ciência desde a Revolução Industrial (séc. XVIII) mas que foi “oficialmente” inaugurada no pós segunda Guerra Mundial.

Segundo Iida (1990), ela estuda a adaptação do trabalho ao homem, isto é, a relação entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente. Trata-se de ciência multidisciplinar que aplica conhecimentos da área de anatomia, fisiologia e psicologia.

O assento parte 1 – O encosto

Histórico do “sentar”: Originalmente o homem não senta em móveis do modo como conhecemos hoje. Ele se acocorava, ajoelhava ou agachava. Até hoje alguns povos sentam assim. O assento foi criado inicialmente como um símbolo de status ou poder: somente o chefe poderia estar acima dos demais quando sentados.

Até hoje é assim, de certa forma. Observe um escritório: a faixa salarial está diretamente proporcional à altura do encosto e demais acessórios e acabamentos das cadeiras.

Foi somente no começo do século XX que adotou-se de forma massiva o assento para os postos de trabalho: constatou-se que de pé a pessoa está em permanente consumo de trabalho muscular estático nas articulações dos pés, joelhos e quadris. De fato, no sentar, não existe esforços nestas articulações. Mas existem em outras!

Vantagens e desvantagens

Comparado com a postura de pé, quem trabalha sentado alivia as pernas; gasta menos energia de forma geral e alivia a circulação sanguínea. Porém, a postura sentada também tem suas desvantagens, e o principal afetado é a coluna.

Segundo estudos médicos (Nachemson e Anderson apud Grandjean, 1998) “quando sentados, a pressão nos discos invertebrados é maior que quando em pé”, e essa pressão aumenta quando a posição é inadequada, naturalmente!

O assento é motivo de inúmeros estudos na área médica, design e ergonomia. Não é à toa que Itiro Iida, o maior estudioso na área de ergonomia no Brasil dedica um capítulo a esse assunto intitulado: “O PROBLEMA DO ASSENTO”

O que é melhor, a postura ereta ou descontraída?

Do ponto de vista dos discos invertebrados, a postura ereta é melhor, pois é quando é menos pressionada. Já do ponto de vista muscular, é favorável a postura mais descontraída, levemente inclinada para frente, pois assim é exigido menos da musculatura das costas.

Sim, existe uma contradição. Esse fato é o motivo pelo qual a postura do sentar é um problema para a coluna vertebral e para a musculatura.

Uma possível solução para as costas

Uma saída para esse conflito seria aumentar o ângulo do encosto, que segundo Grandjean (1998) diminui a pressão dos discos invertebrados e o trabalho estático da musculatura das costas. Não precisamos imaginar uma poltrona de dentista, bem que seria bom.

Um encosto com ângulo entre 110 e 120 graus (o convencional são 100 graus) já seriam o suficiente. O ideal é que a inclinação seja graduável, para que cada trabalhador escolha aquela mais adequada ao seu biotipo.

Esta recomendação somada a uma cadeira ou poltrona com encosto alto para acomodar toda a coluna e com área que comporte a região lombar (Iida, 1990 sugere um vão de 15 e 20cm entre assento e encosto) representaria um belo avanço na sua postura de trabalho, maior qualidade de vida e produtividade.


Ilustração: Carolina Vigna-Marú

No próximo post abordarei os outros aspectos do assento como: alturas, profundidade, largura, apoio para os braço e por aí vamos!

Fontes:
GRANDJEAN, Etienne. MANUAL DE ERGONOMIA. Ed. Bookman, Porto Alegre, 1998;
IIDA, Itiro. ERGONOMI – PROJETO E PRODUÇÃO. Ed. Edgard Blucher Ltda, São Paulo, 1990.


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Publicado em 07/02/2011 às 7:40 na categoria Ergonomia, Respostas. Acompanhe os comentários pelo Feed. Deixe seu comentário, ou um trackback do seu site.